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| Maurice Utrillo - Montmartre |
Moacir
Pimentel
E aqui estamos nós de volta a um dos bairros parisenses mais icônicos e
sobrecarregados de mitologia turística: Montmartre, pintado por Maurice Utrillo
na tela que abre o post.
Por quê? Para conversar sobre sua história artística pois durante o
século XIX e ao longo do século XX modelos, bailarinas e pintores como Auguste
Renoir, Vincent van Gogh, Paul Cézanne, Edgar Degas, Henri de Toulouse-Lautrec,
Suzanne Valadon, Henri Matisse, André Derain, Maurice Vlaminck, Pablo Picasso,
Georges Braque, Marie Laurecin, Maurice Utrillo, Raoul Dufy, Amadeo Modigliani
e Salvador Dali e músicos como Erick Satie e escritores como Guillaume
Apollinaire trabalharam ou frequentaram ou moraram ou amaram naquelas paragens,
contribuindo para criar movimentos artísticos como o Impressionismo, o
Fauvismo, o Cubismo, e o Surrealismo.
Montmartre, no encontro dos séculos XIX e XX, é um capítulo fascinante
da História da Arte tão surpreendente e rico quanto o Renascimento e quem se
interessa por arte o conhece de telas, músicas, poemas e biografias mesmo antes
de lá pisar e, lá chegando, sempre experimentará uma sensação de “déjà vu”, de já ter assistido aquele
filme, de que o bairro é um velho conhecido.
Pudera!
Montmartre tem sido uma base, em um momento ou outro, para quase todos
os pintores e escritores famosos que viveram na França ao longo dos dois
séculos passados. E isso não é exagero! No final do século XIX, muitas mentes
brilhantes e criativas já tinham sido atraídas para aquela colina, para a “butte” como dizem os de lá. Na virada
do século XX, o bairro tornou-se o centro de toda a vida artística e
intelectual de Paris.
Sou um fã de carteirinha dessa esquina da cidade porque na colina de
Montmartre, além da alva Basílica do Sacré-Coeur que os parisienses acham feia,
se escondem muitos encantos: pequenos museus que tratam do romantismo ao
erotismo, lindas ruas calçadas de pedra, arte urbana, vistas de tirar o fôlego,
cemitérios povoados por belas obras de arte e até um vinhedo. Para não falar do
charme da arquitetura do lugar com praças encantadoras, igrejas pacíficas,
belas casas, subidas e descidas sinuosas e infindáveis escadarias. Perder-se
sem mapa e relógio nesse encantador pedaço de Paris, diferente de qualquer
outro, é uma maravilha.
Mas atenção!
Há que calçar sapatos confortáveis para enfrentar a colina, senão não se
tem pernas para alcançar a sensualidade que está por todos os lados só que lá
embaixo, no bairro da luz vermelha, na vizinha Pigalle, ou, como diziam os
americanos, pelo menos nos filmes da Segunda Grande Guerra que assisti: “in Pig Alley”.
Berços da maioria dos “cabarets”
do passado, os bairros de Montmartre e Pigalle carregam séculos de histórias,
contos e fábulas e “conversas”, muitas verdadeiras e algumas mentirosas. Sim,
Montmartre pode ser uma armadilha turística para tolos mas seus caminhos sempre
levam à arte, à cultura, ao aprendizado. O bairro foi umas das consequências
diretas da gestão de Haussmann, o prefeito demolidor, que construiu prédios e
avenidas para modernizar e embelezar o centro de Paris, empurrando as mazelas
dos miseráveis que eu conhecera nas páginas de Victor Hugo para a periferia.
Esse pedaço de Paris é uma aula de história a céu aberto, que começa em
idos tempos quando ele era mencionado na páginas policiais como “Le Maquis Montmartre”. “Maquis” é uma
vegetação espessa característica de certas regiões mediterrâneas e o termo
adjetivava Montmartre pejorativamente porque, nos seus primórdios, um grande
matagal povoado por construções desordenadas cobria grande parte da colina. O
maquis de Montmartre era uma ilha intocada pela urbanização promovida pelo
Barão Haussmann, entre as ruas Lepic e Caulaincourt.
Embora o lugar tenha sido representado frequentemente como bucólico e
provincial e romântico, a realidade era mais escura. Os seus barracos
improvisados eram ocupados por uma população miserável que, expulsa do centro
de Paris pelas demolições modernizantes, não podia morar melhor.
A basílica no topo da colina de Montmartre já serviu de coroa para
hospedarias obscuras e bordéis pestilentos em meio aos barracos de madeira e papelão e piche que
subiam morro acima, entrelaçados com sebes de flores selvagens.
No entanto, apesar de todas as dificuldades materiais, a joie de vivre, as piadas, as sátiras, as
provocações e as inovações da turma revolucionária que aprontava o sete no
bairro e, notadamente, a sua animada vida noturna atraíram curiosos de todos os
tipos – inclusive os de cartolas de seda - para ver como é que Montmartre
conseguia ser um mundo à parte e ter cada vez mais inquilinos, que agiam como
se fossem membros de uma mesma família rebelde.
Tudo bem que nessa carreira boêmia de Montmartre o seu agitado vizinho,
o bairro de Pigalle - hoje chamado pelos jovens anglicanizados de “SoPi” – desempenhou um papel importante
pois foi lá que os cabarés se multiplicaram. Sabemos que muito ajudou a atrair
tantos pintores, por exemplo, o famoso Mercado de Modelos da Praça Pigalle, que
possibilitava o encontro da fome com a vontade de comer, das musas com os
talentos, de verdadeiras beldades com os artistas de Montmartre, de meninas
boas de famílias más, com os pintores e poetas que as eternizaram nas suas
obras.
Mas será que durante a Belle Époque – mais ou menos de 1872 a 1914 –
todos aqueles artistas e escritores e poetas notáveis e modelos e dançarinas
belíssimas e cantores e humoristas tão cheios de carisma, decidiram viver e
trabalhar em Montmartre transformando o lugar no vértice da intelectualidade
parisiense só porque lá os aluguéis eram baixos e a atmosfera agradável?
É claro que não. Pensar que todos aqueles homens e mulheres talentosos
se reuniram no bairro à procura das espetaculares vistas da cidade como
inspiração ou que eles foram seduzidos apenas pelos baixíssimos aluguéis, seria
poesia.
Houve outra razão para o afluxo de tantos artistas e boêmios: o vinho
isento de impostos! No final do século XIX, Montmartre ainda estava
oficialmente fora dos limites de Paris e, portanto, o vinho ali produzido não
estava sujeito aos impostos parisienses! Isto, juntamente com o fato de que
Montmartre era coberto por vinhedos - até mesmo as freirinhas locais faziam
vinho! - rapidamente fez da área um lugar popular para se beber.
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| Vincent Van Gogh - Green Vineyard (1888) |
Já tivemos oportunidade de conversar sobre o vinhedo de nome Le Clos Montmartre que ainda é hoje é cultivado
na Rua Saint-Vincent. Em setembro ali ainda hoje é feita a colheita da bagas e,
em seguida, na primeira semana do mês de outubro, é realizada a festa da
vindima – a tradicional Fête des
Vendanges – e o leilão do tinto, em memória da indústria do vinho que
prosperou nos tempos em que o cabaret Lapin
Agile, bem ali na esquina, era o rendezvous de todas as cabeças pensantes
da cidade e a Rua Lepic era a pista onde o estranho carro de nome Voiturette, inventado por Louis Renault,
conseguia ganhar valentemente e disparado à frente de qualquer bicicleta todas
as corridas ladeira acima.
Porém embora o vinhedo seja uma grata surpresa dizem que a história
artística de Montmartre começou mesmo na Allée
des Brouillards – a Alameda das Neblinas – cujas fotos já vimos em outra
conversa.
No século XII, nesse local havia uma fazenda e um moinho que viviam
debaixo de neblina, devido ao vapor que emanava de algumas fontes d’água quente
no local que, em contato com o ar fresco, cobria a paisagem com um manto de
névoa.
Dona Lenda conta que, no século XVIII, um marquês adquiriu as ruínas do
moinho que transformou em uma mansão branca batizada por ele de Château des Brouillards - o Castelo das
Neblinas. Quase um século depois um poeta francês, chamado Gérard de Nerval, se
encantou pelo lugar e, desistindo de suas rotineiras viagens, passou a morar no
Castelo.
Foi em Montmartre que eu ouvi falar do poeta pela primeira vez e foi lá
que ele escreveu os doze sonetos das suas lindas Quimeras, que me fazem
refletir sobre a relação entre a loucura e a criação poética. Nos doze sonetos
- que viraram vinte devido ao editor - na primeira pessoa do singular, Nerval
apresentou-se como um só: ele mesmo, em tom confessional.
Mas esse “eu” poético é tão codificado, evoca tantos símbolos,
personagens históricos, lugares, referências literárias, que Nerval terminou
obcecado. Ele passou a mudar os versos de lugar, de estrofe, até mesmo de
soneto, misturando as estações, mudando os nomes dos deuses, inventando uma
mitologia própria, quase um samba do crioulo doido, na qual o leitor fica tonto
e se perde.
Nas Quimeras desde os primeiros versos chama a atenção os arcanos das
cartas do Tarô. É como se o poeta tivesse jogado as cartas sobre a mesa e
recebido como resposta aquela torre do Castelo fulminada por um raio: o anúncio
da sua destruição.
No título do soneto que abre As Quimeras ele é El Desdichado - desafortunado, infeliz, em espanhol - um exilado,
um deserdado do mundo:
“Sou o tenebroso – o viúvo – o
inconsolado/ O príncipe na torre destruída de Aquitânia”
O restante do poema é a invocação da mulher amada, uma repaginação da
mítica viagem de Orfeu ao reino dos mortos para resgatar a sua perdida
Eurídice. Depois de escrever toda essa bela mitologia surtada, esse cruzamento
de símbolos de diferentes esferas, Nerval foi mais longe ainda e mitou geral e
transformou em mito, não apenas os capítulos de sua vida mas a própria morte -
em 1855 ele suicidou-se no Castelo.
Após a sua morte os jardins foram ocupados por vagabundos e ciganos, mas
o castelo foi invadido – dizem! – pelos primeiros artistas sem dinheiro de
Montmartre e de suas neblinas teria surgido a boemia.
Não importa onde se esteja ou para onde se olha em Montmartre, lá se
sente os vestígios dessa boemia, de uma comunidade, de um senso de vizinhança
hoje perdido e os sinais das centenas de criaturas talentosas que naquelas
paragens revolucionaram a moral e modificaram a arte em defesa das liberdades.
Os nossos fantasmas prediletos ainda passeiam por Montmartre.
O crítico de arte Leo Stein escreveu que Picasso estava sempre por lá,
mais real do que a maioria das pessoas. E, por sua vez, Picasso disse a Braque
que o bairro era assim “como uma dança,
uma sardana catalã”, uma festa, uma comunhão de almas, de ricos e pobres,
de jovens e velhos, dançando juntos. Como talvez dançassem Isadora Duncan e
seus jovens alunos vestidos com túnicas gregas e de pés descalços pelas ruas de
Montmartre, que na verdade era um vilarejo, onde se morava e se divertia sem
gastar muito dinheiro, nos cabarés e nos bordéis que funcionam aberta e
alegremente na rua Amboise.
O espírito de Montmartre, os ideais lá compartilhados foram soletrados
por André Breton no seu Manifesto Surrealista de 1924:
“Querida Imaginação, o que amo em ti é,
sobretudo, não perdoares. Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear
a meio-pau a bandeira da imaginação.”
Para conhecer esse Montmartre histórico e artístico comme il faut uma boa ideia é caminhar até o coração do bairro -
Caulaincourt! – e começar a perambular pela parte de trás da colina. Na Rua des
Saules, esquina com a Rue Cortot, está a Maison
Rose, imortalizada por Maurice Utrillo quando lá morou.
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| Maurice Utrillo - La Maison Rose (1920) |
Hoje o espaço abriga o Café La Maison Rose, que oferece escargots, sopas
de cebola e o crème brûlée, padronizados e apressados.
Mais adiante ainda mora o famoso cabaret Au Lapin Agile onde os artistas
bebiam fiado nas mesas de madeira marcadas com as iniciais da galera e depois
pagavam a conta com pinturas, trocando quadros por bebidas. Foi o caso da obra
de Picasso de nome No Lapin Agile – O
Arlequim com um Copo, que o proprietário da casa, de nome Frédé, passou
adiante por uma miséria e que o Metropolitan Museum de Nova York terminou
comprando por mais de quarenta milhões de dólares.
Na obra pintada em toca de comida, Picasso se auto retratou como um
Arlequim entediado, virando copos de absinto e ao “patron” Frédé, ao fundo,
tocando no violão provavelmente uma canção tradicional francesa do século XV.
Dizem que a tela passou anos encostada numa das paredes do cabaré.
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| Pablo Picasso - No Lapin Agile - O Arlequim com um copo (1905) |
Picasso era impetuoso, toureava a vida com
generosidade, bom humor, exageros e maestrias. Feliz na pobreza e na riqueza,
tomando vinho a la régalade, ele se
relacionava muito bem com todos os prazeres da vida.
Qualquer biografia de Picasso nos deixa clara a sua
sensualidade, o seu amor pelas mulheres, pela comida, pelo vinho, pelos sabores
da vida, enfim. Nas fotos ele surge frequentemente à mesa, em meio a quadros e
garrafas, as cores da comida confundindo-se com as das telas, em uma mistura
bagunçada de vida e arte.
O bando de artistas catalães que chegou a Paris em
1900 com Picasso vivia mais nas ruas e nos bares do que nos seus ateliês
gelados onde era impossível cozinhar. O restaurante preferido da turma era o
Lapin Agile. Quando o crédito no restaurante acabava, havia sempre um amigo com
um resto de dinheiro no bolso. Compravam pão e queijo e iam comer num banco de
praça. E quando ninguém, absolutamente ninguém, tinha um tostão furado, aí é
que comiam bem.
Encomendavam um almoço bem bom no Lapin Agile e
marcavam a entrega para o meio-dia em ponto. Quando o entregador chegava e
batia à porta, ninguém atendia. Quando o coitado insistia a modelo faminta da
vez gritava lá de dentro:
“Estou
nua. Não posso abrir a porta. Por favor, ponha no chão".
Todos os amigos esfomeados compareciam e
compartilhavam o banquete e o Frédé, é claro, deixava passar batido e os
meliantes pagavam-lhe quando podiam.
Uma das melhores histórias de Montmartre fala
justamente desse Frédé, na realidade Fréderic Gérard que, além de dono do
cabaré era um músico de repertório excêntrico e possuía um bom coração. Além
disso ele era dono de um burrinho, o Lolo, muito querido no bairro. Um belo
dia, em 1911, Roland Dorgelès, o escritor que foi um crítico ferrenho das novas
formas de arte de Picasso e de outros pintores modernistas, forrou a rua
defronte do Lapin com uma grande lona, amarrou um pincel no rabo do burrico
Lolo e fez o animal se mexer sobre a tela subornando-o com guloseimas.
A obra de arte resultante da brincadeira assinada por
um certo Boronali foi exposta no Salon
des Indépendants, com o título de Um Pôr do Sol no Adriático e, - pasme! -
conquistou sucesso de público e de crítica. Acontece que a assinatura nada mas
era do que um anagrama de Aliboron, o
nome do asno de Buridan, o paradoxo filosofal sobre o livre arbítrio, que nos
conta como, estando o animal à mesma distância de uma pilha de feno e de um
balde de água, incapaz de optar por um ou por outro, acabou por morrer de fome
(rsrs)
Essa sátira ao filósofo medieval Jean Buridan e à
pintura moderna faz parte do folclore do bairro e, é claro, uma Praça Roland
Dorgelès foi construída defronte do antigo cabaret para homenagear o mentor
intelectual da presepada.
A graça de Montmartre, à parte a sua incontestável
beleza física, mora nessas conversas e piadas e risadas e nas telas que, como o
Arlequim inventado por Picasso e tantas outras obras de Renoir, Lautrec e Utrillo
ajudaram o bairro a alcançar fama internacional.
Au Lapin Agile, por exemplo, tornou-se o mais famoso
rendezvous de Paris, não no sentido de bordel na zona do meretrício como usavam
a palavra os nossos avós, mas de um ponto de encontro, de um lugar onde
apareciam todos os que tinham o que dizer. Mas afinal o que significa o nome do
cabaré Au Lapin Agile?
A casa já funcionava há mais de duas décadas quando,
em 1875, outro artista chamado André Gill, em troca de outro prato de comida
pintou no local uma tela retratando um coelho - um lapin - saltando do pote de seu destino para beber alegremente o
vinho tinto no qual costumava ser cozido.
O bem humorado quadro foi afixado acima da porta de
entrada da casa e então os clientes apreciadores do ensopado do bicho de
capoeira passaram a querer comer “Le
lapin à Gill” - e um trocadilho homófono gerou o seu nome definitivo Lapin Agile - o Coelho Ágil.
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| Andre Gill - Au Lapin Agile (1875) |
No fim do século XIX, o Au Lapin Agile era o local favorito de artistas
e escritores em início de carreira, mas também era frequentado por cafetões,
personagens excêntricos, grupos de anarquistas, estudantes vindos do Quartier
Latin e burgueses bem vestidos à procura de diversão.
Empoleirado nas mesas do Lapin, Francis Carco cantava La Marseillaise e,
saindo da casa nas primeiras horas da manhã, Mac Orlan acordava os amigos
tocando clarineta embaixo das suas janelas. Guillaume Apollinaire, Roland
Dorgelès, Amedeo Modigliani, Maurice Utrillo e outros grandes talentos da
literatura e da pintura, todos anarquistas de coração, bebiam demais, comiam de
menos e dormiam onde calhasse, e, não fora a caridade e a paciência dos Frédés
da vida, teriam mendigado.
Todos aqueles artistas geniais rabiscavam poemas e artigos que não
vendiam, erravam suas tintas em telas incompreendidas e tocavam música
dissonante sob apupos mas das panelas sobre os fogões dos cafés e bistrôs de
Montmartre sempre puderam descolar alguns nacos de pão, colheres de sopa e
pedaços de coelhos não tão ágeis...
Assim era Montmartre: um caldeirão de sobras para os artistas pobres e
muitas anedotas e estórias. É muita conversa...















