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19/11/2017

A Lei do Qarma e a Justiça Divina

Katsushika Hokusai - O demônio do tufão

Antonio Rocha
Geralmente se escreve em sânscrito Karma, ou em português Carma, o termo já está dicionarizado. Também já vi e li, em textos budistas de línguas asiáticas Qarma. Significa “ação e reação”, considerando uma Lei da Física: “toda ação corresponde a uma reação”. E o nosso editor, por ser engenheiro, tem condições para explicar melhor a parte científica da citada Lei. Uns chamam de Lei do Retorno, alguns exemplificam como um bumerangue dos indígenas australianos que vai e volta. Enfim, são vários sinônimos.
Por que vai e volta? Budisticamente costumo explicar que é uma variante da Lei da Gravidade, que rege o Cosmo. Nós temos em nosso interior, partículas do elemento Terra e assim, tudo que sai desta Terra, volta a esta Terra por força da Lei da Gravidade.
Alguns ponderam:
“Não sou budista, portanto não estou sujeito a esta Lei.”
 Ou então:
“Minha religião é outra e eu tenho o perdão do meu Deus”.
Teologicamente, você será sempre perdoado, mas precisará, matematicamente, pagar o que deve. Claro, existem possibilidades de ir aos poucos sanando esta dívida, uma delas é a generosidade, caridade desinteressada e afins.
Respeito todas as religiões, filosofias e ausência delas. A Lei em questão é parte da Ciência e como tal deve ser abordada. Tipo, se estou aqui neste mundo, preciso seguir, respeitar e mesmo que discorde, aceitar algumas Leis, caso contrário vou me prejudicar.
A história que se segue é verdadeira. Estou resumindo a partir do ótimo livro que citei aqui outro dia: “A Arte da Empatia – A Consideração ao Próximo”, do escritor budista japonês Koichi Kimura.
Ao estudarmos Geografia ficamos sabendo que o Mar do Japão é sujeito a frequentes maremotos, tufões, ciclones, tsunamis e assemelhados.
Em 16 de setembro de 1890 uma fragata turca naufragou sob um “tufão próximo à Ilha de Oshima, ondas colossais” lançaram ao mar “cerca de seiscentos tripulantes”. Apenas sessenta e nove conseguiram chegar à praia, onde havia um Farol. O humilde faroleiro não falava língua estrangeira, nem os sobreviventes, mas o japonês tratou de avisar na pequenina aldeia e os moradores abrigaram os turcos em suas casas, deram-lhes roupas, comida e aquecimento para salvar os corpos gelados.
Oshima era um lugarejo muito pequeno, uma ilha isolada no arquipélago japonês, pouco mais de cem casas, cem famílias. E todos fizeram o que podiam para salvar os turcos, um não falava a língua do outro, mas o instinto de amizade, compaixão e humanidade ajudou muito. 
Os aldeões avisaram à cidade mais próxima, Kobe, que tinha um bom hospital. Quatro dias depois chegou um navio que levou os sobreviventes para o Hospital de Kobe, deram-lhes toda assistência necessária, não cobraram um centavo. E quando todos estavam já com saúde e completamente recuperados do trauma, foram devolvidos à Turquia.
Essa história marcou profundamente a sociedade turca. Nos livros de História e Geografia daquele país, até hoje, as crianças aprendem sobre a atitude generosa dos japoneses, a compaixão desinteressada etc.
O tempo corre...
Em 17 de março de 1985, durante a Guerra Irã-Iraque, o ditador Saddam Hussein (1937-2006) do Iraque resolveu bombardear a capital iraniana Teerã. O conflito teve início em 1980, quando Saddam invadiu o país vizinho e terminou em 1988.
Hussein decretou, na data acima, que todos os estrangeiros deixassem o Irâ em quarenta e oito horas, pois a partir daí seriam considerados inimigos e o espaço aéreo de Teerã seria fechado, qualquer avião que tentasse levantar voo ou sobrevoasse a cidade seria derrubado.
Na ocasião, quinhentos japoneses trabalhavam no Irã ou estavam passeando, visitando, fazendo turismo. A metade conseguiu urgente vagas em voos internacionais. A outra metade ficou encurralada no Aeroporto de Teerã.
Nenhum avião estrangeiro podia chegar ao Irã, só sair, só levantar vôo. O governo japonês não tinha como ajudar os seus compatriotas.
Então, algo inexplicável aconteceu. Faltando poucas horas para encerrar o prazo “uma aeronave turca cortou os céus do Irã e resgatou os perplexos japoneses”.
O governo turco entrou em contato com as autoridades do Iraque e conseguiu libertar os desesperados nipônicos, todos chegaram são e salvos a Tóquio.
Isso é um exemplo de bom Qarma. Isso é Empatia.
Quase um século depois, mais precisamente noventa e cinco anos após o naufrágio do Ertugrul, o nome do navio turco; o Japão recebeu de volta, feliz, os seus filhos que muitos já haviam dado como possíveis mortos na citada guerra.


8 comentários:

  1. Francisco Bendl19/11/2017 10:28

    Caríssimo Rocha,

    Que belo relato!

    De fato, colhe o bem quem planta o bem, e este exemplo que postaste é apropriado.

    Agora, uma dúvida me assalta a mente, pois limitada, sabes disso:
    De que forma, ao morrermos, nossas partículas voltarão a este planeta para dar uma nova vida àquela que se foi?!

    O espírito ao que me consta não deixa resíduo algum, logo, nossos restos mortais deixados neste planeta nele permanecerão.

    A menos que viemos de outras plagas, salientado na célebre oração Salve Rainha, ao exclamar lá pelas tantas, ... A vós bradamos degredados filhos de Eva ...”
    Onde estávamos, de modo que fôssemos degredados para este planeta?!

    Por que assim se manifestou o autor desta poderosa oração, um monge beneditino alemão, no ano de 1050?
    O que ele teria imaginado a respeito?

    Bom, a caridade ou a empatia ainda conseguem manter a besta humana dentro da jaula. Às vexes ela escapa, e causa os grandes males à humanidade, tais como recentemente, Hitler, Stálin, Pol Pot, Mao ...

    Aliás, meu caro Rocha, se o nosso amigo Mano me permitir, eu gostaria de te fazer um pedido:
    Escreve algo a respeito dessas tragédias que abalaram em demasia a humanidade, as duas Guerras Mundiais, por exemplo, pois os próprios humanos foram seus responsáveis.
    E, se puderes, faz uma analogia sobre as tragédias que ceifaram milhões de vidas, a Peste Negra e a Gripe Espanhola, ocasionadas se não pela mão do homem por quem e por quê?!
    Mais:
    Nesse apanhado, que estou vivamente interessado nesta tua publicação, os porquês dos dois grandes tsunamis, que mataram milhares de pessoas em 2004, na Indonésia, onde foi o centro do terremoto e, no Japão, em 2011, matando ambos 300.000 seres humanos, aproximadamente.

    Interesso-me em demasia pela interpretação budista com relação a essas mortes por atacado, que estarian obedecendo a quem e por quê, se lá pelas tantas ainda temos algo a pagar pelo simples fato de termos nascido!!!!

    Um grande abraço.
    Saúde e paz, meu caro.


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    1. 1) Chicão, obrigado pelas sugestões, vou anotar e aos poucos responder.

      2)Obrigadíssimo pela citação da Oração Salve Rainha, sou um estudioso, pesquisador das orações escritas, pois constituem-se em textos Literários. Excelente percepção a sua !

      3)Nós viemos de um planeta chamado Capela, ele existe, é fato. É uma teoria Espírita e eu concordo com ela. Fomos expulsos de Capela porque boa coisa não éramos, isto é, a grande maioria dos terráqueos. Muitos bilhares agora correm o risco de serem expulsos da Terra, quando daqui a algum tempo ela melhorar na Evolução.

      4) Somos Energia, somos luzes, como se fôssemos, e realmente somos, Energia Elétrica. Partículas de pó voltam ao pó, viram adubo, nós acabamos...

      5)O Espírito que é Energia continua, continua porque é Luz e a Luz não se acaba, a Energia transforma-se mas não se acaba.

      6) No mais, abraços infinitos, nós não morremos, nosso corpo decompõe-se, a Luz fica eternamente sempre em Evolução.

      7) Mas temos de ter muito cuidado para não ficarmos reprovados nessa Evolução, se não continuamos reencarnando e sofrendo, aqui neste planeta passageiro. Podemos ir para outros...

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  2. Wilson Baptista Junior19/11/2017 12:37

    Mestre Antonio, seu relato nos mostra que é universal a aplicação daquele corolário da Regra de Ouro, que reza: "Assim como fizeres aos outros, assim te será feito".
    Se todos seguissem aquela regra tão simples, "Não faças aos outros o que não queres que te façam", o mundo seria tão melhor e tão mais descomplicado...
    Um abraço do Mano

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  3. 1)Obrigado Mano, de fato, a Regra de Ouro é universal, eu até arrisco, é cósmica, serve para outros planetas. E isso é válido tanto no campo pessoal, familiar, profissional, coletivo em termos de Nação.

    2)Abraços de boa semana !

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  4. Moacir Pimentel19/11/2017 17:48

    Antonioji,
    Um belo post e uma lição de vida. Todos os jornais e blogs deveriam ser obrigados por lei - e multa! – a publicar, em manchete, todos os dias, apenas uma notícia real inspiradora em meio aos rios de sangue e os anúncios do Apocalipse. Fariam muito bem ao mundo. O jeito é pedir ajuda à Netflix, onde acabo de verificar se já estava disponível o seu ótimo relato transformado em filme, cujo título em inglês é Ertugrul 1890 -125 Years Memory. Mas não dei sorte e vou ter que continuar procurando. Obrigado!
    Um abraço e uma boa semana de trabalho

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    1. 1) Oi Moacir, excelente proposta da possível Lei. E a ideia do filme muito interessante.

      2)O secular jornal dos EUA "The Christian Science Monitor", ligado à Igreja Ciência Cristã, que faz uma interpretação original da Bíblia, a partir do Pensamento Positivo certa feita disse parecido com vc. Iriam sempre destacar uma bela notícia em que pese a barra pesada das notícias diárias.

      3) Hoje, o citado jornal só existe on line ...

      4)Gratidão pelo comentário.

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  5. Olá Antonio,
    Devemos ser sempre gratos ao outro e à natureza, por um sorriso, uma fruta, uma chuva ou o que seja de bom. Às vezes até de ruim. Muitas coisas que achamos ruins agora no futuro podem se mostrar construtivas. Já aconteceu comigo.
    Mas a "gratidão" é necessária porque com ela aprendemos a ser generosos.
    Como dizia minha avó Frau Maria aqui se faz e aqui se paga. Não tenho visto muitos pagamentos. Mais não posso dizer para não ser censurada.
    "Gratidão".

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    1. 1) Obrigadíssimo Ana, grato pelo comentário.

      2) Concordo, mas só um porém: às vezes, os pagamentos demoram porque vão para próximas vidas.

      3) Abraços de boa semana.

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