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28/02/2018

O GALO E A BARRICA – Uma ode em três capítulos - Fim

III – A Retomada de Angola
Mapa de Angola da época (Domingos Ferreira)

Domingos Ferreira
A terra angolana foi avistada ao amanhecer, oito semanas após a saída do Rio. A aproximação foi rápida, com mar e vento favoráveis. As caravelas passaram para a testa do grupo, com o galeão capitânia logo atrás, para maior segurança na aterragem. Tomaram rumo norte e navegaram paralelo à costa, buscando identificar alguma referência de posição, o que só ocorreu no dia seguinte. Tinham avistado a pequena baía, onde o “Príncipe Real” lançara o pessoal para obter informações sobre o inimigo, na ida para o Rio. Ali, os navios amainaram os panos e fundearam.
Uma reunião ocorreu na câmara do navio capitânia, naquela mesma noite. Salvador de Sá queria inteirar-se da situação dos navios e da tropa e acertar as últimas providências. Além dos comandantes e do sargento-mor, estava presente o bispo D. Manuel. Os assuntos referentes ao desembarque e ao cerco e tomada de Luanda foram tratados com o detalhamento necessário. Havia uma grande preocupação em manter a tropa sempre unida, para evitar que contingentes isolados caíssem nas mãos de nativos antropófagos, aliados dos holandeses, como ocorrera em 1645.
Tudo esclarecido e acertado, Salvador de Sá passou a palavra ao bispo para rezar pelo sucesso da operação e abençoar os presentes. Antes de ter início a invocação, o galo cantou e a figura de D. Fernando se materializou, com meio corpo fora da barrica, para grande susto dos que o desconheciam. Ele foi saudado por Salvador de Sá com uma reverência. O bispo o chamou pelo nome e cargo que exercera e atribuiu sua presença a desígnios divinos, sinalizando com a vitória na retomada de Luanda.
D. Fernando, que acompanhara atentamente as discussões, tomou a palavra e emocionou a todos ao lembrar-lhes o desaparecimento do rei D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, em 1578. Ressaltou ainda que tal sacrifício, na defesa dos interesses portugueses no continente africano, deveria norteá-los na luta a ser travada nos dias seguintes. A seguir, o bispo prosseguiu com as orações, acompanhado piedosamente por todos. A benção final ocorreu entre vivas entusiasmados a Portugal, a D. Sebastião e a El-Rei D. João IV, cujo refrão era “Jesus, São Tomé, Ave Maria!!!”
A concepção do ataque a Luanda era simples. A maior parte da tropa iria desembarcar pela manhã e marchar sobre a vila, de modo a alcançá-la na madrugada seguinte. Seus segmentos deveriam se posicionar para cercá-la, impedindo o contato dos moradores com o interior da região. A movimentação dos navios se daria após o desembarque da tropa, de modo a amanhecerem em frente à Luanda. O bombardeio dos fortes e dos navios artilhados no porto teria início a um sinal do capitânia. O casario seria o alvo seguinte, se necessário. Esperava-se surpresa total do inimigo.
Contudo, a movimentação da tropa alertara a população da vila e, na manhã de 12 de agosto de 1648, Salvador de Sá foi recebido pela artilharia dos dois fortes e dos navios fundeados. Porém, o tiro deles, curto e desregulado, facilitou o posicionamento dos navios invasores fora de seu alcance. A resposta da bem treinada força naval lusa foi devastadora. Os canhões inimigos foram calados, um a um, naquele mesmo dia. Nenhum navio português foi atingido. A pólvora chinesa valera mais uma vez.
Após uma tentativa de negociação frustrada, no dia seguinte foi realizado um assalto da tropa aos fortes, onde os holandeses haviam se recolhido. Sua violenta reação surpreendeu os portugueses, causando-lhes mais de uma centena de mortes e muitos feridos. Como resultado, o cerco por terra e o bloqueio por mar estacionaram. Isso beneficiaria os holandeses, que aguardavam o retorno de metade de seu contingente, enviado para atacar um enclave luso em Massangano, resistente a eles desde sempre.
Esse quadro só mudou com o apoio da tribo Zimba, inimiga dos canibais Jagas, e chefiada pela astuta rainha Malili. Ela preferia negociar escravos com os lusitanos em vez de holandeses, pelos quais se sentia destratada. Além disso, uma de suas filhas se unira a um português, o Jacinto, e lhe deram três netos. Por sorte, seus guerreiros interceptaram os mensageiros dos inimigos sitiados em Luanda, com instruções para seu contingente no cerco a Massangano retornar com urgência.
Além disso, o incansável Salvador de Sá montara uma “ruse de guerre” para enganar os inimigos. A tropa lusa restante a bordo e os artilheiros foram mantidos nos conveses, enquanto fosse dia, em constante movimentação, com bandeiras e estandartes, ao som de tambores e cornetas. Com isso, os inimigos se convenceram da existência de um grande contingente português pronto a desembarcar.
Esse fato, somado à ausência dos seus reforços e à artilharia destruída, levou os holandeses a se renderem poucos dias depois, quase sem luta, quando concluíram não poder mais romper o bloqueio. As condições da rendição os autorizavam a enviar seus tumbeiros para os portos de destino, com cerca de dois mil escravos. Foi-lhes ainda concedido manter bandeiras e estandartes, após entregarem armas e munições.
Dom Salvador Correia de Sá e Benevides entrou vitorioso em Luanda, em 24 de agosto de 1648, seguido por seus capitães, o ex-bispo de Goa, vários padres jesuítas, e os burocratas para a administração da colônia retomada. Alguns dias depois, o fidalgo holandês, Mauritius van der Haagen, delegado da Companhia das Índias Ocidentais , transmitiu-lhe o cargo de governador de Angola, em cerimônia na praça de Luanda, com as honras das tropas portuguesa e holandesa. Salvador de Sá ficou em Luanda até julho de 1651, quando voltou ao Rio de Janeiro, que ainda governou de 1660 a 1662.
O “Príncipe Real” escoltou até Lisboa os navios apreendidos que transportavam os derrotados holandeses. Eram duas naus e três urcas, abarrotadas de gente. Os demais foram incorporados à força portuguesa, com nomes lusos, o menor deles chamado “Rainha Malili”. A câmara do capitão Nuno voltou à rotina de conversas entre ele, D. Manuel e D. Fernando, na barrica. Elas eram menos frequentes, pelo cansaço de todos, inclusive do galo. Os assuntos ficaram mais amenos, após a euforia da vitória. Havia um tom de nostalgia, em especial ao abordarem o destino final do ilustre falecido.
O aguerrido “Príncipe Real” entrou no Tejo, com suas presas, após oito semanas de mar, em que rijos alíseos os forçaram a orçar até os Açores, para ganhar barlavento em demanda a Lisboa. Houve uma grande celebração na capital, festejando a reconquista de Angola. O capitão Nuno, o bispo D. Manuel, o ex-governador D. Fernando, em sua barrica, e o galo, foram hospedados no Paço da Ribeira. Celebrou-se um “Te Deum” na Capela Real. O rei D. João IV ordenou Nuno como “Cavaleiro da Ordem de Cristo”, em cerimônia no Grande Salão, na presença do Conselho Ultramarino e de toda a corte.
Passados alguns dias, a barrica, com D. Fernando, foi embarcada em um palhabote, o “Santa Mãe de Deus”, que suspendeu para o Porto, com Nuno, o bispo D. Manuel e o galo a bordo. Naquela cidade, transferiram-se para um “barco rabelo”, adequado à navegação no Douro, e seguiram rio acima. Passaram pelo belo por do sol da região de Chamadouro, e atingiram a foz do afluente Côa, no qual navegaram até os contrafortes da serra da Estrela. As últimas dez léguas, até a vila de Belmonte, incluíram vencer a serra, só possível em mulas e num forte carro de boi.
O enterramento do corpo do fidalgo Dom Fernando de Souza Álvares, governador de Macau e tio do capitão Nuno de Noronha Álvares, finalmente ocorreu na terra natal de ambos. A população de Belmonte compareceu em peso, em homenagem ao filho ilustre, descendente do grande Pedro Álvares Cabral. O milenar cemitério, em terraço sobre o vale do rio Zêzere, abrigava romanos, visigodos, sarracenos, bretões, gauleses, normandos, espanhóis e os valorosos descendentes de todos eles, os portugueses, destemidos descobridores do mundo. O oficiante foi o amigo do falecido, bispo D. Manuel de Castello Branco, nascido na cidade próxima de mesmo nome, com jurisdição sobre a vila de Belmonte.
O galo, empoleirado na barrica vazia, no carro de boi, a tudo assistiu em silêncio, tendo o vasto horizonte da terra lusitana ao redor. A barrica, refinada peça da marcenaria chinesa, foi zelosamente guardada em uma pequena capela, dedicada a Nossa Senhora dos Navegantes, nas proximidades de Belmonte. Junto a ela, dentro das mais cultuadas tradições lusas, foram postadas a imagem da Virgem e a lamparina, retiradas da câmara do valoroso galeão “Príncipe Real”.
Todos esses fatos notáveis entraram para o folclore regional. Daí, foi criada a figura do “galo de barrica”, em metal, encarapitado nos telhados, com olhar desafiador para o futuro, ou em loiça, no aconchego das casas das altas terras beirãs da Serra da Estrela e cercanias.
Galo de barrica português, em loiça (imagem Wikipedia)

Nuno e seu galo retornaram à vida aventurosa dos sete mares. Isso durou até o bravo capitão, em uma escala em Salvador, cair de amores por Filomena, ou Nhá Filó, mulata baiana de olhos verdes, de puro feitiço. Tiveram nove filhos, com muitos Álvares descendentes neste imenso Brasil, O galo abrasileirou-se de vez, como seu dono, e escapou da panela. Morreu de velho, feliz, em permanente miscigenação com galinhas soteropolitanas, na chácara de Nuno, no Rio Vermelho.
De frente para o mar...


17 comentários:

  1. Wilson Baptista Junior28/02/2018 09:10

    Domingos, uma verdadeira aula sobre a retomada de Angola e a marinha portuguesa, que prende o leitor até o fim, escrita de modo muito mais interessante do que as que lemos nos livros, com a parte naval contada como só um marinheiro de muitos mares e muitas noites de conversa com Vênus seria capaz, e coroada por uma nova versão, bem mais divertida, da origem do Galinho de Barcelos, que em toda casa portuguesa com certeza ( ou, como a nossa, de filha e neta de portugueses) está sempre nos guardando em algum lugar.
    Queremos mais...
    Um abraço do Mano

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    1. Amigo Mano
      Muito obrigado por suas palavras. De fato, tive muito trabalho para juntar todas as pontas da história, por si só bastante abrangente. Além disso, também sou descendente direto de portugueses, que policiam os textos e me cobram fidedignidade em longas conversas de copa e cozinha. Além disso, tenho duas centenas de colegas (ainda bem)que estão atentos aos fatos marinheiros, cobrados em almoços e reuniões de turma, ou por e-mails...
      No fundo, fico emocionado e agradecido a todos. Vale a pena. A propósito, o próximo texto será sobre "Os Lusíadas", na visão de um marinheiro moderno.
      Um grande abraço.
      Domingos.

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    2. Estimado Mano
      Hoje mais cedo, enviei para você um texto agradecendo e comentando suas observações sobre este artigo. Contudo, tive de me ausentar e, ao retornar para continuar o diálogo com os demais amigos, parece-me que houve algum problema na remessa. Você o recebeu?
      De qualquer maneira, reitero meus agradecimentos e repito a informação de que o próximo artigo que enviarei aborda "Os Lusíadas", sob a ótica de um marinheiro de hoje.
      Um grande abraço
      Domingos

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    3. Wilson Baptista Junior04/03/2018 20:13

      Caro Domingos,
      Foi publicado sim, aliás logo acima do seu mais recente. Se você conseguir ler este, verá o outro.
      Um abraço do Mano

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  2. Moacir Pimentel28/02/2018 18:09

    Prezado Domingos,
    Muito obrigado por essa tri-história tão bem contada. Folgo em saber que o Nuno e o galo se deram tão bem com as soteropolitanas (rsrs) Porém você sabe que em vez de navegar sou caminhante. Então vou OUSAR comentar que a Serra da Estrela - onde minha senhora tem familiares que visitamos amiúde - também guarda registros históricos de quando foi Sefarad, o nome judeu para a Península Ibérica. Expulsos que foram, em 1492, de Espanha muitos judeus fugiram para Portugal. Alguns anos depois o rei português da vez, D. Manuel, também decidiu correr com os sefarditas mas como não queria perder muitos produtivos súditos, inventou a tal conversão forçada dos judeus. Foi assim que surgiram os cristãos-novos e/ou os criptojudeus, aqueles que mesmo "convertidos", mantiveram suas tradições.
    A cidade de Belmonte é um marco importante dessa história , a de um povo que sobreviveu durante séculos porque praticou clandestinamente, entre suas paredes, a sua fé. Nas ruelas da sua antiga "judiaria" sempre tenho a sensação de ter voltado no tempo, para os idos dias do século XVI, quando os "fiscais da fé" da Inquisição faziam a habitual inspeção para verificar se os cristãos-novos estavam tendo recaídas, o que era motivo de severa punição. Ficavam muito satisfeitos ao ver os embutidos, os deliciosos chouriços , pendurados em varais nos pátios, significando que os habitantes daquela casa consumiam carne de porco. Mas os espertos criptojudeus, em vez, se deliciavam era com os enchidos de carnes de caça que hoje são conhecidos como "alheiras", umas maravilhas que a gente come chorando. (rsrs)
    Somente na década de 90 os judeus de Belmonte saíram do armário para frequentar uma sinagoga mas ainda hoje cristãos e criptojudeus são enterrados em lados opostos no cemitério da cidade. Como você sabe a família Cabral era a dona do pedaço - Castelo, Solar, Mausoléu e até mesmo de um brasão caprino. Sim, diz Dona Lenda que Pedro Álvares Cabral e seu genro Fernando de Noronha -e vai ver que até o prezado Dom Fernando - provavelmente eram descendentes de cristãos-novos. Ela também jura de pés juntos que, de uma outra ancestral comunidade de comerciantes e mercadores judeus da Covilhã, descendia o primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Sousa, esse supostamente um judeu oculto mas praticante, que sabemos ter nascido na Póvoa do Varzim.
    Confirmar, que é bom, Dona História só confirma que o Mestre de Aviz, o futuro rei D. João I, teve duas filhas e um filho ilegítimos com uma belíssima judia de nome Dona Inês Pires Esteves, filha de Pêro Peres Esteves um sapateiro oriundo de Castela que, coitado, quase morreu de desgosto tendo que assistir, na cidade serrana da Guarda, ao louco amor da sua única herdeira com um cristão. Dizem que o homem nunca mais fez a barba para poder com ela esconder a vergonha na cara, tanto que ganhou o apelido de "O Barbadão" (rsrs) Mas é fato histórico fartamente documentado que Inês foi a mãe de Afonso, aquele que viria a ser o oitavo Conde de Barcelos - onde um galo morto teria cantado para livrar um inocente da forca, mas essa é outra conversa - e o primeiro dos Duques e o fundador da poderosa Casa de Bragança, que viria a reinar em Portugal três séculos mais tarde. Ou seja, nas veias dos de Bragança, corre o sangue de Davi.
    Abração

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    1. Estimado Moacir
      É sempre uma grande satisfação este diálogo a respeito do que escrevemos uns para os outros. Nossas origens, formações, experiências de vida e crenças formam um precioso acervo a ser compartilhado.
      Eu não tinha a menor ideia da relevância da cultura judaica no Norte de Portugal. Ou melhor, em todo a formação do país. Aliás, sabia somente da intervenção real que criou os cristão-novos.
      A propósito, tive oportunidade de conhecer Belmonte, em fevereiro de 2000, quando fui a Portugal, como Presidente do Clube Naval, envolvido com as comemorações do V Centenário do nosso Descobrimento. Além dela, estive em Viseu e Guarda, deixando de ir a Castello Branco, onde já estivera em outra ocasião, para conhecer as origens da família.
      Você tem toda razão. Belmonte é um encanto. Passei algumas horas lá, acompanhado pelo Prefeito e um Secretário, vendo o que estava sendo feito para as festividades. Aliás, toda aquela região é linda. Tive uma aula viva de História, da qual aproveitei elementos para a construção deste texto.
      Um abraço fraterno.
      Domingos

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  3. Francisco Bendl01/03/2018 13:44

    Preciso esclarecer um pequeno detalhe:

    Tenho me omitido de comentar os belíssimos e interessantes textos de Domingos porque ele não me dá a honra de tecer qualquer comentários sobre as minhas mal traçadas linhas!

    A conclusão que chego é que o autor não quer que eu diga qualquer palavra a respeito de sua obra, muito menos quer saber a minha opinião sobre o que escreve.

    Logo, recolho-me à minha insignificância, mesmo elogiando sobremaneira seus artigos, que têm sido reconhecidos como consequências de uma mente brilhante, capaz, e indiscutivelmente prodigiosa.

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    1. Estimado amigo Chico
      Estou muito triste por ter falhado com você e venho pedir-lhe sinceras desculpas. Desde outubro passado, ando em uma roda viva que só agora está se acalmando.
      Primeiro, tive um grande envolvimento com o Centro de Estudos Estratégicos da Marinha na realização de um Simpósio com a Embaixada da China, por proposta minha e para o qual preparei aquela trilogia sobre o assunto que apresentei aqui, no nosso blog.
      Segundo, viajei a Brasília/Goiânia para uma reunião da família, que fazemos anualmente, eu e minhas irmãs,
      com filhos,netos e bisnetos.
      Essa reunião anual se desdobrou aqui no Rio com a visita de vários parentes em janeiro, cujo apoio é o apartamento do Vô Domingos, no centro de Copacabana.
      Além disso, tivemos problemas no nosso condomínio, que me levaram a renunciar da Presidência do Conselho Consultivo. Etc,etc, etc...
      Dessa maneira, para atender ao nosso querido blog, selecionei, dentre meus escritos, um texto longo e sugeri ao Mano que o publicasse em três partes. Assim, pude "desligar" do compromisso e tratar das minhas mazelas...
      Caríssimo Chicão, só soube de seus problemas de saúde quando fui botar em dia os assuntos do blog, na semana passada. De qualquer maneira, vejo que você está reagindo bem. É o que mais lhe desejo.
      Por favor, não fique magoado comigo. Tenho grande admiração por seu estilo objetivo e, principalmente, franco. Além disso, esse grande coração cabe muita beleza e bondade.
      Fiz uma sólida amizade com um oficial tailandês, colega em um curso nos EUA, há muito tempo. Chamava-se Songsit Kitiperachol e chegou a comandar a Marinha do seu país. Um dia gelado, bem cedo, tocou a campainha da minha casa. Ao abrir a porta da frente, deparei-me com o Songsit, os pés cobertos de neve. Ele trazia uma rosa branca na mão e um largo sorriso no rosto. Em seguida , me entregou a rosa, com uma reverência, e desejou Feliz Aniversário. Apesar da minha insistência para que entrasse, virou-se e foi embora. Só falamos no dia seguinte.
      Estou com uma rosa branca na mão, para fazermos as pazes...
      Um forte abraço
      Domingos

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    2. Francisco Bendl06/03/2018 05:59

      Meu caro Domingos,

      Por favor, não precisavas me pedir desculpas, pois fiquei constrangido.

      Evidente que eu quis que escrevesses mais, em face do teu estilo diferenciado, da forma como te expressas com qualidade, e teus textos muito interessantes e informativos.

      Imagino o quanto a tua profissão não te municiou de histórias e momentos importantes, e que agradecemos por estares dividindo-os conosco essa vasta experiência adquirida!

      Obrigado, Domingos, por mencionares a minha saúde que, de fato, agora está controlada e recebendo o devido tratamento, além de alguns cuidados que estou me concedendo.

      No entanto, cuida também da tua saúde, ainda mais viajando tanto e mundo afora, pois te queremos por muito tempo neste blog, lendo as tuas narrativas, contos, crônicas, indiscutivelmente arrebatadoras.

      Obrigado pelo retorno, e leva em conta que tens um grande admirador pelo que escreves, que te reverencia e respeita sobremaneira.

      Um forte abraço, e te devolvo a rosa branca da paz, pois jamis estivemos em litígio.
      Muita saúde e paz, meu caro.

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  4. Flávio José Bortolotto01/03/2018 14:47

    Parabéns ao Escritor Sr. DOMINGOS FERREIRA pela trilogia " O Galo e a Barrica - Uma ode em três Capítulos", cuja terceira Parte acima, nos narra a retomada de Luanda - Angola, aos Holandeses, desta boa Colônia do grande Império Português, em 24 de Ago 1648, por uma Força-Tarefa Brasileira Comandada pelo Governador do Rio de Janeiro - Brasil, Dom SALVADOR CORREIA de SÁ e BENEVIDES.
    Muito boa a Carta de Angola de 1640, mostrando ao Norte o grande Rio Congo, e Luanda na foz do Rio Dande, bem como todos os Rios do País.
    Abração.


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    1. Estimado Flávio Bortolotto
      Suas palavras de estímulo são sempre muito importantes para mim. Procuro contar histórias envolvendo personagens e fatos singulares que tragam alguma mensagem sobre nossas passagens por este mundo.
      Salvador Correia de Sá e Benevides foi um gigante que muito contribuiu para a formação desta bela cidade,uma joia maltratada, mas resistente e adorável.
      A Carta de Angola apresentada é, de fato, muito bem elaborada e com precioso detalhamento, como você bem reparou.
      Peço-lhe ter atenção, também, para sua parte superior, acima do rio Congo, onde há um curioso registro ,em letras grandes espalhadas:" ANZICANA cujus populi antropophagi". Isto significava que, naquela vasta área viviam antropófagos. E corrobora que eles viviam também em outras regiões, como as praias. Esse fato é citado no nosso texto quanto ao triste destino do grupo de algumas centenas de baianos que, anos antes, tinham feito uma frustrada tentativa de libertar Angola. Conforme contado por alguns fugitivos, eles foram aprisionados por uma tribo antropófaga da região onde desembarcaram e devorados, aos poucos, durante anos!!!...
      Um forte abraço
      Domingos

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  5. Olá Domingos,
    Uma trilogia interessante me ensinando muito sobre a retomada de Angola. Gostei da parte fantástica, as conversas com Dom Fernando na barrica. Para quem se enamora de Vênus e com ela bate altos papos em noites iluminadas, ver e conversar com fantasma é tarefa fácil e indispensável.
    Muito bom.
    Até mais.

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    1. Estimada Ana
      Com atraso, mas com disposição e diversão, agradeço seus comentários.
      Aliás, gostei muito das expressões "...com ela, bate altos papos em noites iluminadas" e... "ver e conversar com fantasma é tarefa fácil e indispensável.
      Com sua licença, vou adotá-las na próxima estrofe.
      Até...
      Domingos

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  6. Flávio José Bortolotto01/03/2018 19:04

    Prezado Colega Sr. FRANCISCO BENDL,

    Muitas vezes o Autor não diz nada do Comentário, quando o Comentário foi completo, cabal. Aí, não tem o que Comentar.
    Com o senhor, a meu juízo, seus Comentários são Completos.
    Abração.

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    1. Francisco Bendl06/03/2018 06:06

      Mestre Bortolotto,

      Obrigado pelo esclarecimento.
      Quanto aos meus comentários, lá pelas tantas são longos porque admiro quem saiba escrever, que dê o seu recado com competência, e deixa a sua mensagem com qualidade, com bom gosto, com refinamento.

      Exatamente o oposto de como escrevo, apenas um mero escrevinhador e esforçado, mais nada, haja vista me faltar a sofisticação, o impacto, ser mais literário.

      Os meus textos são crus, sem expressões que o qualifiquem, sem que eu consiga dominar as palavras que eu gostaria de acrescentar sobre comentários e artigos de minha autoria.

      Logo, és um cavalheiro, além de um grande amigo, que sei quer me incentivar, animar, e pelo qual agradeço esta gentileza que te é peculiar, meu caro.

      Um forte e caloroso abraço, mestre Bortolotto.
      Saúde e paz, extensivo aos teus amados.

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  7. 1) A trilogia excelente do Domingos Ferreira me fez lembrar que houve uma época na Faculdade em que andei estudando um pouco sobre "Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa".

    2)Quanto ao "Galo" também diziam lá em Lisboa que ele muda de cor, quando vai mudar o tempo...

    3)E sempre é bom ler, estudar, aprender sobre o Reino das Águas.

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    1. Estimado amigo Rocha
      Obrigado por seus comentários. São motivadores.
      De fato, O "Reino das Águas" é fundamental para nossa existência. Quanto mais o conhecemos, mais surpresas aparecem.
      Na próxima contribuição, vamos explorá-lo um pouco mais com um texto sobre "OS LUSÍADAS".
      Pedindo licença a Camões, Vasco da Gama e Netuno.
      Um abraço cordial
      Domingos

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