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12/09/2019

Do outro lado do rio

fotografia Moacir Pimentel

 Moacir Pimentel

Assim como Londres nunca foi só uma cidade, mas uma série de enclaves distintos, John Donne jamais foi apenas um poeta metafísico; também escreveu tórridos poemas de amor. Pensando nesses contrastes, depois de se visitar a Catedral seguimos em direção ao rio onde, embora a modernidade esteja abrandando a histórica paisagem, a cidade continua sendo uma colcha de retalhos, do velho e do novo, de muitas identidades, cada qual com suas próprias tradições e lealdades.

Hoje, depois de São Paulo, seguiremos em linha reta e atravessaremos o rio parando no meio da Ponte Millennium para contemplar as águas chicoteadas pelo vento invernal e dar um derradeira espiada de adeus à velha Catedral.

Do outro lado do rio mora outro Museu, o Nacional Britânico de Arte Moderna, mais conhecido como Tate Modern, um dos mais visitados do mundo, superando outros modernosos como o MoMa de Nova York e o Museu Reina Sofía de Madri. Em um piscar de olhos se vai de Donne à Londres mais contemporânea, apresentada em uma escala épica.
O acervo permanente da Tate Modern, reunindo obras de arte inventadas desde o ano de 1900 até a atualidade, é um dos mais completos do mundo. Trabalhos da maioria dos artistas mais relevantes do século XX, como Pablo Picasso, Andy Warhol, Salvador Dalí e Mark Rothko, moram no terceiro e no quinto andar do prédio de uma antiga usina, enquanto que as exposições temporárias rolam ou no quarto andar ou no átrio principal, o imenso e cavernoso vão central de nome Turbine Hall que antigamente abrigava as turbinas da central elétrica. Da última vez que estivemos na Tate uma das três exposições de plantão era protagonizada pelos trabalhos da arquiteta Zaha Hadid. 
fotografia Moacir Pimentel

Mesmo para os que não são amantes de arte moderna, a Tate Modern é um programa imperdível, pela privilegiada localização, pela arquitetura, pelas belas vistas que nos oferece gratuitamente do rio, do teatro Globo – veja na foto acima o prédio branco com telhado de palha - da Ponte Millenium e da Catedral.
Foi ali que fui apresentado à gigantesca e pavorosa aranha de aço de nome “Maman” – nossinhora! - da artista franco-americana Louise Bourgeois. A Maman foi feita sob encomenda para a abertura da Tate Modern na virada do milênio e é tão grande que só pode ser instalada ao ar livre ou dentro de um edifício de escala industrial. Suportada por oito pernas esguias e nodosas, o corpo do aracnídeo fica suspenso acima do solo, permitindo que o espectador ande por baixo de um saco de malha de aço contendo dezessete ovos de mármore branco/cinza que brilham contra a escuridão do interior do corpo do bicho e pairam pendurados sobre a pobre cabeça do observador, de quem se espera que desenvolva um sentimento de empatia em relação à maternidade. Complicado! (rsrs)
Louise Bourgeois - Maman - fotografia de Matt Stuart em Londonist.com

A alguns metros de toda essa modernidade, no entanto, mora a réplica do Teatro Globo, do qual Shakespeare foi um dos sócios. Mas antes de chegarmos ao lendário palco elisabetano, peço licença para contar-lhe uma desimportante mentira turística.
Explico: na primeira foto ao alto da montagem abaixo, espremida entre um predinho de tijolos e o Teatro mora uma casinha de nada, estreita e alva como o fog inglês, dessas de porta e janela e entre elas uma placa avisando que ali pernoitou , na sua primeira noite na cidade e rodeada de tavernas e bordéis a futura esposa do rei Henrique VIII e então princesa de Espanha Catarina de Aragão (rsrs)
fotografias 1, 3 e 4 de Moacir Pimentel / fotografia 2  de Sourav Niyogi, Wikipedia

Como se não bastasse tão cabeluda mentira, a placa ainda jura de pés juntos que ali viveu, durante a construção da Catedral de São Paulo, o badalado arquiteto Sir Christopher Wren. É claro que quando a casa foi construída fazia tempo que a igreja já havia sido consagrada!
Apesar da evidente cara de pau da plaquinha, é graças a ela que a estrutura original da velha casinha, uma resistente mistura dos tijolos de estilo rainha Ana com um bocado de gesso vitoriano, ainda está de pé. E de repente a gente sente vontade de fazer um desejo, como a Virginia Woolf tão pungentemente fez, querendo ouvir mais uma vez o autêntico e não editado e/ou traduzido “som do passado”. Quem efetivamente viveu naquela casa?
Pode apostar que, seja lá quem tenha sido, falaria com o carregado sotaque dos pescadores do sul do Tâmisa que, com certeza, invadiram aquelas paragens enriquecidos que foram pela Igreja Católica quando suas santidades decidiram que às sextas-feiras e nas Quaresmas as suas ovelhas só poderiam comer peixe (rsrs)
E depois para onde ir? Pulando o Teatro, porque ele será outra conversa, que tal dar uma passada no Borough Market bem ao lado?
fotografias Moacir Pimentel

Trata-se do mercado com os produtos frescos – legumes, verduras, frutas, carnes, frutos do mar e peixes, queijos e doces – mais disputados da cidade. Vale a pena tomar por lá o café da manhã. Ou quem sabe não seja uma boa ideia calibrar a fome para almoçar no Café do Museu do Design?
Trata-se de um grande edifício, mas maiores ainda são as filas para ver os insignificantes territórios das exposições. Os visitantes transitam espremidos em pequenos espaços, como a loja de souvenirs, ou olham sem entender nada para o átrio desnecessariamente grande, só que vazio, ou se arriscam na missão inglória de subir todas as escadas que levam do nada para mais nada.
Esquerda: fotografia de Harry Wood in Wikipedia – Licença Creative Commons 4.0 / Direita: Moacir Pimentel

Pense em um museu mal concebido! O conjunto da obra não cumpre o seu objetivo principal de inspirar e educar as pessoas sobre o design. Mas a localização do Café e a vista da janela nos faz relevar o seu inegável pecado: trata-se de um museu de design onde o uso do espaço não faz sentido (rsrs)
Da próxima vez, talvez para aliviar um pouco a visão desse estranho museu, vamos conversar com os nobres leões de Londres...


08/09/2019

Aridez de terra seca




Ana Nunes

Já são meses sem chuva. Entressafra de tempo molhado, de água mágica que brota em nuvens escuras no céu antes azul. Não chove nada.

Persigo a previsão do tempo na televisão, no INPE do IPad e a previsão dos conhecidos... à procura da chuva! Chove torrencialmente em São Paulo, meu filho me conta, chove no Sul, meu amigo me disse, e me lembrou das galochas do passado. Chove no Rio, minha irmã sabe disso. As frentes frias sobem e vão se gastando antes de chegar aqui.
Sinto saudade!
Da chuva mansa de lavar delicadamente ares e flores. Essa chuva delicada no cinza que a cerca,  arrepia minha alma e apazigua meu coração.
Da chuva tempestade. Que borra a paisagem, mistura de cinza escuro o céu, as montanhas e as casas. Chuva duradoura que encharca os morros que deslizam sobre os homens. De granizo e trovão e raios afiados. Essas são perigosas. Trazem sempre más notícias. Elas também enchem os rios que bravos saem de seus caminhos apertados, sobem pelas margens e pelas pontes cegos de fúria com o tempo molhado. São injustos na perseguição às gentes ribeirinhas.
Mas continuo na mesma a gostar delas também, aconchegada no meu abrigo seguro. E com o coração cheio de culpa me dizendo que não posso gostar delas. E fico confusa. E quase choro nas imagens da tv.

Gosto da chuva que faz barulho no toldo e escorre pelos vidros da janela. Imito Bilac e acordo para ouvi-la. E volto a dormir, sorrindo mesmo, embalada pela música.
Se dia meio claro meio escuro, olho pela janela a cascatinha quase espuma junto ao meio fio. Esse riacho arrasta meu pensamento e quase entendo tudo.
Respiro o cheiro bom de terra molhada. Mesmo que seja só nuns quadradinhos pequenos onde, com tão pouco, crescem árvores generosas. E com desdém pelo pequeno espaço dão sombras verdes e colorem a rua barulhenta. Às vezes até perfumam como o jasmim debaixo da janela.
O passarinho gordinho e marrom balança e balança no galho verde que balança com a chuva. Brincadeira de zanga-burrinho da minha infância. Depois de muito brincar sacode as penas para secar e ficar quentinho.

As ruas se colorem de guarda-chuvas listados, de flores ou de bolinhas. O meu é grande e xadrez verde e vermelho (comprei em Portugal...) e saio por aí trombando com os outros e sorrindo feliz. Já falei que sou um pouco planta e fico viçosa nesse caminhar molhado.

Aqui perto de mim, um jardim grande corre junto às janelas e as garagens até chegar ao muro. Nesse verde inesperado vive uma palmeira, comigo desde o começo dos tempos desse lugar chamado casa. Somos contemporâneas. Ela cresceu muito, muito, acima dos três andares e balança perigosa no vento forte que precede a chuva. Vai cair um dia desses. Ah vai, se não for cortada. Que pena!
Tem palmeira pequena e Coroa de Cristo.
Tem manacá arbusto e baixinho que se cobre de flores miúdas e coloridas para agradecer a chuva. Tem uma grama grande verde que cresce afoita e selvagem depois da  água abençoada e perfuma de tons verdes o ar no corte barulhento da máquina. Estamos todas esperando ansiosas pela chuva que tarda e tarda. Nem adianta acordar e primeiro de tudo olhar o céu para saber notícia. Vejo até nuvens, doce esperança! Chuva mesmo, nenhuma uma gotinha!

Nesse impacto natural da natureza mesma percebo, de repente, que um verde meio amarelado e seco se agita agradecido, e já prepara as cores da primavera verão.
E me assusto porque é quase Natal!



04/09/2019

A viagem dos descobrimentos

Acervo pessoal. Francisco é o terceiro da esquerda para a direita.


Francisco Bendl
Viver é descobrir-se diariamente.
Cada dia traz uma lição nova, experiências diferentes, e vamos montando o nosso caleidoscópio da existência.
Mesmo as viagens de passeio ou turismo ou negócios ou por necessidade ou por serviço, a gente descobre algo inimaginável, jamais pensado, e que nos surpreende.
Ao dar baixa no Exército depois de quatro anos servindo a Pátria, na década de sessenta, decidi que viajar seria um trabalho onde eu ganharia mais, pois casado recentemente e a esposa à espera do primeiro filho, o meu soldo como Cabo da Polícia do Exército era justo, eu queria propiciar algo mais do que uma vida segura, eu queria conforto, carro, casa própria, que a minha mulher tivesse aquilo que quisesse!
Após dez anos viajando pelos estados do RS, SC, PR, SP, RJ, percorrendo mais de cem mil quilômetros por ano (!!), concluí que eu não ficaria rico ou tampouco obteria a qualidade de vida que eu imaginara para mim e família – nessas alturas tínhamos três filhos-, porém eu conseguia apenas sustentá-los condignamente.
Em contrapartida, a minha experiência como vendedor-viajante, as viagens constantes e carros sendo trocados a cada ano, me deixaram achando que eu era o tal, que eu já vira de tudo, que não precisava mais ver nada – aquelas bobagens que se abatem sobre o adulto jovem, que se julga conhecedor da vida.
Mas, enquanto a maioria dos meus amigos gostava de pescar, alegando ser uma terapia, descanso, teste de paciência, acampamentos à beira-rio ou em alguma casa na orla marítima, comendo churrasco e bebendo cerveja aos fins de semanas, eu ficava em casa, cansado das idas e vindas semanais e perto da mulher e filhos.
Na condição de gerente de uma empresa nacional poderosa, eu me defrontava com compradores que eram perdidamente apaixonados pela pesca!
Eu não poderia dizer o mesmo.
Mas, percebi que a minha função também tinha o componente “social”, de ser atencioso com um ou outro cliente além do horário de expediente em dias da semana.
Eu precisava ser mais observador quanto aos seus gostos e preferências, e tirar um certo proveito de forma positiva.
Havia um comprador que me adquiria carretas – assim mesmo, carretas de três eixos – de mercadorias a cada quinze dias, pois a indústria que eu fornecia o material era a maior da... América Latina!
Logo, eu que o atendia e não o  vendedor, sendo que eu teria de sair do meu conforto para dar-lhe uma atenção especial, tanto pela sua função quanto para manter as vendas da empresa que eu gerenciava no Sul.
O cara era “fissurado” em pescaria, repito.
A sua empresa era no interior, longe de grandes rios e mais distante ainda do mar.
Mais o comprador dava banho em minhoca, que pescar alguma espécie de peixe comível, que se pudesse fritá-lo.
Um belo dia, após uma venda espetacular, a maior que a minha indústria havia vendido na sua história (!!), resolvi atender-lhe o desejo, que seria pescar em uma praia de mar.
Não uma praia qualquer, mas em um dos santuários gaúchos de preservação ambiental e ecológica, denominado Lagoa do Peixe!
O local que eu vira nas revistas e de relatos de quem já havia pescado na lagoa era de um paraíso, a natureza ainda intacta, e longe dos curiosos.
Não havia estrada.
Só se chegava à localidade pela praia.
Se fosse pelo asfalto, teríamos de ir até Mostardas e andar de carro por dentro da Lagoa dos Patos – na verdade laguna –, com a água batendo na porta do carro e adivinhando o caminho para não afundar, de modo a se chegar ao éden após cinco horas de viagem, imaginando que o carro também poderia ser anfíbio ou, melhor, um submarino, lá pelas tantas!
Logo, a decisão do grupo de aventureiros de cinco corajosos desbravadores foi a ida pela praia, a traiçoeira costa do litoral gaúcho, conhecida como “cemitério de navios”, em razão do mar revolto e enormes tempestades, cuja maré subia até as dunas, distantes cerca de duzentos metros da beira do mar (a foto mostra nitidamente o quanto eu era senhor da natureza, um tarzã gaúcho, que se sentia poderoso, invencível)!!
Acervo pessoal

A última praia que existe no litoral gaúcho, antes de São José do Norte é Quintão.
A gente sai de Porto Alegre por Viamão, depois Pinhal, e vem Quintão, cento e quarenta quilômetros aproximadamente por asfalto.
Desta praia até a Lagoa do Peixe são MAIS DE CENTO E SESSENTA QUILÔMETROS DE AREIA E MAR!!!
Saliento vários perigos:
Os pequenos arroios que são feitos pela água da chuva escorrendo da mata, que formam degraus de até um metro. Quando se percebe pode-se estar em cima, e aí é tarde, o carro vai de bico para o valo;
Quando a onda sobe, deve-se esperá-la descer, caso contrário a correnteza quase tão forte quanto subiu, pode apagar o motor do carro, então adeus veículo;
Jamais andar pela beira da praia, apesar de ser melhor que asfalto. As ondas não são iguais, e uma delas pode avançar e bater no carro com força, apagando o motor e afundando o veículo quase que imediatamente. A revista Quatro Rodas perdeu uma Parati – reportagem com fotos – dessa maneira, percorrendo esse trajeto pela beira do mar, até vir uma onda e acabar com o passeio;
JAMAIS, em circunstância alguma, DEVE-SE VIAJAR PELA PRAIA À NOITE, ainda mais quando não se conhece o trecho!!!
Os olhos se embaralham; a paisagem é sempre a mesma, areia; menos ainda se percebe os arroios; a maré pode chegar no carro sem que se dê conta; não se sabe onde entrar quando se chega no destino programado (podem acreditar quando falo, porque eu, desde pequeno, dominava o mar)!
Acervo pessoal

A bordo de uma Kombi cabine dupla, movida a óleo diesel, porém com interruptor deixando a ventoinha que refrigerava o motor permanentemente ligada, com mais de trezentos quilos de tralha, entre câmara de gelo, barraca, alimentos, bebidas, lampiões, baterias, roupas, toalhas, chapéus, máquinas de fotografia, EU DE MOTORISTA, que vinha conduzindo o veículo emprestado de uma fábrica para esta legítima aventura desde a serra gaúcha, com saída às seis da manhã, cheguei em Quintão ao meio dia!
Calculei uma média de velocidade na praia em torno de trinta quilômetros por hora.
Se houvesse algum problema chegaríamos perto das sete da noite, onde no RS à época em que fomos o sol ainda está alto, pondo-se perto das nove da noite!
Enchi o tanque de diesel, mais um recipiente de cinquenta litros para se ter combustível ao voltar, claro, e nos pusemos a caminho para a grande aventura e rumo ao desconhecido!
Cerca de vinte, trinta km depois, o fabuloso Farol da Solidão, imponente, majestoso, iluminando os caminhos do mar para navios não se aproximarem da costa (não me peçam por fotos, explico: não se podia perder tempo, pois havia o receio de se pegar noite na praia, dificultando sobremaneira chegar na Lagoa, então tínhamos de seguir em frente).
Com a viagem avançando, vimos pela primeira vez o albatroz nacional(!). Não temos esta ave, mas existe o João Grande. Com um metro e oitenta de envergadura, mais de um metro de altura, a ave é maravilhosa, típica do RS, e que precisa tomar embalo para voar.
João Grande (imagem Wikimedia Commons)

Uma ou duas horas depois, encontramos na beira da praia duas imensas circunferências de vidro, cobertas por uma rede grossa, como se fossem uma boia. De tão grandes, não houve como trazer uma, pelo menos, pois ocuparia muito espaço no carro, e queríamos trazer PEIXES!!!
Como eu previra, muitos arroios, que me exigiam atenção permanente.
Aviso aos navegantes:
Muito andei de caminhão pela praia, nos antigos Ford F-600, a gasolina!!!
Aprendi que não se pode andar na areia com o carro com pouco giro de motor, pois se fica atolado, ou seja, muita marcha é feita, dezenas de reduzidas, e sem medo de se chegar no máximo, para depois trocar por uma mais alta, mas sempre atento às mudanças para marchas mais baixas, de mais força e menos velocidade.
Apostei, logicamente, que eu não atolaria a Kombi nenhuma vez neste longo percurso pela praia, em face da minha experiência.
Portanto, a minha primeira análise quando entrei na praia foi verificar a altura do mar:
Se estava alto, e perto das dunas ou baixo, com uma larga faixa de areia antes da água.
Porquê?
Porque com o mar baixo, eu andaria por areia solta, que segura o veículo, obrigando o motorista a andar sempre com força, isto é, lento, mas com o carro em marcha adequada,  segunda ou terceira, considerando que a Kombi tinha apenas quatro, e sem medo algum de se colocar primeira mesmo que o motor gritasse, de modo a não parar nesta ocasião, pois não se sai mais, atola-se. Mas não me preocupava, porque, como podem ver, desde a tenra idade eu era um piloto extraordinário e motorista inigualável!!
Acervo pessoal

O mar estava baixo, sinal de que eu teria de gastar mais combustível que eu imaginara, pois teria de andar em terceira e segunda na maioria do percurso.
Mas NÃO ATOLEI UMA VEZ SEQUER!!
Continuando:
Após mais de cem quilômetros rodados, a vista cansada, os braços doendo de tantas mudanças de câmbio, perna esquerda reclamando da quantidade de embreagens praticadas, o primeiro grande impacto, que nos deixou literalmente de boca aberta.
Escrevi acima, que o litoral gaúcho é denominado de “cemitério de navios”.
Pois estava à nossa frente, a cerca de cem metros da beira do mar, um esqueleto de um navio de porte!
Apareciam duas colunas que partiam do convés, como se fossem do próprio mar, uma beleza e imagem ao mesmo tempo triste, pois imaginamos o desespero dos marinheiros quando o navio encalhou, e no meio de uma tempestade!
Mais adiante, outra carcaça de um navio menor, mais perto da praia.
Mais um pouco, e nos demos de frente com enormes buracos na beira da praia!
Largos, profundos, cerca de um metro e meio, pois a água do mar invadia rápido, um pescador de... siri!!!
A carne é uma especiaria, que se faz pastel e se come rezando!
Mas, o bicho tem tão pouca “carne”, que se precisa mais de mil siris para dar meio kg desta saborosa iguaria!
Em frente ao mar, cem metros em direção às dunas, protegida por um desses morros de areia, a casa do pescador ou caçador de siri, na verdade um casebre.
Levou-nos até ela para nos vender o que havia conseguido nos últimos dois dias.
Se, por fora, o “lar” era modesto, dentro só havia uma geladeira, mesa e cama.
NO ENTANTO, o esperto caçador/pescador enquanto tentava encontrar siri, o cara achou UMA SEREIA!!!
A mulher do moço era qualquer coisa de se jogar no mar e segui-la até Netuno!
A mim pareceu que era a última sobrevivente da sonhada Atlântida, pois a mulher era mesmo um sonho, e picante!!!
Bom, compramos o que ele tinha de siri, e tratamos de continuar a nossa viagem.
Os comentários foram os mais variados e exóticos possíveis, evidente, após a visão daquela sereia e de que elas existiam, verdadeiramente!
E, chegamos a conclusão - hoje quase impossível -, de que o amor é mais importante que dinheiro, carro, posição social, nada desse mundo metido a desenvolvido.
Bastava o cara conseguir alimento, ter uma cama, geladeira e mesa, uma choupana à beira do  mar e, eis a felicidade!
Uma mulheraça ao lado para se descobrir os segredos do sexo, sem enormes espaços para trabalhar, pagar contas, pedir empréstimos, financiamentos, a natureza em contato íntimo com o casal e, ele e ela, fazendo parte deste espetáculo de amor a todo o instante e jeito!!!
O paraíso era aqui, e não mais a Lagoa do Peixe.
O cara deveria ser o Adão da Nova Era e ela a Eva, maravilhosa.
E com uma vantagem enorme sobre o casal original:
NÃO HAVIA MACIEIRAS (antes que me perguntem como que havia esta geladeira, se não tinha luz onde o esperto e felicíssimo rapaz morava, o eletrodoméstico era a querosene)!!!
No entanto, faltando uns trinta a quarenta quilômetros para se chegar à lagoa, seis horas da tarde, aproximadamente, vivemos um momento tão incrível, tão inédito, que foi como a mesma  surpresa de Charlton Heston, no primeiro filme O Planeta dos Macacos quando, no fim, ele com a moça na garupa do cavalo fugindo pela praia, dá de frente com a estátua da Liberdade enterrada até o peito, lembram?!
Foi um impacto para a plateia.
Pois bem, no local onde se colocam os guarda-sóis, perto da praia, onde a maioria das pessoas se instala quando vai tomar um banho de mar e leva os filhos, ENCALHADO NO MESMO CAMINHO POR ONDE EU TRAFEGARIA COM A KOMBI, um monumental barco-pesqueiro.
Acervo pessoal

Sou o primeiro, da direita para a esquerda ou o último da esquerda para a direita.
Imaginamos várias situações:
A tempestade enorme que este navio enfrentou para encalhar na praia;
O terror da tripulação;
A força da correnteza que jogou o barco na praia, onde as pessoas ficam, os carros trafegam...
Um espetáculo deslumbrante e ao mesmo tempo apavorante!
E se um toró desses acontece conosco na lagoa, que desemboca no mar?
E se acontecer à noite, tornando a nossa saída mais ainda problemática??!!
Afastamos nossos pensamentos ruins, e seguimos em frente depois de algumas fotos, pois vá que esse navio não esteja mais na praia no retorno???!!!
Sabe-se lá!!!!
Bom, encurtando a história:
Chegamos às sete horas da noite;
Encontramos o local da entrada facilmente;
Havia umas casas de pescadores residentes no local;
Uma delas, vazia, nos alugaram para a noite de quinta, sexta e sábado inteiros e sairíamos no domingo cedo da manhã.
Havia na casa de um deles, MAIS DE DUZENTOS QUILOS DE CAMARÃO, armazenados para vender na cidade de Rio Grande, outros cento e sessenta quilômetros adiante, rumo ao Sul.
À noite foi então coroada com um macarrão e camarão, e comemos até onde foi possível.
Na sexta e sábado se pescou peixe-rei, sardinha, corvinas, o delicioso e belo papa-terra.
No domingo compramos cem quilos de camarão, e retornamos para casa!
A viagem foi mais fácil, pois eu conhecia o caminho e as manhas do mar da região.
O feliz caçador/pescador de siri não estava na praia, e não ousamos bater na sua casa e importuná-lo indevidamente, consideramos.
Ao relatarmos a aventura, o que tínhamos visto, as emoções pelas paisagens inéditas, aves, carcaças de navios, até mesmo o exemplo da verdadeira felicidade com a situação do rapaz vivendo com uma sereia sem maiores compromissos, ouvimos de um “invejoso”, que exagerávamos, que estávamos fazendo tempestade em copo d’água!
Foi quando o comprador, que jamais tivera tantas emoções na sua vida de cinquenta anos de idade, exclamou:
- Bah, che, tempestade em copo d’água é pouco; fizemos dilúvio em tampinha de xarope!


01/09/2019

Do museu à catedral

fotografia  Moacir Pimentel



Moacir Pimentel
Certa vez, em uma carta para Frank Doel, Helene Hanff escreveu sobre o seu imenso desejo de visitar a Catedral de São Paulo e o Museu Britânico em Londres. De fato a belíssima catedral, cujo mais famoso deão foi o poeta John Donne, é imperdível mas hoje, antes de conversarmos sobre ela, daremos um rápido passeio pelo Museu Britânico, pensado e fundado em meados do século XVIII como um museu do povo, da nação, não mais do rei George II ou dos poderes eclesiásticos. Desde então ele tem estado gratuitamente aberto ao público e sido constantemente enriquecido, transformado e expandido para tornar-se um símbolo e um emblema da cultura contemporânea.
Não se pode ir a Londres sem pelo menos contemplar e fotografar, do lado de fora, o frontispício construído na década de 1850, decorado com esculturas que ilustram o que os visitantes do século XIX encontrariam lá dentro. Tais frisos esculpidos, geralmente encontrados nos templos, eram uma característica da arquitetura grega antiga, tinham a forma de um triângulo e eram povoados por esculturas e relevos, que refletiam o propósito do edifício.
Sim, o Museu Britânico foi projetado em estilo grego, com direito ao frontão e às colunas e às estátuas na sua entrada sul cujo tema é o progresso da civilização. A versão vitoriana do conhecimento humano é narrada da esquerda para a direita desse friso que inaugura o post, no qual o homem emerge ignorante de uma rocha, encontra o próximo personagem, um anjo segurando a luz, aprende habilidades básicas, como cultivar a terra e domesticar os animais e, em seguidinho, conhece mais oito figuras míticas que representam a arquitetura e a escultura, a pintura e a ciência, a geometria e o teatro, a música e a poesia. A figura humana ressurge no final, no centro da cena, como um homem educado e apto para entender e dominar o mundo ao seu redor.
Mas bem ali do lado de fora quem resiste a entrar nem que seja para dar rapidamente uma espiada no teto fabuloso de aço e vidro do átrio central desse museu?
fotografia Moacir Pimentel

A maior parte do acervo do Museu foi adquirida na primeira metade do século XIX, uma época imperial na qual mais e mais povos e terras terminaram sob o controle britânico. Aquele também foi um período de incrível curiosidade e avanços em muitas áreas diferentes, incluindo ciência, tecnologia e história. A força militar e econômica do país permitiu que os colecionadores privados e o próprio governo reunissem artefatos de muitas das principais civilizações do mundo, como peças indianas e egípcias, mármores gregos, estátuas da Mesopotâmia, tesouros maias, máscaras astecas, ouriversaria persa e outros itens culturais hoje expostos no Museu.
Todas essas coisas contam histórias que se entrelaçam, nos fornecendo uma explicação de como o mundo veio a ser esse em que vivemos. Esse é um museu para todos, o turista, o estudante, os meninos curiosos pois possui artefatos considerados fundamentais para a compreensão dos usos e costumes das civilizações antigas.
São particularmente notáveis os escombros do Mausoléu de Halikarnassos, uma das sete maravilhas do mundo antigo, desenhada por arquitetos e adornada com relevos e estátuas de famosos escultores gregos, com ênfase para as esculturas do casal real Mausolo e Artemisia e de um fabuloso cavalo nele sepultados (rsrs) Note que o termo “mausoléu” que hoje é usado genericamente para qualquer grande e/ou suntuosa tumba teve origem no nome do rei Mausolo.
Não se pode deixar de conferir a estatueta dos Amantes de Ain Sakhri, a mais antiga representação conhecida do amor físico humano, o tesouro de Cartago, o friso de nome Estandarte de Ur escavado de um cemitério ao sul de Bagdá, o Cilindro de Ciro, o Grande, de argila e datado do século VI a.C, no qual mora um texto em grafia cuneiforme acadiana, interpretado como uma pioneira declaração de direitos humanos e um exemplo de multiculturalismo.
Porém a Pedra de Roseta é, indiscutivelmente, a atração mais visitada do museu. Trata-se de um fragmento de uma estela do Egito Antigo. A palavra grega “stela” significava “pedra levantada” e, na arqueologia, designa objetos de pedra nos quais eram gravados textos e esculturas em relevo. A razão de ser desses monólitos era comunicar um determinado significado simbólico: funerário, mágico-religioso, territorial, político. A civilização maia foi revelada através da decodificação das várias estelas que nos legaram e são fascinantes aquelas encontradas no Baixo Alentejo e no Algarve, na t’rrinha, com inscrições ainda por decifrar.
Dois séculos antes do Cristo alguém ou alguéns gravaram numa pedra um texto de três parágrafos. Não se sabe como ou quando exatamente, a pedra foi reaproveitada na construção de um forte na cidade de Roseta, no delta do rio Nilo que, em 1799, foi ocupado pelos soldados de Napoleão.
As inscrições na Pedra de Roseta foram, em seguida, notadas por um soldado francês e logo despertaram grande interesse dos arqueólogos, linguistas e acadêmicos europeus pela possibilidade que ofereciam de decodificação dos hieróglifos egípcios, até então indecifrados. Sucede que, no meio tempo, tropas britânicas derrotaram os franceses no Egito em 1801 e a Pedra acabou sendo confiscada e levada para Londres onde mora desde 1802.
Somente vinte anos depois os textos foram decodificados pelo francês Jean-François Champollion, que percebeu que os dois últimos textos eram traduções do primeiro e que tratava-se de um decreto do rei Ptolomeu V, cujo nome aparecia em todas as versões sendo que a de cima fora escrita na forma hieroglífica do egípcio antigo, a do meio em demótico e a de baixo em grego castiço. A palavra Ptolomeu, portanto, foi a chave através da qual Champollion quebrou o código, decifrou os hieróglifos e desvelou a cultura egípcia para o mundo.
No entanto devo confessar que, na minha humilde opinião, nesse museu os mármores são imbatíveis.
Mármores de Elgin no Museu Britânico - imagem Wikipédia 

Ainda que sejam espetaculares as coleções de estátuas gregas do Louvre e do Vaticano, moram no Museu Britânico cerca de trinta por cento das esculturas e frisos e relevos do Partenon da Acrópole de Atenas, feitos por e/ou sob a supervisão do arquiteto e escultor grego Fídias. A questão de onde as esculturas do Partenon devem ser exibidas está nas barras dos tribunais. O Museu Britânico jura de pés juntos que elas lhe pertencem legalmente, enquanto o governo grego acredita que elas deveriam ser devolvidos porque os tesouros culturais de civilizações antigas pertencem aos lugares onde nasceram. Tomara que a Grécia os recupere um dia.  
A coisa mais surpreendente nesse museu inglês não é tanto a incrível riqueza de seu acervo mas sim a vastidão histórica contada por ele, através de épocas e continentes, esculturas e artesanatos, idiomas e expressões idiomáticas, ferramentas cotidianas, pinturas, mármores, tecidos, gravuras e até templos e tumbas reconstruídos. O Museu Britânico também não é apenas sinônimo da História, é, com efeito, um manifesto da riqueza oferecida pelo conhecimento do passado.
Panorama do salão de leitura do Museu Britânico - imagem Wikipédia

Como atesta a sua famosa Sala de Leitura, que Helene Hanff sonhava visitar e usar assim como fizeram um grande número de escritores notáveis, da estirpe de Oscar Wilde, Bram Stoker, Rudyard Kipling, George Orwell, George Bernard Shaw, Mark Twain, Virginia Woolf, Arthur Rimbaud, H. G. Wells e Sir Arthur Conan Doyle.
E agora, saindo do Museu, que tal conversarmos um pouco sobre a Catedral de São Paulo?
fotografia Moacir Pimentel

Sim, podemos caminhar os poucos quilômetros que separam o Museu da Catedral, mas o tempo é curto. É mais sensato seguir para a estação de metrô mais próxima, a de Tottenham, para pegar o “tube”, desfrutando o cheiro sempre tentador vindo do carrinho de cachorros quentes cobertos de cebolas grelhadas bem ali em uma das esquinas do Museu.
É relaxante observar tantas coisas que não fazem parte de nossas vidas: os prédios, as lojas, os ônibus vermelhos, os motoristas nos bancos dos passageiros, as íngremes escadas rolantes até a plataforma do metrô e sentir a lufada de ar quente que chega com o trem e exige que a gente abra o casaco.
Após uma rápida viagem subterrânea - na qual são proibidos os contatos visuais entre estranhos (rsrs) – é revitalizante desembarcar perto da catedral e respirar o ar gelado. “São Paulo”, como é chamada pelos londrinos, mora em todo o seu esplendor histórico no alto da colina de nome Ludgate, quase à beira do Tâmisa. Dona História afirma que o monte, hoje rasgado pela famosa Rua Fleet, foi um cemitério romano. O endereço tem sido considerado terreno sagrado desde o sexto século após o Cristo, mas a imagem da obra prima do arquiteto Sir Christopher Wren silhuetada no horizonte da cidade é relativamente nova.
O Grande Incêndio de Londres, em meados do século XVII, foi uma oportunidade de ouro para Wren e ele aproveitou a tragédia para projetar uma grande quantidade de igrejas e monumentos interessantes. É bastante surpreendente que a Catedral ainda esteja de pé, uma vez que a área ao seu redor foi duramente bombardeada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Grande parte dos vitrais foi destruída mas a estrutura sobreviveu à Blitz praticamente intacta.
A construção de “São Paulo” começou e terminou durante o século XVII. Desde então, o prédio tem um significado especial para londrinos e turistas.
As imagens dessa cúpula são comumente associadas aos orgulho e força nacionais, embora ela pertença à uma igreja totalmente funcional com serviços diários. Porém de tudo que Christopher Wren idealizou e construiu nesse templo a Galeria dos Sussuros logo abaixo da bela cúpula da Catedral de São Paulo é a mais impactante.
São centenas de degraus que se tem que escalar para poder sussurrar de um lado e ser escutado claramente do outro. Será que ao estudar a acústica da Galeria, o arquiteto se lembrou daquela passagem do Antigo Testamento que fala de como depois de um violento vento, de um tremor de terra, de um incêndio finalmente a voz do Senhor sussurou na brisa suave?
A Galeria dos Sussurros da Catedral de São Paulo - imagem Wikipédia

Nunca saberemos. Mas quem leu o livro e/ou assistiu o filme 84, Charing Cross Road, sabe como era grande o afeto de Helene Hanff, não exatamente pelo templo, mas por John Donne, o deão poeta, lá sepultado. Nos disse ela:
“Um jornalista amigo meu, que viveu em Londres durante a guerra, certa vez me disse que os turistas vão para a Inglaterra com noções preconcebidas mas que sempre acham exatamente o que estão procurando. Eu retruquei que iria buscar a Inglaterra da literatura inglesa e ele disse: “Está lá”.
É claro que o amigo da moça tinha razão e que John Donne jamais será esquecido, especialmente depois dessas pretinhas da escritora :
“Ninguém que assiste televisão tem a menor ideia de quem John Donne foi, mas graças a Hemingway todos sabem que “nenhum homem é uma ilha”. Então eu o dramatizei em um roteiro e foi assim que John Donne apareceu no programa Hall da Fama e pagou por todos os livros que você já me enviou e mais cinco dentes. “ (rsrs)
Não, John Donne não será eterno apenas por causa daqueles sinos que dobram por nós, mas por todos os belos sermões que o deão poeta escreveu e articulou para seus fiéis bem ali do púlpito de São Paulo, um dos quais Helene nos presenteia no filme...
Não sei se, nesses nossos tempos escuros, estamos com essa “abertura” toda, mas bem que a nossa espécie tem tentado desde as cavernas pré-históricas. Onde, primeiro articulamos palavras, depois pintamos histórias nas paredes de pedra e finalmente, misturando os recém inventados códigos sonoro e pictórico, abstraimos pela terceira vez e inventamos a palavra escrita.

Helene desejava “ficar parada defronte do lugar onde John Donne pregava...” mas tal desejo não conseguiu realizar porque Londres não é mais aquela onde John Donne pregou. Nada mais resta do púlpito externo - chamado de “A Cruz de Paulo” - no pátio da Catedral gótica, porque ela foi totalmente destruída pelo incêndio de 1666.

Representação do "Teto negro" da Cruz de Paulo - CHASS - North Carolina State University

Donne fora obrigado a se ordenar deão pelo rei que, por causa de seus carisma e oratória, às vezes o convocava a pregar a seu favor (rsrs) Tanto que o mais famoso dos sermões desse poeta foi político e proferido no dia onze de novembro de 1622, que entrou para a história como o Gunpowder Day - o Dia da Pólvora. A pregação teve como objetivo tranquilizar o povo de Londres e convencer os puritanos ingleses de que o desejo do rei James I de casar seu filho Charles com a princesa espanhola Maria Ana, não significaria um retorno do catolicismo.

Mas já caminhamos bastante, melhor continuarmos o passeio na próxima conversa...