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14/10/2019

Bruges, um pedaço do Paraíso

Fotografia: Mark Willems - visitbruges.be


Antonio Rocha
Penso que a pintora/desenhista/gravurista mineira Ana Nunes acertou quando disse, ao ler a forma como eu descrevia a minha passagem pela Bélgica em julho passado. Ela referiu-se a um “paraíso”. De fato, concordo plenamente.
Então vou lhes contar um trecho da aventura. A primeira vez que eu ouvi falar nesta bela cidade que tem mais de novecentos anos foi nos anos 1980, quando eu era colaborador do Segundo Caderno de O Globo, na área de resenhas literárias.
Nessa época o crítico de arte Frederico Morais lançou um livro de crônicas de viagem e de arte intitulado “Chorei em Bruges”, entre outras, ele falava de sua emoção em caminhar pelas ruas daquela cidade medieval e não teve como conter as lágrimas de alegria e de felicidade turística/artística.
Depois, um sobrinho adolescente foi participar de um intercâmbio estudantil na Bélgica e a família que o acolheu morava em Bruges. Em seguida, minha filha com quinze anos acompanhada da mãe, minha esposa e mais uma irmã desta foram passear pela Europa via Bruges. Foi o bastante para eu informar a mim mesmo: “belo dia eu vou lá”.
Então como a Roda da Vida Budista não pára, eis que em 2019 fui visitar minha filha, marido e netinha na Bélgica. E num dia de sol do verão belga fomos até Bruges. Auto-Estrada maravilhosa! Até o estacionamento subterrâneo é bonito e prático.
Antes de viajar, conversei com minha geriatra e ela sugeriu:
- Nos passeios, para não ser surpreendido pela vontade e ter que prender até resolver o assunto, faça um xixi profilático.
Mesmo não tendo vontade na hora, se conversarmos com os órgãos correspondentes acontece o “xixi profilático”, Atendido ao “chamado da natureza”, como declarava o Senhor Buda, eu ficava bem aliviado e podia caminhar feliz por longo tempo contemplando as belezas de Bruges.
Minhas duas irmãs que nos acompanhavam, a todo momento paravam para os “selfies”; o genro e a filha têm também os tais celulóides, como eu os chamo. Entretanto eu e Heloisa somos um casal do tempo das Araucárias, não temos a modernidade do telemóvel, como falam os queridos portugueses. Antes nos identificávamos como “jurássicos”, mas aprendi, recentemente que a árvore brasileira Araucária, que habita as regiões paranaenses vem da Era dos Dinossauros. Ora, achei bem mais poético definir-me como do Tempo das Araucárias do que jurássico/dinossáurico.
Por outro lado, não tenho o talento do Moacir Pimentelji que escreve vários parágrafos sobre os mínimos detalhes de um torre quase milenar. Assim fica só o pequeno artigo registrando os passeios de barco pelos canais da Veneza do Norte, como Bruges é conhecida.

10/10/2019

O caminho do rio

fotografia Moacir Pimentel


Moacir Pimentel
As ribeiras do rio Tâmisa são fascinantes. E a que é chamada de South Bank é uma das áreas mais históricas de Londres. Ao longo do seu famoso “River Walk” – o “Caminho do Rio” - da Ponte Lambeth até a Ponte da Torre ela nos conecta com muitas das principais atrações do rio e da cidade.
No século XVII essa região ficava fora dos limites da cidade e, portanto, era muito menos controlada. Assim, a indústria de entretenimento para adultos nasceu e cresceu naquelas paragens: os bordéis, os teatros, as lutas de galo e as arenas que sediavam os sangrentos mas populares espetáculos com ursos e touros acorrentados a uma estaca enquanto eram atacados por um bando de cachorros - geralmente buldogues ou mastins - que o distinto público tanto apreciava e apostava.
Pode-se ver essas esquinas londrinas de “táxi aquático” ou de uma balsa em viagens entre as suas docas, mas a melhor maneira de conhecê-las é a pé. Com direito ao County Hall, o prédio que depois de ter sido a sede do governo do condado de Londres, foi convertido no Aquário e em um museu de arte. É por ali que moram também o BFI Southbank – o Instituto de Cinema Britânico que narra a história do cinema e da televisão - e o Teatro Nacional, o maior da cidade, com três auditórios.
A Corça Dourada (fotografia de Diego Delso, delso.photo, License CC-BY-SA)
Vale a pena dar uma olhada na Catedral de Southwark, uma das igreja mais antigas de Londres, usada desde 852 como um local de culto, e na réplica do Globe Theatre de Shakespeare, um teatro ao ar livre exatamente como a gente viu no filme Shakespeare Apaixonado. Para não falar do famoso navio HMS Belfast, parte do Museu Imperial de Guerra, e é claro, da réplica do Golden Hind de Drake que está localizada perto da doca de nome Santa Mary Overie, uma santa nativa que supostamente teria financiado a construção da Catedral.

O Golden Hind – ou Corça Dourada – foi um galeão português que circunavegou a Terra entre 1577 e 1580, capitaneado por Sir Francis Drake. O navio fora batizado como O Pelicano mas , em plena viagem, Drake decidiu mudar-lhe o nome por uma questão de marketing. Explico: o brasão heráldico do patrocinador das suas aventuras, Sir Christopher Hatton, tinha uma corça como tema (rsrs)
Em 1577, a rainha Elizabeth I também patrocinou parcialmente essa expedição destinada a passar pela América do Sul através do Estreito de Magalhães e a explorar as costas que se encontravam além. Dizem que no porto, antes de navegar, Drake e a rainha se encontraram pela primeira vez e que na ocasião ela disse-lhe: "Com que alegria seremos vingados da ofensas que recebemos do rei da Espanha". Ou seja, Drake tinha aprovação oficial para beneficiar a si mesmo e a rainha e atuou como um corsário, com o apoio dela, para causar o máximo de dano aos espanhóis, uma prática que culminaria na guerra anglo-espanhola.
Mas não pense que essa réplica colorida do galeão é só para inglês ver. Nada disso. Ela foi o resultado de três anos de pesquisa detalhada e construção, a mais tradicional e profissional possível, no estaleiro de Appledore. Lançada ao mar em 1973, desde então e até ser ancorada definitivamente na doca de St Mary a Corça já percorreu mais de duzentos e vinte cinco mil quilômetros mares afora, tendo completado outra circunavegação e muito mais.
No South Bank também encontramos alguns daqueles perigosos locais para as “comprinhas”. Um deles é o badalado Gabriel’s Wharf – A Doca do Gabriel - que é nada mais nada menos do que uma grande coleção de lojas e estúdios pertencentes a artistas. As fachadas de cores vivas são todas antigas garagens de barcos reformadas e um coreto ocupa o centro da pracinha rodeado por mesas e cadeiras nas quais se pode tomar um ou dois cafés sossegado enquanto se observa o mundo passar.
fotografias Moacir Pimentel

O outro paraíso de consumo é a vizinha Torre OXO. O prédio era originalmente uma estação de energia construída por volta de 1900, que logo se tornou obsoleta e foi comprada pelos proprietários da marca OXO. Eles queriam exibir um grande neon publicitário, mas a permissão foi negada. Então o arquiteto teve uma idéia literalmente brilhante. E se ele projetasse janelas especiais para os quatro lados do topo da torre? Que tal dois círculos um acima do outro e uma janela gradeada por um grande em X no meio? Quem poderia se opor a isso? Ninguém, e até hoje quando as luzes são ligadas a logomarca OXO brilha para quem a olha dos dois lados do rio.
Na realidade tanto o Gabriel's Wharf quanto a Torre OXO são vitórias do povo do bairro na guerra contra os empreendedores e demolidores. Durante séculos, Southbank fora uma terra desolada, mas durante o século XIX foi ocupada por moradias mal construídas e baratas destinadas a quem chegava à capital, vindo do campo, atrás das oportunidades de trabalho geradas pela Revolução Industrial.
Durante a guerra a Luftwaffe fez melhorias, demolindo uma parte das feias construções evacuadas, só que o governo e os empreiteiros passaram a substituí-las por prédios de escritórios menos atraentes ainda. Então algo aconteceu: os moradores deram um basta. O que eles queriam eram casas e lojas e o seu rio de volta. Então se organizaram e compraram a terra e começaram a demolir os escritórios odiados, redesenhando o Passeio do Tâmisa e ajardinando o rio.
Um dos pequenos parques é chamado Bernie Spain Gardens, um dos membros da organização dos moradores que, não se dando por satisfeitos, estabeleceram e aprovaram leis regulando as construções e assumiram a Torre OXO abandonada que teve seus escritórios transformados em lojas de design.
Last but not least é uma maravilha poder ver, no inverno, as obras-primas dos museus sem ter que abrir caminho com os cotovelos através de um bando de turistas! Aliás os museus londrinos também são lugares perfeitos para se abrigar do frio. Neles sempre se pode tomar um café antes e outro depois e os cafés são as únicas coisas pelas quais se paga porque visitar e/ou ver os acervos permanentes de alguns dos melhores museus da cidade é cortesia das casas. Quais?
Bem, que tal levar as crianças grandes e pequenas para ver os esqueletos dos dinossauros do Museu de História Natural? Quem sabe fazer par ou impar entre Museu da Ciência e o Marítimo Nacional, que escancara a história naval da Grã-Bretanha, desde batalhas marítimas até as expedições exploratórias?
É complicado decidir entre visitar o Museu Vitória & Alberto para se perder nas galerias e retraçar a história da criatividade na coleção dos monarcas através de pintura, mobiliário, escultura, fotografia e jóias etc ou passar uma tarde no Museu de Londres que narra a história da cidade desde os tempos pré-históricos. Como escolher entre ver as novidades da Tate Moderna ou ir na Britânica, conhecer as coleções de telas de Turner, Gainsborough, Whistler, Bacon e Hirst?
fotografia Moacir Pimentel

Devo confessar que às vezes nem saio de Trafalgar Square por causa da National Gallery bem ali me “dando mole” e onde até as visitas guiadas e as exposições temporárias são grátis. A Galeria expõe mais de duas mil obras da Idade Média ao século XX, entre as quais uma das Virgens das Rochas e a Ginevra De’Benci de Leonardo da Vinci, a Festa de Belshazzar e vários auto retratos de Rembrandt, outros tantos de van Gogh – além dos Girassóis! – A Mulher com a Balança de Vermeer, as Vênus de Vélazquez e Botticelli, o lindo Retrato de uma Dama de van der Weyden, duas Madonas de Rafael, o Número 1 de Pollock, o Sepultamento do Cristo e a Madona Manchester de Michelangelo, a Ceia de Emaús e o Rapaz Mordido por um Lagarto de Caravaggio, a Sinfonia em Branco de Whistler, o Retrato Arnolfini de van Eyke, os Embaixadores de Hans Holbein, e muito mais de Ticiano, Bellini, Canaletto, Piero della Francesca, Picasso, Matisse, Degas, Renoir, e Monet!
E quando cansa? É só vestir o casaco, sair para respirar e observar as gentes na praça... Às vezes até volto para o nosso hotelzinho a cinco minutos a pé de Trafalgar, tomo um chuveiro , troco as meias e estou novo! Meias suadas, no meu dicionário, são sinônimo de calos. Perigo!
fotografia Moacir Pimentel

E almoço e bebo muito tinto sem medo de ser feliz pois com o frio não “pega” nada... ou tanto (rsrs) Mas dá ânimo para esticar, a pedido dela, no Museu da Infância, onde todos são criança de novo, por um dia, entre brinquedos, jogos e bonecos confeccionados desde o século XVI até hoje quando na verdade queria mesmo era dar um pulo rapidinho na British Library, para olhar de novo os Cadernos de Leonardo. Fazer o quê?
Já perdi a conta de quantos europeus me disseram - com uma piscadela d’olho! - que o problema não é o frio, mas as roupas e a companhia. E é verdade. Ter o equipamento certo e quente e leve é essencial (rsrs) Na verdade o clima na Inglaterra é terrível durante todo o ano, então, pelo menos no inverno, o frio é sazonalmente apropriado. Por incrível que possa parecer - mas como você pode constatar pelas fotos! - por mais frio que nos tenha reservado, Londres já nos deu de presente de Natal alguns céus azuis de verão.
Por lá sempre terminamos encontrando uma “rua de bolso” escondida em algum canto para desvendar, longe das correntes de ar e recheada de pubs aconchegantes, onde se pode desabar em uma cadeira confortável depois de mais um crepúsculo de arrepiar. Ou onde, em um dia particularmente cinza com folhas e chuva caindo junto com a temperatura lá fora, um simples café no meio da manhã se transforma em um trago e, em seguida, em um loooongo almoço.
Caminhar no inverno tem as beleza e emoção próprias das grandes paisagens britânicas em dezembro: os eventos musicais, corais e mercados de Natal – como o da foto realizado na ribeira a poucos metros da Tate Modern - com direito a barraquinhas de madeira, artigos de artesanato, salsichões, doçaria, as famosas casinhas de pão de mel, biscoitos de gengibre, e vinho quente - que a moçada não é de ferro e precisa se esquentar!
fotografia Moacir Pimentel

Há algo especial, prazeroso mesmo, no desconforto das roupas lutando contra o frio, na novidade, no desafio, na maior necessidade de calor humano das aventuras invernais(rsrs) São os obstáculos e os percalços que fazem as melhores viagens e as mais memoráveis histórias.
Continuaremos a caminhada na próxima...


06/10/2019

Um livreiro à moda antiga

fotografia WBJ


Wilson Baptista Junior
Hoje em dia é muito fácil comprar pela internet, tanto procurar o produto quanto fazer o pagamento e receber a compra em casa. Já se tornou coisa rotineira.
Em compensação temos uma completa impessoalidade na relação cliente/fornecedor e ocasionalmente dificuldades se por acaso a compra não nos satisfizer ou o produto vier com defeito.
Mas, nem sempre...
Teoricamente aposentado, depois de muitos anos como executivo, consultor de empresas e professor, trabalho de vez em quando com traduções e versões de vários tipos para a empresa especializada em linguagens de um de meus sobrinhos, a Fale Alfa.
Semanas atrás, tendo que verter para o inglês com prazo curto alguns documentos contábeis (traduções certificadas, onde o tradutor assume responsabilidade civil pela exatidão de um trabalho que pode ter utilização legal), senti falta, para maior segurança, de um dicionário de contabilidade português/inglês.
Achar um dicionário destes inglês/português é fácil, a necessidade do mercado já produziu diversos, e também a minha vida em empresas me deixa bastante à vontade em entender demonstrações financeiras em inglês. Mas o contrário já é, como costumamos dizer por aqui, “outra conversa”.
Depois de procurar um bocado só consegui achar um que me pareceu resolver, mas infelizmente era uma edição esgotada. Como costumo fazer nesses casos recorri ao site “Estante Virtual”, bem conhecido, que reúne informações sobre o acervo de diversas livrarias e sebos. Bingo! lá estava o livro. Entre as poucas opções encontradas, nenhuma das quais minha conhecida, escolhi a oferta de uma livraria chamada Rio de Letras e fiz pelo computador a compra e o pagamento.
Passado o prazo normal, o correio entregou um pacote muito bem embrulhado em papel pardo, que a Ana recebeu quando chegava em casa e me trouxe.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi o endereçamento manuscrito, numa caligrafia segura que hoje não se encontra mais por aí.

A segunda coisa foi a falta da nota fiscal de venda, que geralmente vem colada do lado de fora do pacote.
Depois de retirar o papel de embrulho, meticulosamente selado com fita adesiva, encontrei o livro num saquinho plástico fechado, para evitar qualquer problema de umidade no trajeto. Mas antes do envelope havia um bilhete, também manuscrito:
“Prezado Wilson, bom dia! Este livro (é) brinde. Peço desculpas pois não tenho mais este livro no meu acervo, desta forma estou fazendo o ressarcimento do valor pago pelo livro. Dentro deste livro que fica como brinde está a quantia de 17,00 reais referente à devolução. Renovo minhas desculpas, estou à disposição para qualquer dúvida. Atenciosamente, Amorim”
Seguia-se o número de um telefone celular, que deve ser o do senhor Amorim.

O livro enviado era o da fotografia que abre este post. Com o dinheiro entre as suas folhas. Tive a curiosidade de verificar, não encontrei outro exemplar à venda cá pelas nossas terras.
Fiquei algum tempo olhando para o livro e o bilhete, e pensando que dos dezessete reais pagos e agora recebidos de volta, dez eram pelo livro e sete pelo frete. O livreiro, de quem eu nunca tinha sido cliente antes e que nunca tinha me visto, teve o trabalho de escolher um de seus livros, embalar com todo o cuidado e mandar para mim gastando de frete quase o preço do livro encomendado para me devolver a totalidade do que eu tinha pago, quando poderia simplesmente ter devolvido o dinheiro sem custo através do banco.
Uma atenção que já não se encontra mais e que me lembrou alguns antigos livreiros que tive a sorte de conhecer, como o senhor Van Damme, dono de uma livraria que infelizmente já fechou mas marcou gerações de leitores da minha cidade, o velho senhor Amadeu do sebo famoso que ainda leva o seu nome, e outros de velhas livrarias daqui.
Peguei meu telefone e mandei uma mensagem para o senhor Amorim, agradecendo a atenção e dizendo de minha alegria de encontrar um livreiro da velha escola.
O livro parece muito interessante, pelas primeiras páginas que já li. Um tratado extenso do uso de ervas na medicina tradicional chinesa, com boa indexação cruzada entre as ervas e as doenças que são usadas para curar. Quem sabe com ele podemos ter a esperança de seguir pelo chang shou dao, o “caminho da longa vida” dos chineses? 
O tempo dirá.


02/10/2019

Paixão antiga

Paul Klee - Vista de Kairouan (1914)


Ana Nunes

Hoje vou falar de paixão antiga porque fui a uma bela exposição de Paul Klee, paixão minha desde que fomos apresentados. Exposição de nome Equilíbrio Instável, bem climatizada com duas portas em cada saída e entrada, onde uma só era aberta depois de fechada a outra, para manter a temperatura.
Tivemos sorte, o Mano e eu, de chegarmos lá numa tarde de quinta feira, tudo vazio e fresquinho e escuro. Vi tudo, li quase tudo e voltei maravilhada. Celebrei com Heineken!
Lá fiquei sabendo do Paul Klee músico, filho de músicos, que com sete anos começou a tocar violino. Aos onze era membro honorário da Sociedade de Música de Berna.

Bem novinho a avó Anna Catharina, ilustradora de livros, colocou lápis e pincéis em suas mãos. O que fez surgir lindos desenhos pequenos como suas mãos. Guardados pela irmã passaram por muitas outras mãos até chegarem aqui para meu deleite. São traços delicados a lápis em pequenos formatos, cheios de detalhes e movimento. Tem almoço em família, tem carroça pioneira puxada por cavalo. Lógico, me lembrei dos netos. E amei ainda mais esses desenhos infantis. Preciosidades.

Paul Klee - Desenhos (1883 / 1885)

Com suas duas artes, e música e os desenhos e pinturas, Paul Klee se atormentou pela vida afora. Diversas vezes largou uma pela outra. E de outra vez largou as duas por um sabático pelos bares e mulheres. Vida e boemia. “...disse interiormente adeus à literatura e à música. Deixei de me esforçar para adquirir uma experiência sexual refinada neste caso particular. Praticamente não penso nas artes plásticas, só quero cultivar minha personalidade”, palavras suas escritas no seu Diários.

Paul Klee - desenho (1925) / Esboço para aula (década de 1920)

Vale a pena ler suas opiniões sobre a música, apogeu e decadência segundo ele, que não se interessava pelos novos compositores, ignorando Schönberg e seu círculo.
Num concerto conheceu a pianista Lily Stumpf com quem se casaria depois desse tempo de esbórnia(!) Com ela tocou em diversos concertos e festas e teve um filho, Felix. Por um bom período foi “dono de casa” cuidando dele e das tarefas domésticas. O que, com certeza, travou sua criação artística levando-o a um desenvolvimento tardio. Mas com Felix certamente descobriu a delicadeza e a simplicidade nos desenhos. Mas se pensarmos em infantilidade e ingenuidade nos seus trabalhos estaremos nos enganando. Por trás deles existe um homem estudado, viajado, conhecido de Seurat, Matisse, Derain, Toulouse Lautrec, Edvard Munch, James Ensor. Mais tarde Kandinsky. E Picasso e os cubistas. Admirava e reconhecia a importância de Paul Cèzanne mas não chegou a conhecê-lo. Deve ter sofrido boas e belas influências desses artistas todos porque ninguém passa incólume por essas artes admiráveis. Estudou com Macke a teoria da cor de Robert Delaunay.

Passeou pelas águas-fortes num ciclo de onze gravuras chamadas Invenções. Leves, delicadas e estranhas. Segundo li na exposição “a série reflete sua visão cética de mundo e seu desdém pelo código de conduta burguês próprio daqueles anos.”

Paul Klee - Fênix Envelhecida (1905)

No meu gosto e afeto Paul Klee ganha o mundo com suas aquarelas feitas na Tunísia.

Klee ensaiava nas cores a sua arte. Mas sabia do caráter artificial delas porque ainda não era a sua criação. A viagem ao oriente veio lhe dar essa autonomia tão desejada. No diário, mais tarde publicado, escreveu: “Fico possuído pela cor; não preciso de ir à procura dela. Ela possui-me para sempre, sei-o.”
Para mim lá ele produziu seus mais belos trabalhos, com a sobreposição de cores, transparência e leveza das aquarelas.
Numa de suas últimas obras na viagem, As Portas de Kairouan, teve a certeza de ter se tornado pintor. Segundo ele, nela conseguiu se afastar do objeto e abstrair-se dele.

Paul Klee - Ãs Portas de Kairouan (1914)




Paul Klee - No Estilo de Kairouan (1914)

Na Primeira Guerra Mundial Klee perdeu Mack, seu companheiro de viagem. Também Franz Marc, um grande amigo. Ao contrário de seus amigos perdidos serviu durante a guerra como oficial. Nesta época Klee tornou-se socialista apesar de um certo ceticismo. Falava de si como “globalmente revolucionário”. Segundo suas palavras falando do socialismo disse que não lhe “seria hostil, pois é o único movimento honesto”.
Ainda nesse período integrou a Bauhaus que reunia a antiga Escola Superior de Belas Artes e a antiga Escola das Artes Decorativas. Foi uma tentativa de agrupar os vários ramos da arte. Lá estudou seu filho Felix que mais tarde viria a se tornar diretor de ópera onde ironizava e brincava sobre a vida na Bauhaus. Klee criou fantoches maravilhosos que estavam na exposição a que fui, ricos, criativos, parecendo feitos com materiais recicláveis. Deles se utilizou Felix para essas encenações.

Paul Klee - Marionetes Para Meu Filho (1916 - 1925)

Ainda vi sua série de anjos alados muito loucos. Me pareceram influências do cubismo em suas formas fragmentadas.

Paul Klee - Anjos (1939)

Depois de Túnis, onde começou a se abstrair do objeto, foi ao Egito. Mas relatou em carta para Lily que as experiências de lá não eram tão puras quando as de Túnis.
Daí partiu para quadros muito abstratos, de linhas e quadrados coloridos. Por essas minhas bandas muitos professores e artistas beberam nessa fonte. Normal! Com certeza também eu bebi nessa fonte de água pura chamada Klee.

Paul Klee - Tapete - Caminhos Principais e Caminhos Secundários (1929)

No final de sua vida foi acometido pela esclerodermia, doença autoimune degenerativa que ataca tecidos conjuntivos, a pele e às vezes órgãos internos. Mas não abandonou sua arte. Usava pincéis com espontaneidade. “...simplificação técnica de um lúdico encantamento com o grotesco”. Certamente lúdico mas nem tão grotesco. A sua pintura Flora no Rochedo é linda de nome, de cores e de grafismos. Amo Paul Klee! Em qualquer fase onde esteve!

Paul Klee - Flora no Rochedo (1940)

Paul Klee nasceu e morreu em Berna, na Suíça, em 1879 e 1940 respectivamente.
E assim, ainda cheia de coisas por dizer, vou guardar meu livro de folhas soltas de tão folheado, rasgar minhas anotações e reler o Diários (que foi escrito na intenção de ser publicado) onde Paul Klee coloca, entre outros textos, as cartas que escreveu para Lily durante sua vida. 
Só para ficar mais perto.

Paul Klee - Ad Parnassum (1932)

Será influência do pontilhismo de Seurat?





29/09/2019

A decepção

Desenho do Alpino


Francisco Bendl
Várias são as situações que nos decepcionam, que nos deixam tristes, que nos tiram o ânimo não só daquele dia como de muitos que ainda estão por surgir.
Refiro-me a um desses momentos ruins quando não somos compreendidos, quando não nos entendem, quando recebemos críticas infundadas e até mesmo injustas.
Por que as pessoas se arvoram na condição de julgadoras do comportamento alheio?
Por que uns e outros têm predileção por apontar nossos erros, enquanto possuem iguais defeitos?
Trata-se de uma tática para que não venham à tona suas falhas?
Ou é melhor criticar do que ser criticado?
A verdade é que a Internet, além de nos ter proporcionado a fantástica facilidade de comunicação, trouxe consigo a exigência de que devemos explicar muito bem o recado a ser deixado.
Devemos selecionar as palavras, as expressões, de modo que não sejam motivos de respostas agressivas e insultuosas, pois uma vez rompida essa linha tênue de amizade que atualmente delimita o nível dessa relação amistosa, adeus amigo ou amiga.
Para recuperar o mesmo nível de confiança perdido ou a amizade abalada será um longo caminho, nem sempre retomado mesmo após várias tentativas.
Especificando melhor as generalidades que mencionei acima, tenho sempre corrido o risco de conseguir inimizades e ofensas com os comentários que registro em um blog, que aborda principalmente temas políticos.
O assunto por si só já acarreta polêmicas, debates, discussões mais acaloradas, e não raro parte para o terreno pessoal, quando se perde as estribeiras e o pau come!
Não sou de levar agressões sem respondê-las à altura do nível empregado pelo ofensor, mas não mesmo. Se eu puder devolver os insultos com maior agressividade vou dar um jeito pois nós, os gaúchos, sempre alertamos que “não me pisem no pala”, pois haverá reações muito maiores.
Todavia, quando se deixa de lado o aspecto político e se adentra no campo pessoal, praticamente não existe mais como se retornar ao tema anterior com a mesma normalidade, naturalidade, pois houve comprometimento de uma relação se não amistosa, pelo menos virtual, e que exigia também respeito e educação de ambas as partes.
Evidentemente que esses episódios e corriqueiros estressam, cansam, decepcionam, em face de uma colocação mal feita ou de uma opinião mal escrita, e que geraram encrenca e desentendimentos sem necessidade alguma.
Fazer o quê?
Não responder às provocações?
Manter-se imune ao calor do momento, da discussão?
Mostrar-se superior ao oponente?
Ou partir para a briga por que é insustentável a posição de inatingível?
Claro, cada pessoa tem o seu temperamento, as suas reações, o seu modo de pensar, a ponto que talvez o certo fosse desconsiderar o impulso de se criar polêmica, mas... e o sangue fervendo?
A raiva incontida?
O desejo de se ser mais ainda contundente, incisivo?
De se mostrar mais valente e corajoso que o outro lado?
Há o outro lado, entretanto, da decepção, da frustração:
Promotora de desenvolvimento!
Criamos resistências psicológicas para decepções mais graves, fortalecemos nosso aparato de suportar desafios que se traduzem tanto em derrotas quanto vitórias.
Porém, diz a experiência de setenta anos de vida que devemos estar ligados aos nossos valores, desejos, interesses, menos aos resultados que as decepções podem nos ocasionar.
O conflito interno que se estabelece entre a decepção com a motivação que temos por conta daquilo que acreditamos, de nossas convicções, certezas, devem suplantar os episódios que nos abalaram, a tal ponto que deixam de ser remoídos desnecessariamente, pois como diz a letra de uma célebre canção brasileira:
“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima,” samba imortalizado pela notável e saudosa Beth Carvalho!
Se houvesse como, certamente deveríamos seguir a orientação do gaúcho Mário Quintana, poeta famoso e extraordinário:
“Se eu pudesse eu pegava a dor, colocava dentro de um envelope e devolvia ao remetente!”
O problema é que as soluções mais simples são incompatíveis com a realidade, na maioria das vezes.
Agora, se eu ganhasse um real por cada decepção que sofri e que causei, lógico, eu estaria decepcionado em Paris (alô Pimentel)!
Por outro lado, quando me vejo decepcionado porque sucumbi às discussões políticas – então razão tem o Mano que não permite esse tema no seu blog -, volta e meia me lembro de uma frase que não sei o autor, e que retrata fidedignamente como devemos reagir:
“Não existe decepção maior que esquecer de agitar o Toddynho antes de beber.”
Enfim, até a filosofia se mete nas decepções, inacreditavelmente!
Diz assim:
“Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor” (frase pedante e presunçosa).
Dito isso, lá vou eu de novo arranjar encrenca no blog político, haja vista que, se a cada decepção eu aparelho melhor o meu sistema de defesa, nada como uma boa briga verbal, pois não se tem como ir às vias de fato, como se dizia na minha época porque depois deste texto renovei as minhas forças para CAUSAR e sofrer mais decepções.

(Autoria desconhecida)
  
Sadismo?
Masoquismo?
Nada!
Simplesmente DIVERSÃO!






25/09/2019

Os leões de Londres

fotografia Moacir Pimentel


Moacir Pimentel
Quem já assistiu o filme Nunca te Vi, Sempre te Amei e/ou visitou a praça de nome Trafalgar Square, aquela que tem o nome da batalha que vitimou o Almirante Horatio Nelson, reconhecerá tanto o cara lá no topo da coluna rodeada pelos seus quatro leões quanto alguns flashes da abertura do filme.
A essa altura da narrativa, você já terá percebido o quanto me é simpática a paisagem com a qual a protagonista Helene se deparou, maravilhada, da janela de um táxi quando desembarcou na cidade dos seus sonhos pela primeira vez para tratar de “assuntos inacabados” e se deliciou com algumas das dez mil estátuas de leões que moram naquelas paragens. Isso mesmo: dizem que, sem contar com os do zoológico, Londres possui uma impressionante coleção de milhares de estátuas de leões (rsrs)
Os mais famosos leões londrinos e, possivelmente, do mundo, são justamente os quatro da Trafalgar Square que, cercando a Coluna de Nelson, são objeto de milhares de fotos turísticas todos os dias. Eles também são conhecidos como os Leões Landseer em homenagem ao escultor, Sir Edwin Landseer.
fotografia Moacir Pimentel

Mas o maior de todos os felinos de Londres, com mais de dez toneladas, é o leão branco da Ponte de Westminster que, coitado, tem uma cara de profundo tédio. Pudera! Não deve ser nada fácil para um leão de respeito que começou a sua vida profissional vendendo cerveja no topo da Cervejaria Lion, viver ali parado em uma das esquinas da ponte, com a bunda virada para a Roda Gigante.
Na realidade a Cervejaria Leão fechou em 1924 mas o prédio só foi demolido em 1949, para abrir espaço para a construção do Royal Festival Hall. Dizem que o bicho foi salvo do mesmo triste destino e preservado para a posteridade por ordem do rei George VI. O certo é que, quando foi removido, descobriu-se que era um leão de nobre estirpe pois debaixo de uma de suas patas estavam escondidas a data do seu nascimento - 24 de maio de 1837 – e as iniciais WFW, que traduzidas significam um dos melhores escultores ingleses do século XIX: William Frederick Woodington.
De nada adiantou o pedigree. Infelizmente e em seguida o leão foi pintado de vermelho para servir de leão propaganda dos serviços ferroviários britânicos e deixado perto da Estação de Waterloo. Até que um dia a estátua foi restaurada, recuperou a brancura da pedra original e foi instalada no atual pedestal de granito em Westminster.
The Red Lion - fotografia Donjay (Wikimedia Commons)

Trata-se de um felino literário mas é provável que Helene Hannf o tivesse esnobado porque foi descrito em um conto do escritor francês Émile Zola que, em 1893, hospedado no Hotel Savoy do outro lado do rio, ficou impressionado e descreveu a bela fera nos seguintes termos :
“O meu leão britânico está lá imóvel, esperando para me desejar um bom dia”.
Outro leão de estimação dos londrinos cochila em cima da porta de entrada da casa de leilões Sotheby's na Bond Street. Dizem que a escultura do bicho na verdade retrata Sekhmet, uma deusa egípcia, e que seria a estátua ao ar livre mais antiga de Londres pois remonta a cerca de 1320 aC. Como é que um leão de três mil anos de idade foi terminar na Bond Street?
Diz Dona Lenda que, em 1880, a escultura foi vendida por uma bagatela em um dos leilões da Sotheby's, só que o comprador nunca a levou para casa e o leão comeu poeira no porão por algumas décadas antes de ser instalado em morada de tanto prestígio.
Mas se Zola tinha, porque não haveria eu de ter meus leões preferidos? Por acaso, eles também moram no rio Tâmisa. Sempre que estamos em Londres perambulamos por ambas as margens do rio, para cima e para baixo. Nenhum passeio é melhor do flanar ao longo daquelas amuradas ou andar de barco, pelas águas do Tâmisa, embora no inverno possa fazer algum frio por causa do vento.
E foi na região que os nativos chamam de Embankment ou de South Bank - ou seja na ribeira sul do rio - que, há muito tempo, numa manhã de inverno fria e nublada, nos deparamos com a primeira de muitas belas cabeças de leão segurando aros nas bocarras de bronze, cada uma delas alinhada com um lampião para chamar de seu.
fotografia Moacir Pimentel

Quando cheguei ao hotel perguntei ao concierge se aquele bando de leões enfileirados, encarando o rio com anéis pendendo das bocas, tinha algum significado. É claro que tinha! Disse-me ele que os aros serviam para os pescadores amarrarem seus barcos mas que as cabeças e aros dos leões serviam também para monitorar o nível d’água do rio, tanto que a superstição na cultura popular inglesa diz que: “Quando os leões beberem água, Londres afundará”.
Os leões foram esculpidos por Timothy Butler, entre 1868 e 1870, para as obras de terraplenagem e esgoto do engenheiro vitoriano Sir Joseph Bazalgette que realmente calculara que Londres correria risco de inundação se a água do Tâmisa , algum dia, alcançasse os anéis nas bocas dos prezados leões. Sei que os meus são leões menores, feiosos, detalhes desimportantes da cidade. Mas é deles que gosto e fazer o quê?
Também tenho consciência de que uma viagem pelo inverno europeu para a maioria das pessoas é uma péssima ideia. Definitivamente o mês de dezembro, de céus geralmente de um cinza espesso de nuvens e de um frio enregelante que, em vez de só arrepiar, faz até os nativos conversarem batendo os dentes, não é o momento ideal para se agendar sonhos. Sucede que às vezes não temos escolha pois costumamos passar alguns Natais na t’rrinha com a família de minha mulher. E acontece que gostamos de Londres no inverno, serena, bela e fria e fora da lista dos destinos turísticos favoritos.
fotografias Moacir Pimentel

É quando a cidade pode ser vista como realmente é, sem a maquiagem do verão, sem produção, sem qualquer coisa além do ritmo silencioso dos londrinos vivendo as suas rotinas diárias.
Em Londres não se precisa comprar ingresso para por os olhos nas melhores paisagens. Na verdade, só se precisa é de pernas. Essa cidade fantástica, com certeza, não é o lugar mais barato do mundo, mas naquelas paragens há muitas coisas que se pode fazer de graça, como caminhar à beira do rio, subir as colinas, visitar os parques reais ou os museus sem dar adeus a nenhum centavo.
Da estação de Charing Cross, por exemplo, até a ponte de Waterloo e depois na direção do Royal Festival Hall e da ribeira sul se faz um passeio agradável. Essa ponte inaugurada em 1817 cruza o rio em uma curva, e nos presenteia com as mais magníficas vistas: de um lado a cúpula da Catedral de São Paulo, ladeada por modernos arranha-céus, e do outro a visão de conto de fadas do Big Ben, das Casas do Parlamento.
Essa parte da ribeira foi aterrada, tanto é que é conhecida pelo nome de Victoria Embankment ou o Aterro de Vitória. Esse calçadão situado à beira do rio Tâmisa, decorado por alguns  jardins e belos bancos antigos é o ponto de partida para as melhores atrações da cidade, todas muito próximas. Fizemos muitas descobertas enquanto explorávamos suas imediações, como por exemplo as casas onde moraram Benjamin Franklin e um dos meus escritores prediletos: Herman Melville.
Descendo ou subindo o aterro a partir do Big Ben, se pode alcançar em quinze minutos de caminhada tanto a Ponte da Torre quanto o Palácio de Buckingham. É divertido caminhar ao longo do rio, parar para olhar para os barcos e o conjunto de edifícios e fotografar do outro lado das águas, os cento e trinta e cinco metros de diâmetro da London Eye, ou Olho de Londres.
fotografias Moacir Pimentel

Adicionada ao horizonte londrino mais recentemente a Roda Gigante, conhecida também como a Roda do Milênio, tornou-se obrigatória por causa  das excelentes vistas que oferece da área central da cidade. Uma volta completa na geringonça leva cerca de trinta minutos, tempo suficiente para fotografar tudo e mais alguma coisa.
Mas vamos deixar para ver os novos flashes de “mais alguma coisa” na próxima conversa.