Um blog de conversas sobre assuntos variados. Mano é o apelido de infância de Wilson Baptista Júnior.
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20/10/2013
Um programa útil para registrar informações de contato no Windows
O assunto é um pouco diferente dos que costumo abordar, mas vou falar dele aqui porque pode ser útil para outros como foi para mim:
Nos velhos (bem velhos) tempos do Windows 3.1 eu usava um aplicativo simples do próprio Windows para registrar e consultar minhas informações de contato, chamava-se "Cardfile", era muito simples de usar e muito leve.
Com o tempo minha base de dados de contatos foi crescendo bastante.
Quando passei para o Windows 95, depois para o 98, depois para o 2000 e finalmente para o XP, a Microsoft já não incluía o programa no sistema, porque era em DOS 16 bits, mas copiando o arquivo executável do 3.1 para os novos sistemas pude continuar usando a base de dados.
Quando passei para o Windows 7 Home 64 bits o programa parou de funcionar, porque o SO de 64 bits não o executava; aí fui procurar outros programas grátis, mais modernos, e encontrei diversos com bem mais capacidade do que o velho Cardfile, mas nenhum dos que encontrei importava os arquivos .crd que ele usava, o que significava que eu teria que redigitar os dados de algumas centenas de contatos. Testei alguns mas não me animei a usar nenhum. Fiquei então reduzido a usar uma imagem em .pdf do meu antigo arquivo, que eu podia consultar mas era muito difícil modificar.
Hoje resolvi procurar novamente se havia alguma maneira de rodar o Cardfile no Windows 7 64 bits. Não encontrei, mas encontrei o anúncio de um programa (pago) chamado AZZ Cardfile. O programa custa US$ 29,95. Resolvi experimentar e baixei a versão de testes.
O programa converteu instantaneamente os meus arquivos .crd permitindo-me acessar, visualizar e editar qualquer deles com a mesma facilidade do antigo Cardfile.
Pensando no trabalho que me daria redigitar todos os contatos, acho que apesar de ser pago vai valer a pena. Ele tem várias capacidades a mais do que o antigo Cardfile, que vou explorar depois.
Se algum de vocês estiver com o mesmo problema, o endereço do site deles é:
http://www.azzcardfile.com
e eles têm algumas bases de dados para exemplo, como coleções de receitas de cozinha, que podem ser baixadas. Estas ainda não olhei, mas a de receitas pode me interessar como modelo para sistematizar as de minha coleção :)
18/10/2013
O salto do que saltou depois, do jeito que ele viu
Lembram-se, em outubro do ano passado, de um post chamado "O que saltou antes", em que eu falava do salto do Coronel Kittinger, que em 1960 saltou de paraquedas de um balão a mais de 31.000 metros de altitude, estabelecendo um recorde que durou quarenta e dois anos, até que Felix Baumgartner em 2012 , com o patrocínio da Red Bull, saltou de 39.000 metros e quebrou a barreira do som durante a queda livre?
Pois agora a Red Bull publicou um vídeo inédito do salto de Baumgartner, filmado pelas câmaras que estavam presas ao paraquedista. Vale a pena ver. A mais ou menos 43 segundos ele atinge a velocidade máxima, e aí a gente vê quando ele perde o controle por algum tempo, girando cada vez mais rapidamente, até que a densidade da atmosfera aumenta o suficiente para que a resistência do ar reduza a velocidade da queda e permita que ele consiga estabilizar a sua posição.
O vídeo, que mostra também os instrumentos que medem a altitude e velocidade como ele os via, é este:
Pois agora a Red Bull publicou um vídeo inédito do salto de Baumgartner, filmado pelas câmaras que estavam presas ao paraquedista. Vale a pena ver. A mais ou menos 43 segundos ele atinge a velocidade máxima, e aí a gente vê quando ele perde o controle por algum tempo, girando cada vez mais rapidamente, até que a densidade da atmosfera aumenta o suficiente para que a resistência do ar reduza a velocidade da queda e permita que ele consiga estabilizar a sua posição.
O vídeo, que mostra também os instrumentos que medem a altitude e velocidade como ele os via, é este:
19/04/2013
É preciso publicar o "Relatório Figueiredo"
O Estado de Minas de hoje traz uma notícia impressionante sobre um relatório, que se julgava destruído, e que foi encontrado agora nos arquivos do Museu do Índio.
O relatório resume as investigações realizadas em 1967 e coordenadas pelo procurador Jader de Figueiredo Correia, para apurar denúncias da participação de funcionários do antigo Serviço de Proteção aos Índios, hoje substituído pela FUNAI, em tortura, massacres e extermínio de populações indígenas para permitir a ocupação de suas terras por fazendeiros e latifundiários.
Sim, crimes cometidos ou coadjuvados pelos funcionários daquele mesmo Serviço de Proteção aos Índios que teve como seu primeiro diretor, em 1910, Cândido Mariano da Silva Rondon, o sertanista que foi o primeiro branco a estabelecer contato pacífico com tantas tribos de índios e que pautou sua vida pelo lema "morrer se preciso for, matar nunca"!
De acordo com a reportagem, depois de percorrerem 16 mil quilômetros Brasil adentro e visitarem 130 aldeias indígenas, "Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos".
O relatório denuncia caçadas humanas, para exterminar os índios, com uso de metralhadoras, bombardeamento aéreo com bananas de dinamite, inoculações de varíola (contra a qual os índios, pelo seu isolamento. não tinham desenvolvido a menor resistência) e até a doação de açúcar envenenado com estricinina (o açúcar era um produto muito apreciado pelos índios, que só conheciam o adoçamento com mel).
O então ministro do interior, Albuquerque Lima, foi quem pediu que fosse feita a investigação, e chegou a pedir a demissão de diversos funcionários implicados, mas o resultado da investigação foi abafado pelo governo militar e o pessoal que participou dela exonerado ou transferido. Lembro-me de ter lido umas poucas notícias sobre as atrocidades que chegaram aos jornais da época, e depois não se falou mais do assunto.
O relatório foi dado como tendo sido perdido durante um incêndio no Ministério da Agricultura, e somente agora, quarenta e cinco anos depois, foram encontrados 29 dos seus 30 volumes, num total de perto de 7.000 paginas de investigações.
Uma grande parte da população brasileira não era ainda nascida à época destes acontecimentos, e a maioria dos jovens desconhece a realidade deste brutal processo de genocídio, acha que matar índios para tomar suas terras foi coisa do tempo do Brasil colônia, e subestima a importância das reivindicações dos índios pelo seu espaço natural.
Lancei uma petição pública, através do site Avaaz, pedindo a publicação do relatório, ou ao menos de seus pontos essenciais, para que o povo possa tomar conhecimento. O link, para quem quiser assinar e divulgar, está aqui:
http://www.avaaz.org/po/petition/Publiquem_o_Relatorio_Figueiredo/?cLYEZbb
A reportagem original do Estado de Minas está aqui:
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/04/19/interna_politica,373440/documento-que-registra-exterminio-de-indios-e-resgatado-apos-decadas-desaparecido.shtml
A reportagem teve continuações aqui:
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/04/22/interna_politica,374713/endurecimento-do-regime-militar-pos-fim-as-investigacoes-das-denuncias-de-genocidio-de-indios.shtml
e para quem quiser conhecer quem foi o Marechal Rondon, de quem o estado de Rondônia leva o nome, está aqui um link para o artigo da Wikipédia sobre ele:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cândido_Rondon
O relatório resume as investigações realizadas em 1967 e coordenadas pelo procurador Jader de Figueiredo Correia, para apurar denúncias da participação de funcionários do antigo Serviço de Proteção aos Índios, hoje substituído pela FUNAI, em tortura, massacres e extermínio de populações indígenas para permitir a ocupação de suas terras por fazendeiros e latifundiários.
Sim, crimes cometidos ou coadjuvados pelos funcionários daquele mesmo Serviço de Proteção aos Índios que teve como seu primeiro diretor, em 1910, Cândido Mariano da Silva Rondon, o sertanista que foi o primeiro branco a estabelecer contato pacífico com tantas tribos de índios e que pautou sua vida pelo lema "morrer se preciso for, matar nunca"!
De acordo com a reportagem, depois de percorrerem 16 mil quilômetros Brasil adentro e visitarem 130 aldeias indígenas, "Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos".
O relatório denuncia caçadas humanas, para exterminar os índios, com uso de metralhadoras, bombardeamento aéreo com bananas de dinamite, inoculações de varíola (contra a qual os índios, pelo seu isolamento. não tinham desenvolvido a menor resistência) e até a doação de açúcar envenenado com estricinina (o açúcar era um produto muito apreciado pelos índios, que só conheciam o adoçamento com mel).
O então ministro do interior, Albuquerque Lima, foi quem pediu que fosse feita a investigação, e chegou a pedir a demissão de diversos funcionários implicados, mas o resultado da investigação foi abafado pelo governo militar e o pessoal que participou dela exonerado ou transferido. Lembro-me de ter lido umas poucas notícias sobre as atrocidades que chegaram aos jornais da época, e depois não se falou mais do assunto.
O relatório foi dado como tendo sido perdido durante um incêndio no Ministério da Agricultura, e somente agora, quarenta e cinco anos depois, foram encontrados 29 dos seus 30 volumes, num total de perto de 7.000 paginas de investigações.
Uma grande parte da população brasileira não era ainda nascida à época destes acontecimentos, e a maioria dos jovens desconhece a realidade deste brutal processo de genocídio, acha que matar índios para tomar suas terras foi coisa do tempo do Brasil colônia, e subestima a importância das reivindicações dos índios pelo seu espaço natural.
Lancei uma petição pública, através do site Avaaz, pedindo a publicação do relatório, ou ao menos de seus pontos essenciais, para que o povo possa tomar conhecimento. O link, para quem quiser assinar e divulgar, está aqui:
http://www.avaaz.org/po/petition/Publiquem_o_Relatorio_Figueiredo/?cLYEZbb
A reportagem original do Estado de Minas está aqui:
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/04/19/interna_politica,373440/documento-que-registra-exterminio-de-indios-e-resgatado-apos-decadas-desaparecido.shtml
A reportagem teve continuações aqui:
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/04/22/interna_politica,374713/endurecimento-do-regime-militar-pos-fim-as-investigacoes-das-denuncias-de-genocidio-de-indios.shtml
e para quem quiser conhecer quem foi o Marechal Rondon, de quem o estado de Rondônia leva o nome, está aqui um link para o artigo da Wikipédia sobre ele:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cândido_Rondon
18/03/2013
O projeto espacial que o Brasil não vai fazer
Reportagem no portal Terra de ontem (17/03/2013) fala sobre o projeto de um grupo de universidades brasileiras de lançar uma sonda que pousaria num asteroide a onze milhões de quilômetros da Terra, o maior componente do sistema triplo 2001 SN263.
A sonda, que seria lançada por um foguete russo, porque o Brasil, que começou o seu programa espacial ao criar o Centro de Lançamento de Barreira do Inferno em 1965 até hoje ainda não conseguiu viabilizar o seu próprio veículo lançador espacial (para quem não se lembra, o projeto VLS ficou praticamente parado desde o acidente de 2003, em que um dos foguetes explodiu e matou 23 técnicos que estavam na plataforma de lançamento do Centro de Lançamento de Alcântara, até o ano passado, quando começou a ser retomado), seria a primeira espaçonave a pousar num sistema triplo de asteroides, e realizaria um programa de testes depois de pousada.
A missão "Aster", que começou a ser pensada em 2008, e que pela reportagem tem um custo previsto de 40 milhões de dólares, traria importantes benefícios de pesquisa e daria um impulso muito necessário ao nosso claudicante programa espacial. O professor Antonio Gil Vicente de Brum, um dos responsáveis pelo projeto, diz na reportagem quem além dos resultados de pesquisa que acabam sendo incorporados à nossa vida no dia a dia, um dos principais objetivos do projeto é "aprender mais a respeito de corpos celestes que se aproximam da órbita do nosso planeta e ameaçam populações terrestres".
Não preciso lembrar a vocês a sequência recente, dentro de um período de pouco mais de um mês, da passagem muito próxima da Terra de dois asteróides de grande tamanho, um deles dentro da região em que orbitam nossos satélites de comunicação, e da explosão de um menor sobre a Rússia com grande dano material e quase mil pessoas feridas.
Nem de lembrar a vocês que os investimentos feitos até hoje pelo mundo na pesquisa espacial já retornaram seus custos multiplicados por muitas e muitas vezes, em praticamente todos os campos da ciência.
Pois a missão, que já está estruturada, com muitos componentes projetados, e com a cooperação com a Rússia já em entendimentos, corre o risco de não ser realizada porque, segundo explica José Monserrat Filho, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira, "Neste momento, o governo brasileiro não tem condições de manter este projeto. Não há dinheiro disponível. Ninguém é contra. Ninguém quer criar obstáculos. A ideia é, através do Inpe, buscar apoio financeiro na iniciativa privada, e pública também, como a Petrobras. Seria ótimo se a Petrobras pudesse financiar esse projeto, por exemplo. Sem verba, não tem nada aprovado. A base de apoio financeiro não existe".
Dizer que o governo brasileiro não tem condições de financiar um projeto destes é risível, num momento em que, apenas para erguer as estruturas provisórias (notem bem, provisórias) exigidas pela FIFA para abrigar seus representantes seus convidados VIPs e os jornalistas internacionais durante a Copa do Mundo de Futebol foi aprovado um gasto extra de sessenta milhões de reais, ou pouco menos de trinta milhões de dólares. Sem falar nos custos totais da Copa do Mundo, de duvidoso retorno para o país.
Num momento em que se anuncia a criação de mais um ministério, além do número recorde de 38 existentes, apenas para se abrigar mais um parlamentar aliado com vistas à campanha eleitoral para 2014. Estamos com 39, daqui a pouco chegaremos a 40. Cuidado com esse número...
Num momento em que o Brasil (antes da criação do novo ministério) tem quase 24 mil cargos de confiança enquanto a Inglaterra tem 300, a França 4 mil e os Estados Unidos 8 mil...
Ou, para fazer outra triste comparação, num momento em que o orçamento anual do Senado Federal é de 3,4 BILHÕES de reais, para 81 senadores, o que significa que cada um dos senadores custa aos cidadãos brasileiros a bagatela de 42 milhões de reais por ano, ou um pouco mais de vinte milhões de dólares. País nenhum do mundo chega nem perto deste gasto.
Sem falar na ingenuidade, ou idiotice, de querer que a Petrobras, que tem amargado prejuízo em cima de prejuízo para a empresa e para seus acionistas pela política equivocada de manter o preço da gasolina artificialmente baixo para tentar conter a inflação, seja a financiadora do projeto.
O nosso governo quer vender ao mundo a imagem do Brasil como uma verdadeira potência emergente, como a sexta economia do mundo, como um país capacitado a fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, mas não sabe priorizar os investimentos que podem realmente nos colocar nessas posições.
A reportagem do Portal Terra está em
http://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/sem-verba-projeto-brasileiro-de-levar-sonda-a-asteroide-segue-na-prancheta,5c71acd3b4f6d310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html
ou (link encurtado)
http://tinyurl.com/ble4m7o
A sonda, que seria lançada por um foguete russo, porque o Brasil, que começou o seu programa espacial ao criar o Centro de Lançamento de Barreira do Inferno em 1965 até hoje ainda não conseguiu viabilizar o seu próprio veículo lançador espacial (para quem não se lembra, o projeto VLS ficou praticamente parado desde o acidente de 2003, em que um dos foguetes explodiu e matou 23 técnicos que estavam na plataforma de lançamento do Centro de Lançamento de Alcântara, até o ano passado, quando começou a ser retomado), seria a primeira espaçonave a pousar num sistema triplo de asteroides, e realizaria um programa de testes depois de pousada.
A missão "Aster", que começou a ser pensada em 2008, e que pela reportagem tem um custo previsto de 40 milhões de dólares, traria importantes benefícios de pesquisa e daria um impulso muito necessário ao nosso claudicante programa espacial. O professor Antonio Gil Vicente de Brum, um dos responsáveis pelo projeto, diz na reportagem quem além dos resultados de pesquisa que acabam sendo incorporados à nossa vida no dia a dia, um dos principais objetivos do projeto é "aprender mais a respeito de corpos celestes que se aproximam da órbita do nosso planeta e ameaçam populações terrestres".
Não preciso lembrar a vocês a sequência recente, dentro de um período de pouco mais de um mês, da passagem muito próxima da Terra de dois asteróides de grande tamanho, um deles dentro da região em que orbitam nossos satélites de comunicação, e da explosão de um menor sobre a Rússia com grande dano material e quase mil pessoas feridas.
Nem de lembrar a vocês que os investimentos feitos até hoje pelo mundo na pesquisa espacial já retornaram seus custos multiplicados por muitas e muitas vezes, em praticamente todos os campos da ciência.
Imagem do site Astropt.org
Pois a missão, que já está estruturada, com muitos componentes projetados, e com a cooperação com a Rússia já em entendimentos, corre o risco de não ser realizada porque, segundo explica José Monserrat Filho, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira, "Neste momento, o governo brasileiro não tem condições de manter este projeto. Não há dinheiro disponível. Ninguém é contra. Ninguém quer criar obstáculos. A ideia é, através do Inpe, buscar apoio financeiro na iniciativa privada, e pública também, como a Petrobras. Seria ótimo se a Petrobras pudesse financiar esse projeto, por exemplo. Sem verba, não tem nada aprovado. A base de apoio financeiro não existe".
Dizer que o governo brasileiro não tem condições de financiar um projeto destes é risível, num momento em que, apenas para erguer as estruturas provisórias (notem bem, provisórias) exigidas pela FIFA para abrigar seus representantes seus convidados VIPs e os jornalistas internacionais durante a Copa do Mundo de Futebol foi aprovado um gasto extra de sessenta milhões de reais, ou pouco menos de trinta milhões de dólares. Sem falar nos custos totais da Copa do Mundo, de duvidoso retorno para o país.
Num momento em que se anuncia a criação de mais um ministério, além do número recorde de 38 existentes, apenas para se abrigar mais um parlamentar aliado com vistas à campanha eleitoral para 2014. Estamos com 39, daqui a pouco chegaremos a 40. Cuidado com esse número...
Num momento em que o Brasil (antes da criação do novo ministério) tem quase 24 mil cargos de confiança enquanto a Inglaterra tem 300, a França 4 mil e os Estados Unidos 8 mil...
Ou, para fazer outra triste comparação, num momento em que o orçamento anual do Senado Federal é de 3,4 BILHÕES de reais, para 81 senadores, o que significa que cada um dos senadores custa aos cidadãos brasileiros a bagatela de 42 milhões de reais por ano, ou um pouco mais de vinte milhões de dólares. País nenhum do mundo chega nem perto deste gasto.
Sem falar na ingenuidade, ou idiotice, de querer que a Petrobras, que tem amargado prejuízo em cima de prejuízo para a empresa e para seus acionistas pela política equivocada de manter o preço da gasolina artificialmente baixo para tentar conter a inflação, seja a financiadora do projeto.
O nosso governo quer vender ao mundo a imagem do Brasil como uma verdadeira potência emergente, como a sexta economia do mundo, como um país capacitado a fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, mas não sabe priorizar os investimentos que podem realmente nos colocar nessas posições.
A reportagem do Portal Terra está em
http://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/sem-verba-projeto-brasileiro-de-levar-sonda-a-asteroide-segue-na-prancheta,5c71acd3b4f6d310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html
ou (link encurtado)
http://tinyurl.com/ble4m7o
23/02/2013
O blog da Yoani
Depois de muito tempo de ausência (não sei se muita gente chegou a perceber :), volto a escrever alguma coisa.
Uma das razões de não ter escrito durante este tempo foi que não quero falar de política neste blog, porque acompanhar os comentários que são escritos por alguns leitores, digamos, "de encomenda", que parece que não se importam com o que está escrito mas apenas com repetir "ad nauseam" suas palavras de ordem a cada artigo dos blogs e jornais que costumo ler e que tratam de política têm me desanimado. E tudo o que mais me despertava a atenção durante este período tinha a ver com a política brasileira.
Hoje entrei, pela primeira vez, nas páginas do blog da cubana Yoani Sanchez, de quem todo o mundo já ouviu falar mas creio que muito pouca gente leu. Eu, por exemplo, apesar de acompanhar as notícias e as opiniões pró e contra a seu respeito desde antes de sua recente visita ao Brasil, nunca tinha procurado o seu blog para conhecer realmente o que ela escreve.
Uma das coisas que mais me interessaram, das notícias de sua visita, além de ver a calma e elegância com que ela respondia às provocações dos opositores, foi sua afirmação de que, morando em Cuba, nunca tinha conseguido receber o dinheiro dos diversos prêmios que seus escritos conquistaram mundo afora, e que só agora, com esta viagem, ia ter a oportunidade de tentar recebê-lo e, o mais difícil, entrar com ele de volta em Cuba.
Isto me interessou porque diversos jornalistas brasileiros têm criticado a blogueira por ter uma situação financeira privilegiada, justamente pelo dinheiro dos prêmios, e que ela então estaria numa posição muito confortável para criticar as condições de vida em seu país sem ter que se submeter às privações dos seus compatriotas.
Bem, não vou entrar aqui, agora, numa discussão das opiniões nem dos motivos da Yoani; vou dizer que achei extremamente interessante, no seu blog, as páginas em que fala de tecnologia e recursos, onde a gente pode ver como é difícil para os cubanos se conectarem minimamente à internet; não podem ter conexão internet em casa, e até para usarem o twitter nos seus telefones eles têm que utilizar "macetes" que permitem que ao menos as pessoas enviem mensagens mas não que as recebam - coisa difícil de conceber para nós, acostumados com os smartphones e banda larga. Além disso os preços do tempo de conexão dos hotéis que permitem o acesso e das mensagens SMS nos telefones são completamente fora de proporção com a renda média deles
Por aí vocês podem imaginar as dificuldades que um cubano enfrenta para conseguir manter e publicar um blog.
Se vocês quiserem dar uma olhada, o endereço do blog dela é:
http://www.desdecuba.com/generaciony/
Uma das razões de não ter escrito durante este tempo foi que não quero falar de política neste blog, porque acompanhar os comentários que são escritos por alguns leitores, digamos, "de encomenda", que parece que não se importam com o que está escrito mas apenas com repetir "ad nauseam" suas palavras de ordem a cada artigo dos blogs e jornais que costumo ler e que tratam de política têm me desanimado. E tudo o que mais me despertava a atenção durante este período tinha a ver com a política brasileira.
Hoje entrei, pela primeira vez, nas páginas do blog da cubana Yoani Sanchez, de quem todo o mundo já ouviu falar mas creio que muito pouca gente leu. Eu, por exemplo, apesar de acompanhar as notícias e as opiniões pró e contra a seu respeito desde antes de sua recente visita ao Brasil, nunca tinha procurado o seu blog para conhecer realmente o que ela escreve.
Uma das coisas que mais me interessaram, das notícias de sua visita, além de ver a calma e elegância com que ela respondia às provocações dos opositores, foi sua afirmação de que, morando em Cuba, nunca tinha conseguido receber o dinheiro dos diversos prêmios que seus escritos conquistaram mundo afora, e que só agora, com esta viagem, ia ter a oportunidade de tentar recebê-lo e, o mais difícil, entrar com ele de volta em Cuba.
Isto me interessou porque diversos jornalistas brasileiros têm criticado a blogueira por ter uma situação financeira privilegiada, justamente pelo dinheiro dos prêmios, e que ela então estaria numa posição muito confortável para criticar as condições de vida em seu país sem ter que se submeter às privações dos seus compatriotas.
Bem, não vou entrar aqui, agora, numa discussão das opiniões nem dos motivos da Yoani; vou dizer que achei extremamente interessante, no seu blog, as páginas em que fala de tecnologia e recursos, onde a gente pode ver como é difícil para os cubanos se conectarem minimamente à internet; não podem ter conexão internet em casa, e até para usarem o twitter nos seus telefones eles têm que utilizar "macetes" que permitem que ao menos as pessoas enviem mensagens mas não que as recebam - coisa difícil de conceber para nós, acostumados com os smartphones e banda larga. Além disso os preços do tempo de conexão dos hotéis que permitem o acesso e das mensagens SMS nos telefones são completamente fora de proporção com a renda média deles
Por aí vocês podem imaginar as dificuldades que um cubano enfrenta para conseguir manter e publicar um blog.
Se vocês quiserem dar uma olhada, o endereço do blog dela é:
http://www.desdecuba.com/generaciony/
21/10/2012
O que saltou antes
O mundo inteiro viu as notícias, e milhões de pessoas acompanharam ao vivo o salto de paraquedas patrocinado pela Red Bull, quando depois de cinco anos de treinamento e preparação Felix Baumgartner saltou de uma gôndola pressurizada levada por um balão a 39.045 metros de altitude, caiu por 4 minutos e 22 segundos em queda livre, durante a qual quebrou a barreira do som e atingiu uma velocidade estimada de 1.343 quilômetros por hora antes de abrir o paraquedas. Foi um feito magnífico, ajudado por toda uma tecnologia de ponta. Felix usou um traje espacial desenvolvido especialmente para o salto, alimentado dentro da gôndola por uma mistura de nitrogênio e oxigênio líquidos, e durante o salto por dois cilindros acoplados a seu traje espacial.
Os recordes anteriores que Felix quebrou tinham sido estabelecidos cinquenta e dois anos atrás por um piloto de provas da Força Aérea Americana, o capitão Joseph Kittinger, em agosto de 1960 (Aliás Kittinger, hoje coronel reformado, funcionou como consultor no projeto da Red Bull). Kittinger saltou de 31.333 metros de altitude, num projeto da Força Aérea para testar um sistema de estabilização de paraquedas que permitisse aos pilotos escapar de aviões que na época estavam atingindo altitudes cada vez maiores.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os aviões de combate atingiam altitudes de mais de doze mil metros, e havia uma controvérsia sobre qual seria a melhor maneira de escapar de um avião a esta altitude; se seria melhor abrir o paraquedas imediatamente e depender de um maior suprimento de oxigênio para flutuar até o solo, ou cair rapidamente uns dez quilômetros em queda livre e abrir o paraquedas numa altitude onde já se pudesse respirar.
Em 1943 um cirurgião aviador da Força Aérea resolveu testar ele mesmo, e saltou de uma Fortaleza Voadora B-17 a 12.164 metros carregando um cilindro de oxigênio, abrindo o paraquedas logo após o salto. O choque da abertura do paraquedas fez com que ele ficasse inconsciente e arrancou as luvas das duas mãos. Por sorte o oxigênio funcionou e o manteve vivo até chegar a uma altitude mais baixa. Outro cirurgião aviador, o Coronel Mel Boyton, resolveu testar a técnica oposta, com queda livre longa, mas recusou-se a usar um dispositivo que abriria automaticamente o paraquedas a baixa altitude porque os pilotos de combate não dispunham do mesmo dispositivo. Saltou de pouco mais de 12.400 metros mas não chegou a abrir o paraquedas; pode ter perdido a consciência, e aparentemente ainda estava olhando para o cronômetro quando bateu no chão.
Depois deste acidente a Força Aérea interrompeu os testes.
Nos anos seguintes os aviões continuaram a voar cada vez mais rápido e cada vez mais alto, e em 1952 a Força Aérea começou um programa para desenvolver técnicas de escape que funcionassem entre 18.000 e 30.000 metros de altitude. E decidiu que o melhor meio de fazer os testes seria utilizando balões estratosféricos.
Testes lançando bonecos de grande altitude mostraram que o maior problema era que os bonecos começavam a girar durante a queda, chegando a atingir duzentas rotações por minuto, o que faria com que os pilotos perdessem a consciência e não pudessem comandar a abertura dos paraquedas. Com a baixa pressão de ar naquelas altitudes, seria também muito difícil para os pilotos controlar sua posição aerodinamicamente, utilizando a posição dos braços e perna como superfícies de controle, como os paraquedistas fazem em saltos em queda livre a altitudes mais baixas. Além disso, os pilotos de combate não são paraquedistas treinados. Era preciso encontrar uma solução que não dependesse do piloto.
Francis Beaupré, da Divisão Médica Aeroespacial da Força Aérea, projetou um paraquedas que deveria em três estágios: Depois de dezoito segundos de queda livre, para atingir uma velocidade em que a pressão do ar fosse suficiente para um mínimo de controle, um pequeno paraquedas auxiliar com trinta centímetros de diâmetro se abriria, puxando um paraquedas estabilizador de um metro e oitenta, que deveria estabilizar o piloto na posição de pés para baixo. Chegando a uns seis mil metros de altitude, o paraquedas estabilizador puxaria para fora o paraquedas principal e interromperia a queda livre. Todo o sistema devia funcionar sem intervenção do piloto, para o caso em que ele tivesse perdido a consciência.
Depois de cento e quarenta testes do sistema Beaupré com bonecos lançados de até 30.000 metros, Kittinger saltou de um Hércules C-130 a nove mil metros de altitude, e a Força Aérea considerou que o sistema estava pronto para ser testado saltando da estratosfera.
A Força Aérea não tinha uma gôndola fechada que permitisse um salto fácil, então resolveram utilizar uma gôndola aberta, projetada para vôos de balão de baixa altitude, pouco mais do que uma cadeira de braços pendurada do balão. Como o objetivo dos testes era provar que um piloto de combate poderia sobreviver ao salto, Kittinger tinha que usar um traje de vôo padrão de combate, parcialmente pressurizado, durante todo o vôo, e depender de garrafas de oxigênio para respirar. Qualquer falha da pressurização do traje, a grandes altitudes, poderia causar sua morte em poucos minutos. A sua única proteção adicional era um macacão de vôo com isolamento térmico, vestido por cima do traje, para protegê-lo do frio extremo lá em cima. Ele levava ainda uma mochila no peito, com instrumentos, câmaras e o oxigênio para mantê-lo vivo durante o vôo e o salto.
Usando esta "cadeira voadora", Kittinger fez um total de três saltos. No primeiro, de 23.000 metros, em 26 de novembro de 1959, o paraquedas auxiliar se abriu antes da hora, e a falta de pressão de ar fez com que ele chicoteasse e se enrolasse no pescoço do piloto. Sem a estabilização, Kittinger começou a girar e perdeu a consciência, que só recuperou a menos de dois mil metros, pendurado do paraquedas reserva. Devido à falha do auxiliar, o paraquedas estabilizador e o principal não se abriram, e Kissinger só se salvou por causa do sistema barométrico que abriu o paraquedas reserva a três mil metros de altitude.
Com algumas pequenas correções no projeto dos equipamentos, Kittinger saltou de novo em 11 de novembro, desta vez de 22.700 metros. Tudo funcionou perfeitamente, e em 16 de agosto do ano seguinte ele subiu no balão até a altitude de 31.333 metros.
Durante a subida a pressurização da luva direita falhou, e a mão inchou até quase o dobro do seu tamanho original. Apesar da dor e do risco, Kittinger não avisou o controle do vôo antes de atingir sua altitude máxima por medo de que abortassem o salto.
Numa queda livre de quatro minutos e meio e quase vinte e seis quilômetros, ele atingiu a velocidade de 1.012 quilômetros por hora.
Como piloto da Força Aérea, Kittinger não teve direito a nenhuma compensação pecuniária pelos riscos que correu no projeto, além de seu soldo de capitão. Depois do programa de testes, pilotou balões para o projeto Stargazer, levando astrônomos em vôos a 25.000 metros de altitude, e depois ofereceu-se como voluntário na guerra do Vietnã, voando em 485 missões de combate até ser derrubado pelo inimigo e feito prisioneiro em 1972.
Depois de se reformar com o posto de Coronel, Kittinger continuou voando, e em 1984 foi o primeiro piloto de balão a fazer um voo solitário dos Estados Unidos até a Europa.
Tanto Felix Baumgartner quanto Joe Kittinger utilizaram nos seus saltos a tecnologia mais desenvolvida de suas épocas, mas não deixa de ser interessante olhar a grande distância entre uma e outra.
A filmagem do seu salto (incluindo o primeiro feito do Hércules) pode ser vista aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=Qw8OJJQ_hgk
O site da Red Bull com a história da missão e os detalhes da tecnologia do salto de Félix está aqui:
http://www.redbullstratos.com/technology/
E uma história bastante detalhada do projeto da Força Aérea está aqui:
http://stratocat.com.ar/artics/excelsior-e.htm
Os recordes anteriores que Felix quebrou tinham sido estabelecidos cinquenta e dois anos atrás por um piloto de provas da Força Aérea Americana, o capitão Joseph Kittinger, em agosto de 1960 (Aliás Kittinger, hoje coronel reformado, funcionou como consultor no projeto da Red Bull). Kittinger saltou de 31.333 metros de altitude, num projeto da Força Aérea para testar um sistema de estabilização de paraquedas que permitisse aos pilotos escapar de aviões que na época estavam atingindo altitudes cada vez maiores.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os aviões de combate atingiam altitudes de mais de doze mil metros, e havia uma controvérsia sobre qual seria a melhor maneira de escapar de um avião a esta altitude; se seria melhor abrir o paraquedas imediatamente e depender de um maior suprimento de oxigênio para flutuar até o solo, ou cair rapidamente uns dez quilômetros em queda livre e abrir o paraquedas numa altitude onde já se pudesse respirar.
Em 1943 um cirurgião aviador da Força Aérea resolveu testar ele mesmo, e saltou de uma Fortaleza Voadora B-17 a 12.164 metros carregando um cilindro de oxigênio, abrindo o paraquedas logo após o salto. O choque da abertura do paraquedas fez com que ele ficasse inconsciente e arrancou as luvas das duas mãos. Por sorte o oxigênio funcionou e o manteve vivo até chegar a uma altitude mais baixa. Outro cirurgião aviador, o Coronel Mel Boyton, resolveu testar a técnica oposta, com queda livre longa, mas recusou-se a usar um dispositivo que abriria automaticamente o paraquedas a baixa altitude porque os pilotos de combate não dispunham do mesmo dispositivo. Saltou de pouco mais de 12.400 metros mas não chegou a abrir o paraquedas; pode ter perdido a consciência, e aparentemente ainda estava olhando para o cronômetro quando bateu no chão.
Depois deste acidente a Força Aérea interrompeu os testes.
Nos anos seguintes os aviões continuaram a voar cada vez mais rápido e cada vez mais alto, e em 1952 a Força Aérea começou um programa para desenvolver técnicas de escape que funcionassem entre 18.000 e 30.000 metros de altitude. E decidiu que o melhor meio de fazer os testes seria utilizando balões estratosféricos.
Testes lançando bonecos de grande altitude mostraram que o maior problema era que os bonecos começavam a girar durante a queda, chegando a atingir duzentas rotações por minuto, o que faria com que os pilotos perdessem a consciência e não pudessem comandar a abertura dos paraquedas. Com a baixa pressão de ar naquelas altitudes, seria também muito difícil para os pilotos controlar sua posição aerodinamicamente, utilizando a posição dos braços e perna como superfícies de controle, como os paraquedistas fazem em saltos em queda livre a altitudes mais baixas. Além disso, os pilotos de combate não são paraquedistas treinados. Era preciso encontrar uma solução que não dependesse do piloto.
Francis Beaupré, da Divisão Médica Aeroespacial da Força Aérea, projetou um paraquedas que deveria em três estágios: Depois de dezoito segundos de queda livre, para atingir uma velocidade em que a pressão do ar fosse suficiente para um mínimo de controle, um pequeno paraquedas auxiliar com trinta centímetros de diâmetro se abriria, puxando um paraquedas estabilizador de um metro e oitenta, que deveria estabilizar o piloto na posição de pés para baixo. Chegando a uns seis mil metros de altitude, o paraquedas estabilizador puxaria para fora o paraquedas principal e interromperia a queda livre. Todo o sistema devia funcionar sem intervenção do piloto, para o caso em que ele tivesse perdido a consciência.
Depois de cento e quarenta testes do sistema Beaupré com bonecos lançados de até 30.000 metros, Kittinger saltou de um Hércules C-130 a nove mil metros de altitude, e a Força Aérea considerou que o sistema estava pronto para ser testado saltando da estratosfera.
A Força Aérea não tinha uma gôndola fechada que permitisse um salto fácil, então resolveram utilizar uma gôndola aberta, projetada para vôos de balão de baixa altitude, pouco mais do que uma cadeira de braços pendurada do balão. Como o objetivo dos testes era provar que um piloto de combate poderia sobreviver ao salto, Kittinger tinha que usar um traje de vôo padrão de combate, parcialmente pressurizado, durante todo o vôo, e depender de garrafas de oxigênio para respirar. Qualquer falha da pressurização do traje, a grandes altitudes, poderia causar sua morte em poucos minutos. A sua única proteção adicional era um macacão de vôo com isolamento térmico, vestido por cima do traje, para protegê-lo do frio extremo lá em cima. Ele levava ainda uma mochila no peito, com instrumentos, câmaras e o oxigênio para mantê-lo vivo durante o vôo e o salto.
Usando esta "cadeira voadora", Kittinger fez um total de três saltos. No primeiro, de 23.000 metros, em 26 de novembro de 1959, o paraquedas auxiliar se abriu antes da hora, e a falta de pressão de ar fez com que ele chicoteasse e se enrolasse no pescoço do piloto. Sem a estabilização, Kittinger começou a girar e perdeu a consciência, que só recuperou a menos de dois mil metros, pendurado do paraquedas reserva. Devido à falha do auxiliar, o paraquedas estabilizador e o principal não se abriram, e Kissinger só se salvou por causa do sistema barométrico que abriu o paraquedas reserva a três mil metros de altitude.
Com algumas pequenas correções no projeto dos equipamentos, Kittinger saltou de novo em 11 de novembro, desta vez de 22.700 metros. Tudo funcionou perfeitamente, e em 16 de agosto do ano seguinte ele subiu no balão até a altitude de 31.333 metros.
Durante a subida a pressurização da luva direita falhou, e a mão inchou até quase o dobro do seu tamanho original. Apesar da dor e do risco, Kittinger não avisou o controle do vôo antes de atingir sua altitude máxima por medo de que abortassem o salto.
Numa queda livre de quatro minutos e meio e quase vinte e seis quilômetros, ele atingiu a velocidade de 1.012 quilômetros por hora.
Como piloto da Força Aérea, Kittinger não teve direito a nenhuma compensação pecuniária pelos riscos que correu no projeto, além de seu soldo de capitão. Depois do programa de testes, pilotou balões para o projeto Stargazer, levando astrônomos em vôos a 25.000 metros de altitude, e depois ofereceu-se como voluntário na guerra do Vietnã, voando em 485 missões de combate até ser derrubado pelo inimigo e feito prisioneiro em 1972.
Depois de se reformar com o posto de Coronel, Kittinger continuou voando, e em 1984 foi o primeiro piloto de balão a fazer um voo solitário dos Estados Unidos até a Europa.
Tanto Felix Baumgartner quanto Joe Kittinger utilizaram nos seus saltos a tecnologia mais desenvolvida de suas épocas, mas não deixa de ser interessante olhar a grande distância entre uma e outra.
A filmagem do seu salto (incluindo o primeiro feito do Hércules) pode ser vista aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=Qw8OJJQ_hgk
O site da Red Bull com a história da missão e os detalhes da tecnologia do salto de Félix está aqui:
http://www.redbullstratos.com/technology/
E uma história bastante detalhada do projeto da Força Aérea está aqui:
http://stratocat.com.ar/artics/excelsior-e.htm
01/10/2012
Câmaras em sala de aula - atestado de falência (de quem?)
Dias atrás, um colégio particular tradicional de São Paulo (o Colégio Rio Branco) mandou instalar câmaras de vigilância em suas salas de aula. Os alunos protestaram, recusando-se a entrar nas salas com câmaras até que a diretora do colégio se manifestasse - e em vez de receberem explicações foram punidos com suspensão.
O episódio provocou polêmica, com opiniões diversas sobre a maneira como a escola tratou o protesto dos alunos e sobre a legitimidade da colocação das câmaras. Não vou entrar aqui nessa discussão, porque me faltam informações confiáveis sobre a maneira com que a escola preparou (ou não) os alunos para a introdução das câmaras. O que me chamou a atenção foi um artigo da psicóloga Rosely Sayão, na Folha de São Paulo, a respeito do caso.
Rosely, contestando a instalação das câmaras, diz no seu artigo:
"As escolas estão se rendendo ao aparato tecnológico que vigia alunos e professores. A justificativa para o seu uso é semelhante em todos os lugares em que as câmeras são instaladas: segurança.
A escola, sempre é bom lembrar, tem a função de educar. Para a cidadania, inclusive, como costumam documentar a maioria dos projetos pedagógicos.
E qualquer tipo de educação escolar só se concretiza a partir da relação entre professores e alunos. É a partir dessa relação que tudo acontece: ensino, aprendizagem, embates, conflitos, conhecimentos etc.
Podemos dizer que é essa relação, uma relação de confiança, que viabiliza a educação escolar.
Pois bem: a presença de câmeras em sala de aula é um atestado de falência, assinado pela própria instituição, dessa relação. Sinal de que imagens valem muito mais do que palavras, diálogos, conflitos, encontros e desencontros, regras e transgressões."
Eu queria discutir um pouco essa afirmação da Rosely, que parece implicar que a falência da relação de confiança é culpa da instituição escola.
O que infelizmente temos visto, repetidamente, no noticiário são agressões físicas de alunos a professores, dentro das escolas, e, mais preocupante ainda, agressões físicas de pais, mães, e outros parentes de alunos aos professores.
Na minha opinião isso não indica uma falência das escolas, reflete uma falência da sociedade como um todo. Em primeiro lugar, uma falência dos pais. Sim, dos pais. Que não ensinam mais aos filhos o respeito ao próximo. Porque isso, apesar de ser uma coisa que se leva toda a vida aprendendo, se aprende primeiro em casa.
(Respeito ao próximo não significa obrigação de aceitar as opiniões do próximo. Eu fui criado, e junto com minha mulher, que também é assim, tentei passar isto para meus filhos, para não aceitar passivamente uma opinião de ninguém sem examiná-la e questioná-la à luz do conhecimento que eu já tivesse a respeito do assunto. Isso me levou a ter muitas discussões com professores, do grupo escolar à universidade. Estive certo algumas vezes, errado noutras. Com todas elas aprendi mais um pouco. Para mim, eram coisa normal, faziam parte de estar na escola. Mas, tanto quanto posso me lembrar, creio que nunca deixei de respeitar, no meu comportamento, a relação professor / aluno dentro da sala de aula. E nem depois, passando para o outro lado, nos muitos anos em que dei aulas e treinei pessoas).
Em qualquer relação de convivência, seja na escola, no trabalho, no esporte, na rua, em qualquer tipo de sociedade, é preciso haver uma coisa que se chama "civilidade".
Uma palavra que se ouve pouco hoje, e que muita gente que gosta de falar em liberdade, em direitos e em cidadania desconhece. Vem do latim "civilis", que significa "próprio do cidadão". "Cidadão", por sua vez, vem do latim "civitas", cidade. É aquele que vive numa cidade. E é do ser cidadão que vem a palavra cidadania.
Civilidade, então, significa o comportamento próprio de uma pessoa que vive numa cidade, quer dizer, a maneira como deve se comportar alguém que não vive isoladamente, vive perto de outras pessoas. É ela que faz com que as pessoas consigam viver numa sociedade. As civilizações existem porque as pessoas vivem em sociedade. O progresso existe porque as civilizações existem. E a cidadania tanto tem direitos quanto deveres. Uma coisa não existe sem a outra. Senão a conta não fecha.
A civilidade pode ser definida, de maneira simples, como o respeito pela pessoa do outro. E a sua regra mais básica, mais essencial, do respeito pela pessoa do outro não tem nada a ver com hierarquia, com autoridade, com posição. Ela diz simplesmente "Não faças aos outros o que não queres que te façam". Ou, de outra maneira, "Trate o outro como você gostaria de ser tratado". É simples assim.
Mas se é tão simples, porque os pais já não conseguem ensinar aos filhos o respeito ao outro? Talvez porque a vida moderna venha tornando isso mais difícil? Porque eles têm menos tempo para passar com os filhos e assim acham que podem delegar à escola esta parte da sua formação? Ou, talvez, porque eles mesmo respeitem menos o próximo?
Eu acredito nesta última razão. E acredito porque a maneira de se ensinar a civilidade não é falando dela, é pelo exemplo. É vendo a maneira com que os pais tratam um ao outro, os filhos, os que estão perto e os que não estão tão perto, que os filhos aprendem a fazer o mesmo. Não adianta pregar uma coisa e e não fazer o que se prega, as crianças não são burras, elas percebem muito bem como agimos. E o que elas veem?
Veem os pais dentro de uma sociedade onde se diz uma coisa e se faz outra, onde a pequena corrupção (aquela do jeitinho para resolver os problemas imediatos do indivíduo, das carteiras de estudante compradas fraudulentamente para pagar meia entrada, do parar o carro em qualquer lugar porque "é só um instantinho, não vai atrapalhar ninguém", das redes de aviso das blitzes da lei seca nos celulares, da venda de recibos falsos por profissionais para diminuir o imposto de renda dos outros, e de tantos outros exemplos), onde tudo se torna aceitável porque "não faz tanto mal assim, os políticos roubam muito mais", vai tomando conta, onde a violência nas ruas se torna cada vez mais gratuita e os assaltantes matam os assaltados para mostrar ao público que não se deve resistir a eles, ou simplesmente porque não se incomodam mais com isso, e porque sabem que provavelmente não serão presos e condenados. Uma sociedade onde o povo já não respeita a classe política porque ela não respeita o povo que a elegeu. Mas onde o mesmo povo reclama da grande corrupção e acha natural praticar a pequena.
Como vamos querer que eles ajam com civilidade? Como vamos querer que se tornem cidadãos?
Se não souberem viver em sociedade, a sociedade vai falir. Quando uma sociedade cresce, ela só tem dois caminhos: civilização ou barbárie. Que eu saiba, ainda não conseguiram descobrir outro.
O link para o artigo da Rosely está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1161476-opiniao-camera-em-sala-de-aula-e-um-atestado-de-falencia.shtml
O episódio provocou polêmica, com opiniões diversas sobre a maneira como a escola tratou o protesto dos alunos e sobre a legitimidade da colocação das câmaras. Não vou entrar aqui nessa discussão, porque me faltam informações confiáveis sobre a maneira com que a escola preparou (ou não) os alunos para a introdução das câmaras. O que me chamou a atenção foi um artigo da psicóloga Rosely Sayão, na Folha de São Paulo, a respeito do caso.
Rosely, contestando a instalação das câmaras, diz no seu artigo:
"As escolas estão se rendendo ao aparato tecnológico que vigia alunos e professores. A justificativa para o seu uso é semelhante em todos os lugares em que as câmeras são instaladas: segurança.
A escola, sempre é bom lembrar, tem a função de educar. Para a cidadania, inclusive, como costumam documentar a maioria dos projetos pedagógicos.
E qualquer tipo de educação escolar só se concretiza a partir da relação entre professores e alunos. É a partir dessa relação que tudo acontece: ensino, aprendizagem, embates, conflitos, conhecimentos etc.
Podemos dizer que é essa relação, uma relação de confiança, que viabiliza a educação escolar.
Pois bem: a presença de câmeras em sala de aula é um atestado de falência, assinado pela própria instituição, dessa relação. Sinal de que imagens valem muito mais do que palavras, diálogos, conflitos, encontros e desencontros, regras e transgressões."
Eu queria discutir um pouco essa afirmação da Rosely, que parece implicar que a falência da relação de confiança é culpa da instituição escola.
O que infelizmente temos visto, repetidamente, no noticiário são agressões físicas de alunos a professores, dentro das escolas, e, mais preocupante ainda, agressões físicas de pais, mães, e outros parentes de alunos aos professores.
Na minha opinião isso não indica uma falência das escolas, reflete uma falência da sociedade como um todo. Em primeiro lugar, uma falência dos pais. Sim, dos pais. Que não ensinam mais aos filhos o respeito ao próximo. Porque isso, apesar de ser uma coisa que se leva toda a vida aprendendo, se aprende primeiro em casa.
(Respeito ao próximo não significa obrigação de aceitar as opiniões do próximo. Eu fui criado, e junto com minha mulher, que também é assim, tentei passar isto para meus filhos, para não aceitar passivamente uma opinião de ninguém sem examiná-la e questioná-la à luz do conhecimento que eu já tivesse a respeito do assunto. Isso me levou a ter muitas discussões com professores, do grupo escolar à universidade. Estive certo algumas vezes, errado noutras. Com todas elas aprendi mais um pouco. Para mim, eram coisa normal, faziam parte de estar na escola. Mas, tanto quanto posso me lembrar, creio que nunca deixei de respeitar, no meu comportamento, a relação professor / aluno dentro da sala de aula. E nem depois, passando para o outro lado, nos muitos anos em que dei aulas e treinei pessoas).
Em qualquer relação de convivência, seja na escola, no trabalho, no esporte, na rua, em qualquer tipo de sociedade, é preciso haver uma coisa que se chama "civilidade".
Uma palavra que se ouve pouco hoje, e que muita gente que gosta de falar em liberdade, em direitos e em cidadania desconhece. Vem do latim "civilis", que significa "próprio do cidadão". "Cidadão", por sua vez, vem do latim "civitas", cidade. É aquele que vive numa cidade. E é do ser cidadão que vem a palavra cidadania.
Civilidade, então, significa o comportamento próprio de uma pessoa que vive numa cidade, quer dizer, a maneira como deve se comportar alguém que não vive isoladamente, vive perto de outras pessoas. É ela que faz com que as pessoas consigam viver numa sociedade. As civilizações existem porque as pessoas vivem em sociedade. O progresso existe porque as civilizações existem. E a cidadania tanto tem direitos quanto deveres. Uma coisa não existe sem a outra. Senão a conta não fecha.
A civilidade pode ser definida, de maneira simples, como o respeito pela pessoa do outro. E a sua regra mais básica, mais essencial, do respeito pela pessoa do outro não tem nada a ver com hierarquia, com autoridade, com posição. Ela diz simplesmente "Não faças aos outros o que não queres que te façam". Ou, de outra maneira, "Trate o outro como você gostaria de ser tratado". É simples assim.
Mas se é tão simples, porque os pais já não conseguem ensinar aos filhos o respeito ao outro? Talvez porque a vida moderna venha tornando isso mais difícil? Porque eles têm menos tempo para passar com os filhos e assim acham que podem delegar à escola esta parte da sua formação? Ou, talvez, porque eles mesmo respeitem menos o próximo?
Eu acredito nesta última razão. E acredito porque a maneira de se ensinar a civilidade não é falando dela, é pelo exemplo. É vendo a maneira com que os pais tratam um ao outro, os filhos, os que estão perto e os que não estão tão perto, que os filhos aprendem a fazer o mesmo. Não adianta pregar uma coisa e e não fazer o que se prega, as crianças não são burras, elas percebem muito bem como agimos. E o que elas veem?
Veem os pais dentro de uma sociedade onde se diz uma coisa e se faz outra, onde a pequena corrupção (aquela do jeitinho para resolver os problemas imediatos do indivíduo, das carteiras de estudante compradas fraudulentamente para pagar meia entrada, do parar o carro em qualquer lugar porque "é só um instantinho, não vai atrapalhar ninguém", das redes de aviso das blitzes da lei seca nos celulares, da venda de recibos falsos por profissionais para diminuir o imposto de renda dos outros, e de tantos outros exemplos), onde tudo se torna aceitável porque "não faz tanto mal assim, os políticos roubam muito mais", vai tomando conta, onde a violência nas ruas se torna cada vez mais gratuita e os assaltantes matam os assaltados para mostrar ao público que não se deve resistir a eles, ou simplesmente porque não se incomodam mais com isso, e porque sabem que provavelmente não serão presos e condenados. Uma sociedade onde o povo já não respeita a classe política porque ela não respeita o povo que a elegeu. Mas onde o mesmo povo reclama da grande corrupção e acha natural praticar a pequena.
Como vamos querer que eles ajam com civilidade? Como vamos querer que se tornem cidadãos?
Se não souberem viver em sociedade, a sociedade vai falir. Quando uma sociedade cresce, ela só tem dois caminhos: civilização ou barbárie. Que eu saiba, ainda não conseguiram descobrir outro.
O link para o artigo da Rosely está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1161476-opiniao-camera-em-sala-de-aula-e-um-atestado-de-falencia.shtml
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