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13/06/2020

O Buddha Tahô e o Druida Kardec

Allan Kardec (não pude identificar o escultor)


Antonio Rocha
Nessa época, que se perde na noite e nos dias dos tempos, a parte ocidental da Europa era dominada culturalmente e religiosamente pelos celtas, os druidas eram uma parte desse vasto povo.
Os ensinamentos do Buda Tahô disseminavam-se pelo mundo de antanho, o Sutra Lótus que foi revelado, mais ou menos no século dois ou três, antes de Cristo fala das maravilhosidades do iluminado chamado Tahô, que mais adiante ficou apenas conhecido como o Tao dos chineses.
Há controvérsias, claro, nem todos vão concordar com a afirmação acima, mas antes de discordarmos, vamos investigar sem paixões, sem rótulos, vamos meditar...
Kardec nesse período era um jovem sacerdote da etnia druida.  Certa feita ele avistou um homem de cabeça raspada e um manto da cor laranja. Aquele ser emanava boas vibrações e o jovem Kardec aproximou-se dele:
- Olá irmão, de onde você vem?
- Eu venho lá do outro lado do mundo, da Ásia, sou um monge budista missionário, discípulo do Iluminado Tahô, pode me chamar de Ananda, que significa “bem-aventuranças” e você?
- Eu sou um sacerdote druida, estou sempre estudando, pesquisando, investigando as sabedorias de todos os povos. Se você é missionário pode me ensinar um pouco sobre os ensinamentos do seu Mestre.
- Claro, temos muito o que aprender de ambos os lados. Estamos sempre aprendendo e olha, o meu Mestre Tahô que está espiritualmente aqui do meu lado, está me soprando no ouvido que, bem mais adiante, daqui a alguns renascimentos e reencarnações você vai ter uma missão muito bonita.
- E qual vai ser esta missão? Percebo que é a sua intuição extra-sensorial que está falando isso.
- Pois bem, você vai ensinar de forma atual para essa época vindoura os ensinamentos que iremos confabular ao longo destas nossas conversas.
- Que maravilha ouvir isso !
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Os espíritas aceitam perfeitamente que Allan Kardec (1804-1869), pois foi ele mesmo que afirmou em um de seus livros, em reencarnação pretérita foi um sacerdote druida com este nome, Allan Kardec.
E como já está provado, literariamente e historicamente que os celtas e druídas tinham contato com os monges budistas, então peregrinos e missionários o que escrevemos acima é perfeitamente verdadeiro, contudo, fica a critério de cada um, aceitar ou não.
Vejamos o que diz o conceituado escritor japonês Daisaku Ikeda, em seu livro “Budismo, o primeiro milênio”, editora Record, 1977, página 79:
“O Budismo chegou às Ilhas Britânicas antes do Cristianismo. Essa tese repousa numa afirmação feita por Orígenes em seu comentário ao Livro de Ezequiel, escrito por volta do ano de 230 dC, e que diz:
“Naquela ilha (Britânica) os sacerdotes druidas e os budistas já disseminaram os ensinamentos sobre a unicidade de Deus, e por essa razão os habitantes já estão inclinados para ele (o Cristianismo).
Podemos apenas maravilhar-nos que a influência budista tenha chegado mesmo aos celtas, nas Ilhas Britânicas, na própria borda mais ocidental da Europa”.
Isto confirma o que já dissemos há anos, há uma profunda semelhança entre o Budismo e o Espiritismo, pregado e escrito por Allan Kardec.


06/06/2020

Tempos de confinamento

Os limites de minha liberdade (fotografia WBJ)


Wilson Baptista Junior
“Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a idade da sabedoria, era a idade da insensatez, era a época da crença, era a época da descrença, era a estação da Luz, era a estação das Trevas, era a primavera da esperança, era o inverno do desespero...” – Assim começa Charles Dickens o seu “Conto de Duas Cidades”, passado em Londres e Paris na época da Revolução Francesa.
E suas palavras me voltam à cabeça enquanto caminho meus três quilômetros diários em volta das garagens do conjunto em que moramos, ao longo dos muros que marcam hoje os limites da minha liberdade. O céu azul e sem nuvens da manhã de junho parece que se ri da tristeza e do desalento que baixaram sobre o outrora belo horizonte que aninha nossa cidade.
Ao mesmo tempo em que, quase cinquenta anos depois de sua última vez os homens se preparam de novo para voltar à Lua e saltar até Marte, e quem sabe até onde mais, quando a mente humana começa enfim a conseguir ensinar suas criações a pensar, quando a luz da ciência avança cada vez mais depressa, a guilhotina invisível de uma nova e terrível doença que se espalha pelo mundo ceifa a cada dia milhares de vidas como para nos lembrar que a natureza ainda pode mais do que nós.
Um inimigo silencioso que nos espreita do lado de fora dos portões, que só espera um descuido nosso para superar a barreira frágil das nossas máscaras, que se disfarça na fala e na respiração das pessoas que se aproximam de nós. Contra o qual nossos armeiros ainda não conseguiram forjar espadas nem escudos, e contra o qual a única defesa ainda é a fuga, até que nossos alquimistas descubram em seus cadinhos o segredo do metal novo e impenetrável que possa ser trabalhado nas nossas armaduras e nossas lâminas.
Nem ao menos somos todos nós que podem esperar e  se esconder atrás dos muros. Porque o exército que enfrenta esse invasor está lá fora, com armaduras frágeis e máscaras esgarçadas, cuidando dos que caem do jeito que é possível, tentando salvar vidas e enterrando os que não conseguem salvar. E há os que produzem e levam os suprimentos para a linha de frente e também para nós na retaguarda. E há os que queriam poder se esconder e simplesmente não têm muros nem telhados. E há, pasmem, os doidivanas que escutam os clarins do combate e pensam que são música para dançar nas praças. E dançando e brincando atraem e trazem para dentro dos muros das cidadelas o inimigo invisível.
Tempos difíceis. Tempos de espera, de coragem, de medo, de incertezas. Mas, pensando bem, que tempos não foram assim ao menos em alguma parte do mundo? Só que dessa vez o são no mundo inteiro. Pela primeira vez em muitos e muitos anos ninguém está a salvo do inimigo. Que veio, talvez, para nos lembrar de que somos todos os mesmos, que no fundo, por mais que o queira, ninguém é mais do que os outros. Que somos todos os mesmos seres humanos, uns atrás de muros mais altos do que os outros, mas nenhum atrás de algum que não possa ser derrubado.
Tempos de espera (fotografia WBJ)

             Tempos de espera. Espera mesmo durante a luta. Espera por quê? Que os alquimistas se esqueçam, ao menos por enquanto, da busca pela pedra filosofal e em vez de pela miragem do ouro empenhem suas retortas e suas almas pela salvação de todos.
Tempos de medo. Do medo que quando o encaramos de frente faz subir a adrenalina e se transforma em coragem.
Tempos de coragem. Coragem de abrir os olhos e nos vermos como realmente somos. De perceber que o mundo é mesmo incerto e que todos nós dependemos uns dos outros. De que ninguém pode ser deixado para trás. E de que é justamente por o mundo ser incerto que podemos ter a esperança de transformá-lo.
Tempos de agir.


01/06/2020

Des Apontamentos



Ana Nunes
Não.
Não faça isso com você.
Se é desapontamento, acate. Melhore-se nas suas impressões.
E se são impressões descarte-as como as digitais do primeiro registro oficial.
Declare-as como impugnadas, antigas e ultrapassadas. Mesmo que sejam recentes.
Declare-as falsas.
O seu indicador já tem um calo. Não será isso uma alteração plausível, mais que real?
Deixe as impressões fazerem parte dos paralelepípedos do calçamento.
Deixe a poeira cair nessas pedras ancestrais.
Deixe a marca dos passantes.
Eles são só passantes que não sabem onde pisam.
Não sabem dos cacos de carinhos entre as pedras.
Nem sabem dos pedaços pontudos de amizade que se escondem nas frestas.
Nem sabem dos canteiros,
Que por primeiro tocaram nessas pedras.
E cortaram, lapidaram no formato certo
Para deixarem frestas estratégicas para sentimentos machucados.
Esses caminhantes não sabem nada.
Sabem só de si e suas jornadas.
Não sabem nada das árvores da beirada,
Nem das águas do caminho.
Vão seguindo as folhas caídas do outono, estalando as cores no pisar.
Não se importam com os brotos por nascer.
Vão saber deles tarde no tempo da primavera.
Não, não faça isso com você.
Anda cautelosa nessa estrada de pontas pontiagudas,
Siga silenciosa no caminho que lhe cabe
De dia pelas flores e de noite pelos vagalumes.
Leve leve seu coração desapontado
Mas já alegre na imagem que o cerca.
Amarre com barbante  o sentimento alquebrado
E carregue nas costas
O que já não cabe no coração.


26/05/2020

Inimaginável

Deus Pai - pintura de Pier Francisco Mola


Francisco Bendl
Esta madrugada não consegui dormir uma hora que fosse.
Coração se bobeando, dores no peito, falta de ar... Pensei que teria chegado a minha hora, depois de setenta anos vivendo nesse planeta belíssimo.
Então me dei conta que chegara o momento da retrospectiva da minha existência, o famoso balanço da vida, e se eu teria mais débito do que crédito ou, ao contrário, chance totalmente nula de ser apurado superávit.
Pensei nos meus pais, que me trouxeram para este mundo;
Me lembrei do casamento e do amor que sinto pela esposa há cinquenta anos de casados, que registramos;
Agradeci muito a Deus os filhos que tive com a minha mulher;
Fiquei pensando de que forma eu poderia dizer a Deus sobre a felicidade dos cinco netos que meus filhos me deram como presente, os mais valiosos que recebi;
Foi com muito carinho que vieram à mente meus familiares que já morreram, e meditar sobre os que estão vivos, e que tanto eu os prezo e os quero bem;
Reconheci os amigos que tive, pessoas espetaculares;
Mas, tentei encontrar uma forma de como eu me explicaria a Ele, se nos encontrarmos, a respeito de eu me desculpar pelos erros que cometi, minhas omissões, falhas, maldades, más intenções, rompantes, arrogância, prepotência, audácia, ofensas...
Como seria o meu encontro com Deus?
O que eu diria ao Todo Poderoso?
Qual seria a minha primeira pergunta ao Criador?
- Deus, tudo bem?
Ridículo!
Quem sabe eu não iniciaria perguntando sobre a salvação?
Eis um tema importante, sem dúvida, ainda mais para quem está precisando acreditar que será salvo!
Mas, para que esse diálogo acontecesse, eu teria de dizer que sempre tive fé, que acreditei na Sua existência, que jamais fui um ateu.
E eu não poderia evitar de perguntar, lá pelas tantas, por que pessoas boas passam por momentos ruins ou por que Ele as leva mais cedo?
Muito menos eu poderia deixar de questioná-Lo sobre o sofrimento da espécie humana?!
Pensando comigo mesmo diante da quantidade de perguntas que eu Lhe dirigiria, seria necessária outra vida só para isso ou, então, que esta minha existência fosse prorrogada, o que me deixaria feliz, evidentemente.
No entanto, Deus não é Deus pelo fato que aceitamos que exista;
Deus não é Deus porque temos fé;
Deus não é Deus, em face de imaginarmos que a salvação seja a meta a ser alcançada.
Muito menos eu poderia pensar quem seria Deus, pois a minha perspectiva de analisar a vida seria infinitamente diferente da perspectiva divina:
A minha ideia de Deus estaria restrita à insignificância da minha mente, enquanto a Dele abrange o Universo, quem construiu o tempo, quem delimitou o espaço, quem deixou trilhões de galáxias, estrelas e planetas, suspensos no ar.
De que forma eu poderia estabelecer uma conversa que motivasse Deus a me ouvir?!
Claro que não descobri fórmula alguma ou elaborei plano de aproximação com o Criador.
O meu receio maior foi de ser chamado de idiota e imbecil, se Ele aceitar se dignar a conversar comigo!
Sabem aquela história de cada macaco no seu galho ou eu aceitar, antes de mais nada, resignar-me à minha própria insignificância?
Bem que eu gostaria de perguntar sobre a morte:
Dói?
A gente volta prá cá depois?
Para onde vamos, se é que vamos, é bom ou será a mesma passagem que na Terra?
Altos e baixos, tristezas e alegrias, realizações e frustrações...
Deus não veio  me ver, como tem sido seu hábito nos últimos milhares de anos.
Mas não deixou de entrar em contato comigo através da minha imaginação, da minha experiência de vida, do que constatei e vivi nessas sete décadas de existo.
Primeiro:
A salvação não é meta, mas um processo de se chegar lá. E deve ser praticado diariamente, e não quando estamos perto de nossa despedida do mundo e dos humanos.
Segundo:
Morrer todos vamos, claro, mas a questão é saber como e quando!?
Terceiro:
O Livre-arbítrio é verdadeiro, sim. Mas confundimos como se fosse apenas uma questão de escolha, porém é maior que nós mesmos, pois acreditar em Deus não é ter fé, mas decorrente desse Livre-arbítrio.
Convenhamos, seria simplório demais – entendo os porquês de alguns colegas me rotularem de simplório, agora – concluir que a fé é crença, ledo engano.
A fé é motivo, pois é o Livre-arbítrio que determina se devo ou não acreditar em Deus. Logo, o ateu pode encontrar a salvação mesmo descrendo de Sua existência, mas seria o mesmo que construir uma casa sem alicerce.
Ela pode ser edificada, mas tomara que os ventos não sejam fortes porque até o telhado vai embora!
O sono, que estava difícil antes, começou a dar sinais que eu deveria ir dormir.
As ideias, a imaginação, o pensar, já não eram tão rápidos. O cansaço se mostrava um obstáculo intransponível nessa conversa fictícia entre mim e o Senhor.
Entretanto, eu queria muito encontrar uma maneira de terminarmos essa “conversa”, esse diálogo, essas conclusões que eu havia obtido, pelo simples fato de eu ter dialogado com Deus, mas como seria?
Quem sou eu para pensar no que Deus pensa ou como raciocina??!!
Antes que meus olhos se fechassem pelo esforço despendido nessa conversa indescritível pela emoção, imaginei o seguinte:
Tive o último suspiro.
Em frações de segundos, eu estava diante da presença de Deus.
Humilhado pelos pecados, pelas falhas, omissões, pelo fracasso de não ter sido ninguém, que eu poderia ser um marido melhor, pai mais presente, avô exemplar, amigo sincero, familiar que amasse os seus com mais vigor, Deus me daria um forte abraço.
Com a sua voz poderosa como se fosse um trovão, diria com um largo sorriso:
- Chicão! Entra na minha casa, vem, e te senta ao meu lado. Eu te perdoo!


22/05/2020

Maria de todos os Nomes

Nossa Senhora do Bom Parto - Florianópolis (imagem Wikimedia)


Antonio Rocha
Na segunda-feira, 18/05/20, em plena quarentena, comecei a semana arrumando os meus livros, papéis e escritos espalhados nas prateleiras da estante e no quarto onde escrevo com o computador.
Então encontrei uma anotação de 18/12/19, Dia de Nossa Senhora do Bom Parto, onde rabisquei a oração:
“Por favor, auxilie minha filha e netinha que vai nascer em 2020”
Ao longo dos meses, vez por outra eu lembrava do pedido acima e reforçava mentalmente a petição. O primeiro parto de minha filha, foi cesariana. Mas desta vez, ela gostaria que fosse natural, ou como se diz, normal. Entreguei o assunto à Nossa Senhora, Ela saberia o melhor caminho.
Minha segunda netinha nasceu domingo, 17/05/20 de parto normal, e tudo na mais perfeita saúde e maravilhosidade.
Então, na terça-feira, 19/05/20, continuando a arrumação, ao encontrar o pedido anotado  escrevi: 
“Funcionou! Gratidão”!
Aprendi a escrever os meus pedidos, orações e afins nas margens dos livros e cadernos outros. E depois anotar o agradecimento e a data.
Alguém poderá dizer que trata-se de mera coincidência, penso que não, levo tais assuntos muito a sério.
Na véspera, sábado, assim que a bolsa estourou e minha filha ia no carro com o marido para o hospital, me enviou mensagem:
“Estou indo para o hospital. Mentalizem”.
Era um recado para eu e Heloisa mentalizarmos e conversarmos com os nossos amigos espirituais para que tudo corresse bem. E assim foi, a neném nasceu na madrugada de domingo.
Gosto muito de Nossa Senhora, a Maria mãe de Jesus, tenho muitas histórias verdadeiras, depoimentos, testemunhos para contar, vou fazendo aos poucos.
Outro alguém, uma outra pessoa poderá questionar:
“Um budista devoto de Nossa Senhora ? ! “
Eu explico que, milenarmente, há no Budismo o culto à uma Divindade Feminina chamada de Kwan Yin, conhecida como a “Mãe de todos os Budas”. É a Energia Feminina da iluminação/santidade (esta coisa difícil de ser comentada, mas é melhor vivenciar).
Kwan Yin tem vários nomes: no Japão chama-se Kanon e aparece de 33 formas e nomes diferentes. No Vietnã é Guan Nin, em tibetano é Tara e aparece em 21 formas e nomes parecidos. Kwan Yin é o nome em chinês ou mandarim, como queiram. Admirada como a Deusa Budista da Misericórdia.
Alguns budólogos e teólogos cristãos afirmam que a Kwan Yin Budista e Nossa Senhora do Cristianismo constituem a mesma Energia, um Espírito Feminino mui elevado, para falarmos em uma linguagem espiritualista. E eu assim creio, assim aceito e assim reverencio-as.
Há um texto canônico budista chamado Sutra Lótus, onde um capitulo nos fala  sobre Kwan Yin:
“Em cada canto do mundo Ela manifesta suas incontáveis formas”.
Formas, nomes, geografias, latitudes, longitudes, Ela aparece de “N” formas para nos ajudar, nós mortais, seres humanos, nós imortais sob o aspecto da reencarnação, que os budistas chamam de renascimento.
Quem procurar no Google encontrará em muitos países da Ásia, imagens, estátuas bem altas de Kwan Yin que, na verdade incentivam o turismo local e internacional, convenhamos uma poderosa indústria que traz recursos os mais diversos para estas nações, atrai também os peregrinos.
E, em 19/05/20, minha filha voltou para casa com a netinha. Recebi ainda há pouco uma foto que me provocou uma das maiores felicidades já sentidas. A neta mais velha de cinco anos, com um sorriso maravilhoso, sentada no sofá, com a irmãzinha no colo.
Momento inesquecível de alegria e eu só posso agradecer à Nossa Senhora do Bom Parto, à querida Kwan Yin que são a mesma abençoada Energia, que eu possa mais adiante, pessoalmente abraça-los e beija-los o quarteto: filha, genro e as duas meninas !
Agradeço ao Blog do Mano, pela oportunidade em compartilhar estas experiências!


15/05/2020

Palavras ao Meio

Aquarela Ana Nunes


Ana Nunes

Outono ao meio
Meio frio
Meio feio.
Coração ao meio
Metade em casa
Metade em terra
Meio escura
Meio fria.
Meio na mesa
Meio pão
Cortado em quatro
Olhos meio abertos
Barrigas bem vazias.
Meio homem
Meio gente
Rua meio vazia
Meio pedra
Meio mato
Meio flor
Meio espinho
Meio vento
Meio medo.
Meio sol
Meio sombra
Meio esperança
Meio receio.
Meio dia
Loja meio aberta
Gaveta meio vazia
Meio abandono
Meio sem dono.
Meias palavras
Meio sentido
Meio lágrima
Meio riso
Meia volta
Meia rota.
Meia noite
Meia lua.

10/05/2020

Minha querida Nhá Chica

Nhá Chica (acervo Antonio Rocha)


Antonio Rocha
Todo dia 26 eu comemoro e reverencio a Bem Aventurada Nhá Chica (Francisca de Paula de Jesus), foi em 26 de abril de 1810 que ela foi batizada. Ninguém sabe a data precisa de seu nascimento. Só sabemos que nasceu no distrito de Santo Antonio do Rio das Mortes em São João Del Rey, MG e depois foi para Baependi, MG, onde ficou até o final de seus dias fazendo milagres, caridade, orientando as pessoas, aconselhando aqueles que lhe procuravam.
Guardo esta imagem acima como uma relíquia, vejo-a diariamente nos meus pertences. Era filha e neta de escravos, andava sempre com um lenço branco na cabeça e um guarda chuva, pois no verão, serve de para-sol.
Devota de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, ela pedia a Maria que ajudasse as pessoas e, coincidência ou não, o Espírito Iluminado de Nossa Senhora ajudava sempre.
Uma das coisas que me chamou a atenção nela é que algumas divindades budistas, também aparecem com um guarda-chuva, aberto ou fechado. E eu percebi que Nhá Chica é uma grande Bodhisattva (espécie de anjo do budismo), com todo o respeito aos católicos. Torço para o Vaticano reconhece-la como santa, atualmente é Beata, mas eu já recebi inúmeras Graças e sou cada vez mais admirador devoto dela.
Na cidade de Baependi, bem antes do Vaticano decretar a beatitude de Nhá Chica visitei sua antiga casa humilde que virou museu, a igrejinha que ela mandou construir e seu túmulo onde contemplamos o local onde o seu abençoado corpo descansa.
Ali, tive uma experiência espiritual marcante, para o resto da minha vida. Gratidão é pouco, mas eu não tenho outras palavras para agradecer ao tanto que ela me ajuda.
Por isso, pessoalmente, reverencio-a todo dia 26 de cada mês. O Vaticano marcou sua data litúrgica em 14 de junho, um dia após Santo Antonio de Lisboa, meu amigão e xará.
Vamos então pedir e desde já agradecer o apoio e a ajuda destes três: Nhá Chica, Nossa Senhora da Imaculada Conceição e Santo Antonio de Lisboa as devidas proteções nestes tempos de coronavírus.
E, vamos nos lembrar e agradecer, de sua abençoada vida em prol dos seres humanos.
Outra data que os devotos de Nhá Chica também comemoram é o dia 8 de dezembro, Dia de Nossa Senhora Imaculada Conceição.
Nhá Chica com frequência dizia: “As coisas acontecem porque eu rezo com fé”.