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19/08/2017

As Luas Cheias no Budismo

Full moon with clouds - fotografia BLM Nevada

 Antonio Rocha
Sidarta Gautama, o Buda, nasceu em uma noite de Lua Cheia, em um mês de maio, do século VI antes de Cristo. Curiosamente também atingiu o Estado de Iluminação em uma Lua Cheia e faleceu, isto é, fez a passagem para o Nirvana, em uma Lua Cheia. Então, a tradição canônica tornou o culto às Luas Cheias algo profundamente Sagrado. Não apenas as Luas Cheias, mas as outras fases também.
Popularmente dizemos que nas Luas Cheias os seres angelicais budistas nos visitam e nos abençoam. Nas Luas Novas eles colocam energias inovadoras de saúde em nossas vidas; nas Luas Minguantes eles ajudaram a diminuírem as nossas negatividades e nas Luas Crescentes ajudam a crescer coisas boas em nossas existências.
O ápice, a plenitude é a Lua Cheia. As explicações esotéricas, teológicas, budológicas variam de uma ordem para outra, mas acabam se assemelhando.
Vamos, de forma resumida apresentar aqui o significado de cada mês. O ano novo budista ortodoxo começa em maio, assim, as outras linhagens mais ou menos observam o seguinte. Observe que são datas móveis e isso é muito bom, pois ajuda a compreendermos a impermanência da vida, tudo em movimento, nada está parado:
Lua Cheia de Maio = Comemora-se o nascimento, a iluminação e a morte (desencarne, passagem) do Senhor Buddha quando esteve conosco, em carne e osso, pela Terra.
Lua Cheia de Junho = Reverenciamos a propagação do Budismo por outros países. Buddha ordenava os discípulos e dizia para eles compartilharem estes ensinamentos com todos, de forma bem democrática, respeitando as culturas locais.
Lua Cheia de Julho = É a data do primeiro sermão que o Buddha proferiu assim que atingiu a Iluminção, um estado de Santidade, dificílimo de definir.
Lua Cheia de Agosto = É a temporada de chuvas na Ásia, assim os monges, monjas, discípulos leigos e leigas reúnem-se nos conventos, nos mosteiros para fazerem retiros e aprofundarem os estudos na Doutrina Búdica.
Lua Cheia de Setembro = celebra um famoso acontecimento na vida do Buddha, quando ele morava na floresta e foi alimentado por animais. Os bichos trouxeram frutas, hortaliças, raízes para o Senhor Buddha cozinhar, fazer uma boa sopa ou algo semelhante. Claro que é uma lenda, mas simboliza a união fraterna entre o ser humano e a Natureza, o Ecossistema, somos todos um.
Lua Cheia de Outubro = Os monges recebem novos mantos, uma roupa por ano, os leigos determinadas lembranças... Final do retiro de noventa dias que começou na Estação das Chuvas.
Lua Cheia de Novembro = Comemora-se a data em que Buddha enviou sessenta iluminados para iniciarem outros nesse Caminho. Às vezes também há troca de presentes entre os membros da ordem, agradecendo-se ao reino vegetal, simbolizando que Buddha nasceu, iluminou-se e morreu sob uma figueira, que curiosamente, os cientistas batizaram com o nome em latim “fícus religiosa”.
Lua Cheia de Dezembro = Comemora-se a chegada da divulgação da Doutrina Budista ao Sri Lanka, que mesmo sendo um pequeno país, mas teve importância fundamental na expansão histórica.
Lua Cheia de Janeiro = Comemora-se a visita que Buddha fez em vida ao Sri Lanka. Muitos dizem que isso é lenda, mas confirma a data acima.
Lua Cheia de Fevereiro = Reverenciamos a outorga do título de chefe dos discípulos ao monge sábio Sariputra. Instituindo-se assim a sucessão “apostólica”, a partir do Senhor Buddha.
Lua Cheia de Março = Data festiva comemorando a volta de Buddha ao Palácio, após a iluminação. Então, sua esposa e seu filho passaram a acompanhá-lo pelo resto da vida. Com as devidas proporções, dizemos que o Buddha deixou o Palácio para fazer pós-graduação, mestrado e doutorado nas doutrinas da época. MBA – Meditação Bem Aplicada!
Lua Cheia de Abril = Buddha mediador da Paz: comemora-se a ocasião em que Ele, através do diálogo, evitou que dois reinos da antiguidade entrassem em guerra.

Fonte: “The Religious Significance of the Full Moons”, de Alec Robertson, publicado por Singapore Buddhist Meditation Centre, 1971.


8 comentários:

  1. Francisco Bendl19/08/2017 10:49

    Muito interessante os textos do meu amigo Rocha com relação ao Budismo.

    Existem explicações para qualquer ocorrência na Natureza, pois cada movimento está interligado com outros e conosco ao mesmo tempo ou, lá pelas tantas, posso estar errado nesta conclusão.

    Enfim, este é mais um artigo que faz menção à lua ou das luas particulares, sempre muito bem feitos, bem escritos, que denotam a excelente qualidade das postagens, afora o aspecto romântico de uma lua cheia, do luar que reflete nas águas do mar, de um rio, sobre uma cidade ... e de até um rosto que se assemelhe a uma lua cheia também!

    A verdade é que essa disposição do Rocha em nos fazer conhecer a sua filosofia aumenta os nossos conhecimentos nesta área, a ponto de podermos comparar as essências de uma e outra religião, e pender para aquela que mais nos contemplar as aspirações, que mais nos responder melhor sobre as nossas eternas dúvidas:
    De onde vim, o que faço aqui, para onde vou?

    Simpatizo e muito com o Budismo, repito, apesar de eu ainda resistir quanto à forma do nosso aprimoramento espiritual e como somos punidos de acordo com nossos comportamentos, a reencarnação.

    E, no Budismo, podemos voltar em várias formas de vida animal, não só humanos.

    A meu ver, trata-se de um retrocesso, pois não sei até que ponto eu vir como irracional e pagar pelos meus erros, se durante esta existência não saberei o que faço, e esta vida ter sida absolutamente inócua em relação à anterior como ser humano, a menos que ser um alguém deste tipo seja mesmo um castigo.

    Nessas alturas, até mesmo entre os pássaros ou répteis haveria uma dosagem de penalização em consequência, talvez entre felinos, peixes, amebas ... cães, e mamíferos aquáticos, como a baleia (certamente eu devo ter sido um cachalote antes de ser o atual Chicão).

    Mas aprecio os textos do Rocha, e muito, razão pela qual eu o parabenizo e aguardo a publicação de novas postagens.

    Um forte abraço.
    Saúde e paz, meu caro.

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  2. 1)E aproveito para pedir desculpas aos leitores, pois 99% do que escrevo tem como referência o Budismo. Vez por outra até tento escrever algo diferente, mas conto com a paciência do Editor e demais colaboradores...

    2)Chicão deve ser poético reencarnarmos como uma árvore em uma floresta. E se um dia nos cortarem, serviremos de lenha para ajudar outros, para aquecer, para preparar comidas etc.

    3)É que nestes casos o conceito de Eu se expande e não ficamos só presos, apegados à forma física. Ainda que, é importante que se diga, chega determinado momento em que só reencarnamos como gente, pessoas físicas...

    4) Bom fim de semana para vc e os seus !

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  3. Olá Antonio,
    MBA - Muito Bom Antonio.
    Obrigada, sossegou minha curiosidade.
    Não se desculpe pelos 99%, é sempre bom ler coisas bem diferentes do que pensamos, não acha? E aqui éo lugar certo para isso. Sinta-se confortável e escreva sempre, sobre qualquer coisa que queira dividir conosco. Ficaremos gratos.
    Bom sábado que já vai ladeira abaixo e bom domingo para vocês.
    Até mais.

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    Respostas
    1. 1) Oi Ana, gostei do MBA, não tinha pensado nisso.

      2) Gratidão sempre pelo apoio de vcs.

      3) Tudo de bom no fim de semana e na semana vindoura.

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  4. Antonio, falando como leitor, endosso inteiramente o comentário da Ana, ainda mais que me lembro de ter sugerido a você que escrevesse um pouco sobre o budismo. E muto temos aprendido com seus artigos, independentemente de nossos credos religiosos.
    Um abraço do Mano

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    Respostas
    1. 1) Salve Wilson, eu só tenho que agradecer. Fico felicíssimo em escrever neste espaço.

      2) Ficou ótima a ilustração.

      3)Bom fim de sábado e domingo inteiro !

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  5. Moacir Pimentel20/08/2017 10:29

    Antonioji,
    Sou de opinião que o principal objetivo de todas as filosofias e doutrinas e religiões é o "well being", ou seja, eliminar o sofrimento e promover a paz e a harmonia interiores. O que sempre pegou é que, na minha opinião, as religiões em vez de tratarem do além deveriam fazer uma abordagem mais prática dos problemas e assuntos da vida, casar a teoria com a prática em vez deixarem-nas morando em domínios diversos e então reconhecer como verdade o que funciona e produz resultados. Em vez e quando sob questionamento sobre coisas que não entendemos, os religiosos respondem com dogmas e mistérios que compreendemos menos ainda. E então pecamos por excesso de bom senso e/ou escassez de fé (rsrs) Pensando bem, talvez o budismo seja a mais pragmática das grandes religiões.
    No entanto, sigo desconfiando que Sócrates, Buda e Cristo não pretendiam construir "religiões" quando desenvolveram seus pensamentos mas receitas de como se viver melhor, nas quais consideraram como verdadeiro e saudável tudo o que contribuía para o fim do sofrimento humano e como inúteis e perversos aqueles comportamentos que levavam à dor ou desviavam do caminho que conduz à sua eliminação e à virtude.
    Não seguir uma religião e não acreditar nas galeras santíssimas não significa abdicar da espiritualidade. O filósofo francês André Comte-Sponville afirma ,por exemplo, que sim é possível viver o espiritual sem as crenças metafísicas, definindo essa espiritualidade sem deuses como "nossa relação finita com o infinito, nossa experiência temporal da eternidade, nosso acesso relativo ao absoluto".
    Não devemos é viver sem o sentido de comunidade - inclusive com a natureza - e sem a fidelidade a um conjunto de princípios.
    Portanto, mesmo que você tenha nos ensinado que a meditação é feita em silêncio, "falar também é rezar" e portanto escreva sim e sempre sobre as palavras do senhor Buda que, assim como as de Sócrates e as do Cristo e as de tantos outros iluminados, estão entre as mais belas e sábias já pensadas por mentes humanas. Nelas, nas palavras, eu acredito. Aliás, acho interessante pensar os mestres jamais escreveram uma pretinha sequer e que foi através de Ananda, de Platão e dos evangelistas que, em vez, elas chegaram até nós (rsrs)
    O fato é que as tradições de pensamento e de fé convergem para o que é essencial: os valores que são tão humanos que, por isso mesmo, se acredita que tenham tido origem divina. Tais palavras abraçam as necessidades espirituais e evolutivas das pessoas, das mentes abertas de todas as fés ou de nenhuma fé, dos pensadores, dos agnósticos e dos ateus.
    O que importa é que sempre no final das suas “conversas”, concordando ou discordando delas, tenho certeza de que a sua alma – na falta de melhor substantivo budista para traduzir – está no caminho do meio certo e rumo à espiritualidade e à evolução.
    Abração e bom domingo

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  6. 1)Obrigadíssimo Moacyr.

    2)Concordo plenamente com tudo o que vc escreveu.

    3) Bom domingo e boa semana !

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